Ricardo Leal*
A política alagoana ganhou nas últimas horas uma nova pergunta — e ela é grande o suficiente para mexer praticamente em todas as peças do tabuleiro eleitoral: e se JHC desistir de disputar o Governo de Alagoas e for candidato ao Senado?
A hipótese deixou de ser apenas especulação depois da notícia de que o ex-prefeito de Maceió esteve em Brasília para uma conversa reservada com o presidente Lula. Do encontro teria saído a sinalização de que JHC poderia trocar a candidatura ao governo por uma das duas vagas ao Senado.
Se isso realmente acontecer, será necessário olhar a decisão por dois ângulos.
Pelo lado pragmático, disputar o Senado pode representar para JHC um caminho eleitoral menos arriscado. Ele chegaria à disputa carregando um patrimônio político considerável, construído sobretudo em Maceió, onde deixou a prefeitura depois de uma reeleição consagradora em 2024. Em uma eleição com duas vagas, não precisaria necessariamente derrotar todos os seus principais adversários, mas apenas estar entre os dois mais votados.
Há também uma questão de tempo. JHC tem 39 anos e uma eventual passagem pelo Senado poderia ampliar sua dimensão política nacional, fortalecer relações em Brasília e permitir que retornasse futuramente à disputa pelo governo ainda jovem e, talvez, politicamente mais estruturado.
Mas a conta está longe de ter apenas vantagens.
JHC deixou a Prefeitura de Maceió antes do término do mandato justamente para ficar apto a disputar as eleições deste ano. Durante meses, construiu sua imagem como principal alternativa ao grupo político que governa Alagoas e preparou sua candidatura ao Palácio República dos Palmares. Recuar agora inevitavelmente produziria uma pergunta entre seus próprios eleitores: por que desistir justamente quando chegou a hora do confronto?
Esse talvez seja o maior custo da mudança.
Uma candidatura majoritária não se constrói apenas com pesquisas eleitorais. Constrói-se também com expectativa, discurso e posicionamento. Ao apresentar-se como candidato ao governo, JHC reuniu aliados e passou a representar eleitoralmente uma parcela expressiva dos alagoanos que desejava uma alternativa ao grupo dos Calheiros. Deixar essa disputa praticamente entregaria a Renan Filho uma estrada muito menos acidentada de volta ao governo.
Existe ainda outro componente explosivo.
Se JHC entrar na corrida pelo Senado, não chegará a um terreno vazio. Renan Calheiros busca a reeleição e Arthur Lira também está na disputa. Ou seja, uma eventual candidatura de JHC transformaria a eleição para senador numa das mais duras e imprevisíveis batalhas políticas da história recente de Alagoas.
Nesse cenário, alguém grande necessariamente ficaria pelo caminho.
E talvez esteja justamente aí uma das razões pelas quais Brasília observa Alagoas com tanta atenção. Para Lula, retirar JHC da disputa pelo governo seria extremamente conveniente: fortaleceria Renan Filho e praticamente eliminaria o principal obstáculo eleitoral à candidatura do MDB. Ao mesmo tempo, porém, lançar JHC ao Senado acrescentaria um personagem fortíssimo a uma disputa que já envolve Renan Calheiros e Arthur Lira.
Para JHC, portanto, a decisão não parece simples.
O Senado pode significar menor risco eleitoral, oito anos de mandato, projeção nacional e a possibilidade de adiar — e não abandonar — o projeto de governar Alagoas.
O Governo, por outro lado, representa a oportunidade de enfrentar agora uma eleição para a qual ele se preparou durante anos e consolidar definitivamente sua condição de liderança estadual.
Há momentos na política em que prudência e ousadia apontam para caminhos diferentes.
O Senado pode ser a escolha mais segura.
Mas é o Governo de Alagoas que pode transformar JHC, já em 2026, no principal protagonista de uma nova configuração do poder político alagoano.
A pergunta, portanto, talvez não seja apenas se JHC pode vencer uma eleição para o Senado.
A pergunta que ele terá de responder é outra:
quanto custa desistir de disputar o governo justamente agora?
Painel Político
por Redação
Notas e notícias sobre política e bastidores do poder