Crise do STF ganha novo capítulo: Gilmar agora questiona Fux
A crise interna do Supremo não terminou com o pedido de vista de Flávio Dino. Gilmar Mendes tornou público um ofício no qual questiona Luiz Fux sobre a sessão da Segunda Turma que tratou do afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada. Gilmar afirma que teria ocorrido um “ajuste prévio” entre Fux e André Mendonça para a convocação da sessão extraordinária, sem comunicação prévia a parte dos integrantes do colegiado. É uma acusação de Gilmar, contestável e ainda não uma conclusão institucional do STF.
O episódio é especialmente relevante porque amplia o conflito: o embate que inicialmente envolvia Moraes e Mendonça agora alcança diretamente Gilmar Mendes e Luiz Fux.
Congresso começa a transformar a crise do Supremo em discussão sobre reforma do Judiciário
A Comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou uma indicação para que a CCJ constitua um grupo de trabalho destinado a reunir propostas de reforma do Judiciário. A intenção é produzir uma formulação conjunta a partir de projetos que tratam de temas como decisões monocráticas, competências das Cortes e mecanismos de controle.
Ainda está longe de significar uma reforma aprovada. Mas politicamente é importante: a crise do Master deixou de ser exclusivamente um problema interno do STF e começa a produzir resposta institucional no Congresso.
Lula diz que Fachin precisa impedir que o caso Master contamine a eleição
Lula entrou diretamente na discussão. Em entrevista divulgada ontem, afirmou que o presidente do STF, Edson Fachin, tem responsabilidade de impedir que o caso Master “atrapalhe o processo eleitoral”. Também procurou associar a origem do banco ao período do governo Jair Bolsonaro e criticou a atuação política de Flávio Bolsonaro em torno de Alexandre de Moraes.
A declaração é significativa porque mostra o Planalto tentando estabelecer uma linha política: defender investigação e transparência, mas simultaneamente evitar que a crise institucional do Supremo passe a comandar a campanha presidencial.
Gleisi leva ao TSE campanha nas redes contra o voto feminino
A deputada Gleisi Hoffmann protocolou representação no TSE pedindo a retirada de publicações de influenciadores que defendem restrições ou o fim do voto feminino. Também pediu preservação dos dados de alcance, impulsionamento e monetização e, em caso de reincidência, suspensão temporária dos perfis.
A representação menciona ainda material relacionado ao partido Missão e à ideia de “democracia familiar”. O partido e Renan Santos negam defender a retirada do direito de voto das mulheres. O TSE ainda terá de decidir sobre os pedidos, portanto a apresentação da ação não significa que a Justiça tenha considerado os conteúdos ilegais.
STF tenta voltar à normalidade — sem mencionar a sessão que expôs a divisão da Corte
O Supremo retomou ontem sua programação regular depois da sessão extraordinária de terça-feira. Fachin abriu os trabalhos e não fez referência à crise, aos confrontos entre ministros nem ao julgamento interrompido. A Corte simplesmente retomou a pauta ordinária.
O problema institucional, entretanto, permanece sem solução: Dino tem prazo regimental para devolver o processo, e o Supremo ainda nem chegou ao mérito da questão sobre Moraes. Enquanto isso, as novas manifestações de Gilmar mostram que a divergência interna continua ativa.
Painel Político
por Redação
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