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Agora no Painel Marinha reforça limpeza de óleo no Nordeste com mais um navio
27/10/2019 às 10h17

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Contaminação do mar e lagoas - A gravidade que ameaça a população

Para refletir:

"A contaminação química dura muito mais tempo do que aquilo que a poluição visual pode sugerir." ( De um biólogo )


Contaminação do mar e lagoas

A gravidade que ameaça a população

Desde o dia 30 de agosto uma grande mancha supostamente de óleo invadiu as praias do Nordeste brasileiro, deixando a população curiosa e também temerosa em função do desconhecimento das consequências que podem vir, causadas  pelo acontecimento. O governo federal negligenciou e só veio tomar alguma providência quando praticamente todas as praias da região foram atingidas pela tragédia ecológica e passados todo esse tempo ainda não deu uma resposta efetiva de qual foi a causa do acidente se foi criminoso ou mesmo a origem. São uns incompetentes não levando a sério o que vai assustando e preocupando biólogos, oceanográficos e profissionais do setor do meio ambiente nacional.

Sem esperar pelo governo federal ou estaduais as populações começaram a formar brigadas de voluntários para assumir o trabalho de limpeza das praias contaminadas, um trabalho gigantesco, porém sem muito resultado prático. Mesmo quando, para os olhos, parece limpo, o risco pode seguir oculto por muitos anos.

"Essas substâncias contaminam todos os organismos do ambiente e isso facilmente cai na cadeia alimentar. Um pequeno peixe, por exemplo, pode comer algo que esteja contaminado. Isso entra na cadeia até chegar no peixe que consumimos", alerta a bióloga  Thevenin, criadora do perfil Oceano para Leigos, no Instagram.

Nos noves Estados do Nordeste, já são 200 localidades atingidas pelo óleo, de acordo com a atualização feita no sábado (19) pelo IBAMA.

Oceanógrafos, químicos e autoridades estaduais têm se declarado preocupados com as consequências futuras do desastre.

Até chegar ali, o óleo já havia deixado um rastro tóxico por milhares de quilômetros e atingido os mangues e corais dessa região em uma etapa mais avançada de degradação — um tipo de contaminação que é mais difícil de ser limpa e que permanecerá durante anos no meio ambiente, segundo os especialistas.

O petróleo cru, ainda que seja altamente tóxico, é uma substância orgânica. Dessa forma, ele pode ser degradado através de fatores naturais, como a rebentação das ondas (que dispersam o material), a irradiação solar (que evapora determinados componentes) e até mesmo bactérias que se alimentam do carbono contido no material. O problema, nesse caso, é o tempo.

"A degradação natural é extremamente lenta. A depender do ambiente, leva décadas. Em áreas onde já ocorreram derrames, temos análises feitas anos depois do episódio e ainda assim é detectada a toxicidade. Por isso seria importante evitar que esse óleo chegasse na costa", diz Carine Santana Silva, que é oceanógrafa, pesquisadora da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e especialista em petróleo e meio ambiente.

Os perigos que rondam as praias

Além do risco na cadeia alimentar, as pessoas também estão sujeitas a entrar em contato direto com os contaminantes que permanecerem no ambiente.

Isso pode acontecer em uma simples caminhada pela areia da praia ou no banho de mar, tocando involuntariamente em resíduos de óleo ou inalando os gases liberados por eles.

O monitoramento das regiões atingidas precisa ser feito por anos, com análises constantes, para garantir que as pessoas não estão frequentando zonas intoxicadas.

A mariscagem será afetada diretamente nesses locais, visto que, com a presença de óleo, a recomendação é a paralisação da pesca. O comércio de organismos aquáticos dessas áreas ficará comprometido. A pesca como um todo deverá ser impactada, tendo em vista que os consumidores foram alertados para não adquirirem produtos pesqueiros", indica o documento.

No petróleo, estão contidos compostos orgânicos voláteis (COVs) e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs), ambos altamente tóxicos e cancerígenos.

Os COVs evaporam com relativa rapidez, mas os hidrocarbonetos se mantêm íntegros por muito tempo. Para o mais famoso deles, o benzeno, a resolução 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) determina um limite que vai de 0,051 mg a 0,7 mg por litro de água salgada. Passando disso, já impacta a biota marinha e a saúde humana — ainda não existe resultado de medição na Bahia após a chegada do óleo.

Governos se calam para preservar o turismo

“Os governos não querem fazer alarde porque um caso como esse afeta o turismo, mas existe a questão da saúde, tanto de quem frequenta praias como de quem trabalha nessas zonas, mariscando, pescando, vendendo", observa a química Sarah Rocha, que atua no laboratório da pós-graduação em Petróleo, Energia e Meio Ambiente da UFBA.

"Essas pessoas vão ficar em contato com esses resíduos por muito tempo, porque há também uma sustentação financeira em jogo. É muito difícil, por exemplo, que esses mariscos deixem de ser recolhidos para venda e é certo que muita gente vai ingerir alimentos contaminados", acrescenta ela.

Sarah Rocha integra a equipe que vem fazendo análises de amostras do óleo que tem chegado à Bahia, verificando sua origem e seu estado físico-químico. Segundo ela, o material que toca as praias já chega bem degradado, tendo passado por seguidas intempéries, e resta somente a fase da degradação bacteriana — justamente a mais demorada.

Afinal, tudo que se apurou é que a União não está adotando as medidas adequadas em relação a esse desastre ambiental que já chegou a 2.100 quilômetros dos nove Estados da região. A maioria dos estados também incorre no mesmo erro.

Em Alagoas o que tem feito o Ministério Público? Já tomou alguma medida ou imagina que isso não é problema deles? Reuniu os órgãos ambientais, determinou limitações nas praias e lagoas? Pediu amostras e pareceres técnicos? Claro que não. Como sempre.

Mais ainda: toda a população terá que se manter alerta por um longo período e cobrar dos órgãos governamentais monitoramento periódico das praias, peixes e mariscos. Pois, para grande parte dessa população  o comum é achar que porque não estamos vendo, não existe. Mas, neste caso, o perigo está justamente no que não vemos. Dizem os especialistas.

A grande verdade é que a tragédia chegou pelo mar e vamos ter que aprender a lidar com ela. População, ambientalistas, governo federal e estaduais e buscar urgente as causas do maior desastre ambiental dos últimos tempos. Muitas especeis de peixes e outros animais marinhos já estão morrendo em decorrência da contaminação. E em breve seremos nós?

(Pela gravidade do fato a coluna desta semana é dedicada a uma analise do desastre ambiental que atinge a todos nós, com graves  consequências para o meio ambiente e para a população. Com informações de especialistas e organismos de preservação ambiental ).


Pedro Oliveira por Pedro Oliveira

Jornalista e escritor. Articulista político dos jornais " Extra" e " Tribuna do Sertão". Pós graduado em Ciências Políticas pela UnB. É presidente do Instituto Cidadão,  membro da União Brasileira de Escritores e da Academia Palmeirense de Letras.

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