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27/08/2026 às 16h40

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Fissura política em Arapiraca

Célia Rocha e Luciano Barbosa entraram numa rota de colisão praticamente inevitável.

AssessorIA


Durante muito tempo, Célia Rocha e Luciano Barbosa estiveram do mesmo lado da política de Arapiraca.

Mais do que aliados circunstanciais, construíram uma relação que atravessou eleições, governos e diferentes momentos da história política do município.

Célia não esconde, inclusive, o papel que atribui a si própria na trajetória de Luciano.

Foi justamente por isso que sua reação à decisão do prefeito de apoiar Renan Filho chamou tanta atenção.

Célia declarou estar “com muita raiva” do antigo aliado e afirmou que Luciano havia prometido que jamais ficaria contra ela caso disputasse uma eleição como candidata a vice-governadora.

Mas talvez o rompimento seja menos surpreendente do que parece.

Célia e Luciano entraram numa rota de colisão praticamente inevitável.

O ponto de partida foi a decisão de Célia de aceitar o convite para ser vice de JHC.

Ao fazê-lo, ela deixou de ser apenas uma importante liderança de Arapiraca.

Passou a integrar formalmente um dos lados da principal disputa eleitoral de Alagoas.

Luciano seguiu caminho diferente.

Depois de conversar com os dois principais candidatos ao Governo, decidiu apoiar Renan Filho — movimento coerente com sua permanência no MDB e com os interesses políticos que resolveu priorizar nesta eleição.

A partir daquele momento, a velha aliança ficou praticamente impossível de sustentar.

Porque uma coisa é permitir que aliados tenham candidatos diferentes.

Outra é ter Célia como vice de JHC e Luciano como um dos principais cabos eleitorais de Renan Filho no segundo maior colégio eleitoral do Estado.

Não havia espaço confortável entre essas duas posições.

E Renan tratou de tornar a separação ainda mais explícita ao escolher Yale Fernandes, ligado ao grupo político de Luciano e primo de Célia, para sua vice.

Arapiraca passou então a ocupar uma situação extraordinária.

Nas duas principais chapas para o Governo há representantes diretamente ligados à política local: Célia com JHC; Yale com Renan.

A divisão deixou de ser apenas política.

Tornou-se também pessoal, histórica e territorial.

E seus efeitos já atravessaram os limites de Arapiraca.

Em Maceió, Antonio Lenine, que havia chegado ao secretariado municipal por indicação de Luciano Barbosa, foi exonerado depois que o prefeito de Arapiraca declarou apoio a Renan Filho.

Pontes começam, portanto, a ser desmontadas.

A grande questão agora não é mais se Célia e Luciano estarão juntos.

É descobrir o que acontece quando estiverem efetivamente um contra o outro.

Luciano possui a máquina municipal, lideranças políticas e a força natural de quem governa Arapiraca.

Célia possui algo diferente: uma história eleitoral própria construída durante décadas e três passagens pela Prefeitura.

Até recentemente, essas forças eram complementares.

Agora serão testadas separadamente.

E talvez esse seja o aspecto mais fascinante dessa ruptura.

Durante anos foi difícil saber onde terminava a influência política de Célia e começava a de Luciano — ou quanto um dependia eleitoralmente do outro.

2026 poderá responder essa pergunta.

Se Célia entregar a JHC votação expressiva em Arapiraca, demonstrará que preservou capital eleitoral próprio e independente da atual administração municipal.

Se Luciano conseguir produzir ampla vantagem para Renan Filho, mostrará que o comando político da cidade efetivamente mudou de mãos.

Pode ocorrer também algo ainda mais interessante: nenhum deles controlar completamente o eleitorado.

Porque alianças podem ser transferidas.

Votos, nem sempre.

Há ainda uma peculiaridade tipicamente alagoana nesse rompimento: mesmo magoada com Luciano, Célia continua declarando apoio às candidaturas proporcionais de Daniel e Lucas Barbosa, filhos do prefeito.

É a demonstração perfeita de como nossas alianças políticas raramente se rompem por inteiro.

Algumas pontes caem.

Outras permanecem de pé.

Mas a principal delas caiu.

Célia Rocha está com JHC.

Luciano Barbosa está com Renan Filho.

E os dois escolheram transformar Arapiraca num dos principais campos de batalha da eleição estadual.

Não sabemos ainda quem sairá politicamente fortalecido dessa disputa.

Sabemos apenas que, depois das escolhas feitas, a colisão deixou de ser possibilidade.

Virou parte da eleição.


Palanque por Redação

Análise do panorama polítco no estado de Alagoas e no País

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