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23/08/2026 às 13h00

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Alagoas embaralha as cartas e entra definitivamente no jogo eleitoral

A semana que passou começou praticamente com uma eleição e terminou com outra.

AssessorIA


A política alagoana precisou de poucos dias para demonstrar que a eleição de 2026 dificilmente obedecerá a linhas retas.

A semana que passou começou praticamente com uma eleição e terminou com outra.

Não porque tenham mudado os principais candidatos, mas porque alianças foram refeitas, posições antes consideradas improváveis tornaram-se realidade e antigos adversários descobriram que, em determinadas circunstâncias, podem compartilhar parte do mesmo eleitorado.

A principal definição veio com JHC.

Depois de dias de incerteza sobre seu destino eleitoral, o ex-prefeito de Maceió permaneceu na disputa pelo Governo. A hipótese de uma candidatura ao Senado perdeu força e JHC voltou ao projeto que durante meses parecia natural: enfrentar Renan Filho pelo comando do Estado. A decisão reorganizou imediatamente o tabuleiro e consolidou novamente a aproximação com Arthur Lira.

Foi mais do que uma simples definição de candidatura.

A permanência de JHC preservou a existência de dois grandes polos competitivos na eleição estadual.

De um lado, Renan Filho, sustentado pela estrutura do MDB, pela proximidade com Lula e por uma extensa rede de prefeitos e lideranças municipais.

Do outro, JHC, carregando a força eleitoral construída em Maceió e agora novamente associado à estrutura política de Arthur Lira.

Essa seria uma divisão relativamente simples de compreender.

O problema é que a política alagoana imediatamente tratou de complicá-la.

A disputa pelo Senado é o melhor exemplo

Arthur Lira e Renan Calheiros passaram anos protagonizando um dos conflitos políticos mais conhecidos do Estado. Estão em campos diferentes na eleição para governador: Lira ao lado de JHC; Renan, naturalmente, no projeto do filho.

Mas 2026 oferece duas vagas para o Senado.

E essa circunstância produziu uma das mais interessantes movimentações desta eleição.

Começou a ganhar corpo entre prefeitos, deputados, vereadores e lideranças municipais o chamado voto casado em Arthur Lira e Renan Calheiros. Há inclusive registros de material de campanha e manifestações públicas combinando os dois nomes.

Não significa que Lira e Renan tenham se tornado aliados.

Significa algo talvez ainda mais revelador sobre a política alagoana: os interesses eleitorais locais conseguiram construir uma zona de convivência onde a rivalidade dos dois não desaparece, mas deixa momentaneamente de ser absoluta.

É justamente aí que aparece um dos problemas para Marina JHC.

Sua entrada na corrida pelo Senado reorganizou a chapa de JHC depois da saída de Alfredo Gaspar da disputa estadual para assumir a vice na candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Marina precisa agora construir uma candidatura própria justamente num ambiente em que parte da estrutura política que apoia seu marido poderá desejar votar em Arthur Lira e reservar o segundo voto para Renan Calheiros. A saída de Gaspar, por sua vez, foi apontada como um fator que fortaleceu o cenário para os dois veteranos.

É uma contradição apenas aparente.

Para quem acompanha a política de Alagoas, é quase uma tradição.

Arapiraca entra definitivamente no jogo

Se Maceió constitui o principal patrimônio eleitoral de JHC, o segundo maior colégio eleitoral alagoano tornou-se peça estratégica para Renan Filho.

A escolha de Yale Fernandes para vice foi imediatamente seguida pela declaração de apoio do prefeito Luciano Barbosa à candidatura do MDB.

O movimento deu a Renan uma importante base política em Arapiraca e mostrou que a eleição não será decidida apenas pela capacidade de cada grupo preservar seus territórios.

Os dois precisarão invadir os territórios adversários.

JHC precisa demonstrar que sua popularidade na capital pode atravessar os limites de Maceió.

Renan precisa provar que sua extensa rede de apoios no interior pode ser convertida em votos suficientes e, ao mesmo tempo, reduzir a vantagem que seu adversário pretende construir na capital.

A eleição começa, portanto, com uma interessante disputa geográfica.

Maceió é indispensável para JHC. O interior é fundamental para Renan. Arapiraca poderá funcionar como uma espécie de fiel dessa balança.

Mas existe uma terceira força tentando atravessar essa geografia: Brasília.

A eleição nacional bate à porta

Renan Filho não demonstra constrangimento em associar sua candidatura a Lula.

Para ele, nacionalizar parcialmente a disputa pode ser vantajoso.

JHC parece enfrentar cálculo diferente.

Flávio Bolsonaro desembarca em Alagoas nesta semana acompanhado justamente de Alfredo Gaspar, seu candidato a vice e um dos políticos alagoanos de maior identificação com o bolsonarismo. A agenda prevista inclui Maceió e Arapiraca.

Arthur Lira deverá ser convidado para participar das atividades.

JHC, entretanto, poderá escolher outro caminho. Informação publicada neste fim de semana aponta que o candidato ao Governo tende a evitar uma aparição pública com Flávio para preservar uma posição de maior neutralidade na disputa presidencial.

Se isso se confirmar, teremos uma das situações mais interessantes desta eleição.

O PL participa da coligação estadual de JHC, mas seu candidato presidencial poderá visitar Alagoas sem transformar o candidato ao Governo em seu principal anfitrião político.

Não é difícil compreender a razão.

O eleitor que JHC precisa conquistar no interior não é necessariamente o mesmo eleitor que constitui a base mais fiel do bolsonarismo.

Abraçar integralmente a nacionalização da eleição poderia fortalecer sua posição em determinados segmentos e dificultá-la em outros.

Renan enfrenta cálculo inverso.

Sua associação com Lula tende a ser apresentada como ativo eleitoral, especialmente num Estado onde o presidente possui historicamente desempenho expressivo.

Portanto, Renan tem interesse em trazer Brasília para Alagoas; JHC pode ter interesse em manter Brasília a uma distância cuidadosamente calculada.

Essa diferença poderá determinar boa parte das estratégias das próximas semanas.


*Com informações UOL//Extra-AL/PortalCadaMinuto/TribunaHoje/Redes Sociais


Palanque por Redação

Análise do panorama polítco no estado de Alagoas e no País

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