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29/08/2026 às 13h20

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Ele ajuda ou atrapalha?

A pergunta pode parecer provocativa, mas tornou-se inevitável nesta campanha eleitoral de Alagoas

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A pergunta pode parecer provocativa, mas tornou-se inevitável nesta campanha eleitoral de Alagoas: Renan Calheiros ajuda ou atrapalha Renan Filho?

Não existe uma resposta simples.

Poucos políticos alagoanos construíram, nas últimas décadas, uma estrutura de poder comparável à de Renan Calheiros. São mandatos sucessivos, presença nacional, influência partidária, articulação municipal e uma rede política espalhada pelo estado.

Seria ingenuidade imaginar que essa estrutura não beneficia a candidatura de Renan Filho ao governo.

Renan pai conhece como poucos os caminhos de Brasília e da política alagoana. Tem aliados, prefeitos, lideranças e capacidade de articulação que qualquer candidato gostaria de possuir ao seu lado.

Mas toda força política muito duradoura carrega também o seu contrário.

O poder produz influência, mas também produz desgaste.

E é justamente aí que começa o problema.

JHC parece ter percebido que talvez seja mais difícil enfrentar diretamente a imagem administrativa de Renan Filho do que transformar a eleição numa discussão sobre a permanência da família Calheiros no centro do poder alagoano.

Seu primeiro programa eleitoral deixou essa estratégia bastante clara ao atacar Renan Calheiros e procurar associar a candidatura do filho à continuidade de um grupo político.

Não é uma escolha casual.

Renan Filho já governou Alagoas por dois mandatos, passou pelo Senado e pelo Ministério dos Transportes. Construiu, portanto, uma trajetória própria que lhe permite apresentar-se ao eleitor para além do sobrenome.

O adversário tentará fazer exatamente o contrário.

Quanto mais Renan Filho procurar apresentar sua própria biografia, mais JHC deverá insistir em colocar o pai dentro da fotografia.

E existe uma razão adicional.

Renan Calheiros também está na urna.

Enquanto o filho tenta voltar ao governo, o pai disputa novamente uma cadeira no Senado.

Isso permite aos adversários construir uma narrativa poderosa, ainda que simplificadora: a de que Alagoas estaria sendo chamada a entregar simultaneamente o governo ao filho e mais oito anos de Senado ao pai.

A entrada de Marina JHC na disputa senatorial tornou esse cenário ainda mais delicado.

Levantamentos recentes mostram uma disputa competitiva pelas duas vagas e colocam Marina em condições de ameaçar aquilo que, meses atrás, parecia encaminhar-se para um confronto dominado por Arthur Lira e Renan Calheiros.

Surge então um paradoxo interessante.

Renan Calheiros precisa de Renan Filho forte para ajudá-lo na eleição ao Senado.

Mas Renan Filho talvez precise evitar que a eleição para governador se transforme num plebiscito sobre Renan Calheiros.

Um precisa do outro.

Mas talvez precisem também de alguma distância.

Esse é o equilíbrio difícil que a campanha terá de administrar.

Porque Renan Calheiros não é apenas o pai do candidato.

É um personagem político capaz de despertar sentimentos intensos — favoráveis e contrários.

Tem eleitorado fiel, capacidade de mobilização e enorme experiência.

Mas possui igualmente rejeição acumulada depois de décadas de exposição e enfrentamentos políticos.

Para JHC, portanto, o objetivo parece evidente: fazer com que parte dessa rejeição atravesse a fronteira entre pai e filho.

Para Renan Filho, o desafio será impedir essa transferência.

E talvez seja justamente por isso que a pergunta do título acompanhará toda a campanha.

Renan Calheiros ajuda ou atrapalha?

Provavelmente faz as duas coisas.

Ajuda na estrutura, na articulação, nos municípios e na experiência.

Pode atrapalhar quando oferece ao adversário a oportunidade de transformar uma eleição entre dois candidatos competitivos numa discussão sobre renovação e permanência no poder.

No final, entretanto, somente as urnas poderão medir qual desses efeitos será maior.

E talvez descubramos que uma das batalhas decisivas de 2026 em Alagoas não será apenas JHC contra Renan Filho.

Será também a disputa de Renan Filho para convencer o eleitor de que, mesmo carregando um dos sobrenomes mais poderosos da política alagoana, sua candidatura pertence a ele — e não ao pai.


Palanque por Redação

Análise do panorama polítco no estado de Alagoas e no País

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