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17/07/2020 às 20h02

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Juiz não é Pop Star


“Os juízes decidem com base em suas próprias satisfações e ouvem com parcialidade, rendendo-se aos contendores em vez de julgá-los” (Aristóteles) 

Convivi muito tempo com um magistrado, daqueles que hoje quase não mais existem, meu sogro e primo, desembargador Luis Oliveira Sousa, que entre muitas lições sempre fazia duas afirmações: “juiz que der sinais de riqueza, sem ter herdado merece ser investigado e juiz não é artista nem jogador para dar entrevista sobre processos ou decisões, suas falas devem estar apenas nos autos”. Ocupou o mais alto posto da Magistratura alagoana, como presidente do Tribunal de Justiça, sempre avesso a entrevistas e exposições desnecessárias. No ambiente institucional da harmonia dos poderes e pela deferência de Divaldo Suruagy, chegou a ocupar por alguns dias o cargo de governador. Cercado de jornalistas falou apenas de sua honra em colocar na sua história que governou Alagoas por cinco dias. Nada mais a acrescentar a não ser cumprir a liturgia do cargo e despachar uma agenda mínima que o titular deixou.

Não tinha, nem queria ter vocação para a política, mas havia naquele dia em sua agenda a audiência com uma senhora, pobre residente na periferia de Maceió. A secretária do Gabinete Civil, sua amiga Marlene Lanverly (que nos deixou há poucos dias) preocupada com a condução dessa audiência foi lá para ajudar. Ao entrar no gabinete deparou-se com o seguinte quadro: a mulher se acabando de chorar e o governador-interino também. Assustada perguntou do que se tratava e ele falou que a senhora havia pedido uma casa da COHAB para morar e ele havia dito que não tinha poderes para isso. De imediato Marlene falou: “Poder sim governador, pode assegurar que a casa está garantida”. A senhora ganhou a casa e quanto a ele acho que considerou o mais importante ato do seu “governo”. 

Hoje ao assistir o desfile ridículo de magistrados midiáticos, ávidos por ser noticia, alguns falando demais e muitos envolvidos em atos de corrupções, lembro-me das lições de dignidade e humildade que recebi de alguém que foi exemplo do bom juiz.

Quando Chico não é Francisco

O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu conceder prisão domiciliar ao ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB). A decisão foi tomada no fim da noite de 3ª feira  pelo ministro presidente da Corte, Dias Toffoli. A defesa diz que o motivo do pedido foi o estado de saúde de Geddel. O ex-ministro tem 61 anos e é hipertenso. Por isso, estaria no grupo mais vulnerável à pandemia de covid-19. O teste de Geddel deu positivo para a doença. Mas a contraprova deu negativo. Mesmo assim a decisão foi mantida. Só para lembrar Geddel é aquele em cujo apartamento a Polícia Federal encontrou malas com 51 milhões roubados do dinheiro público.

“Como se sabe zelar pela segurança pessoal, física e psíquica dos detentos, constitui dever inafastável do Estado”, escreveu Toffoli na decisão.

Já o também ex-deputado Nelson Meurer não teve essa sorte. O mesmo Supremo que protegeu Geddel, não concedeu a ele o benefício. Ressalte-se: contraiu a doença na Penitenciária, teve o diagnóstico confirmado, tinha 77 anos, sofria de comorbidades acentuadas como diabetes, cardiopatia e problemas renais graves. O mesmo faleceu na prisão. O ministro Edson Fachin, veio a público apresentar os pêsames e pedir desculpas à família. Tarde demais.

O mico do governador

A notícia repercutiu em Brasília, principalmente no palácio do Planalto e no Congresso, com direito até a comemoração. Com a determinação do presidente em “tolerância zero” com o governador de Alagoas a ordem foi cumprida à risca. Na inauguração de obras do governo federal no interior foi retirado da placa comemorativa o nome de Renan Filho propositalmente. Até o prefeito da cidade teve direito à honraria. Na ocasião também muitos risinhos disfarçados, de políticos que fazem oposição ao governo local. Renan não passou recibo, mas intimamente sabe-se que foi grande o constrangimento. O ministro Rogério Marinho, que visitava Alagoas, se esmerou em atenções ao prefeito Rui Palmeira (também por recomendação de Brasília) e com o governador apenas o tratamento institucional. Para quem tem a vaidade como uma de suas marcas, deve ter se sentido “ferido de morte”. Eu acho é pouco.

Enviado de Deus?

Diante do aumento da pressão das Forças Armadas para tentar se dissociar da gestão de Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde, o presidente Jair Bolsonaro divulgou uma mensagem em que defende o general e rebate as críticas de que existe uma militarização excessiva da pasta.

Segundo Bolsonaro, Pazuello é um "predestinado" e motivo de orgulho para o Exército.

O texto do presidente foi publicado em meio à crise aberta com as declarações do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), para quem o Exército, ao ocupar postos-chave na Saúde em meio à pandemia do Coronavírus, está se associando a um genocídio.

"Quis o destino que o general Pazuello assumisse a interinidade da Saúde em maio último. Com 5.500 servidores no ministério, general levou consigo apenas 15 militares para a pasta. Grupo esse que já o acompanhava desde antes das Olimpíadas do Rio", afirmou Bolsonaro.

Rui Palmeira prestigiado

O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, trouxe boas novas para a administração do prefeito Rui Palmeira e seu projeto de uma “Nova Maceió”. A retomada das obras do “Residencial Vilas do Mundaú”, no bairro Vergel do Lago, que beneficiará 1.776 famílias com unidades habitacionais do Programa Minha Casa, Minha Vida, além de outros investimentos do governo federal.

Rui Palmeira destacou a novidade que beneficiará moradores da orla lagunar. "Ficamos muito felizes com a visita do ministro Rogério Marinho, que trouxe boas novas para Maceió. Foram várias ações positivas aqui na nossa cidade, e a gente agradece, mais uma vez, ao presidente Jair Bolsonaro". Ao contrário do governador, o prefeito é bem visto em Brasília.

Collor em ação

O senador Fernando Collor tem se revelado, a figura mais importante da bancada alagoana no Senado. Sua aceitação junto aos prefeitos do interior é estratégica e certamente lhes trará bons resultados na disputa pela vaga em 2022. Conhece da política como poucos, transita em todos os setores e tem proximidade muito estreita com a imprensa. Sempre muito cordato é um senador com prestígio no Congresso Nacional e visto com simpatia no Palácio do Planalto. Pelo andar do “cortejo” é bom que o governador Renan Filho repense uma candidatura a deputado federal, pois ao que parece a cadeira do Senado permanece com o titular. Eu aposto.

O governador Renan Filho, terá adversários fortes caso seja candidato em 2022. Sindicatos, entidades de classes e o funcionalismo público, que ele despreza não o perdoarão. 

No governo do Estado dois secretários se destacam e fazem a diferença. Maurício Quintella (Infraestrutura) e Rafael Brito (Desenvolvimento Econômico e Turismo) O resto é “bijuteria”.  


Pedro Oliveira por Pedro Oliveira

Jornalista e escritor. Articulista político dos jornais " Extra" e " Tribuna do Sertão". Pós graduado em Ciências Políticas pela UnB. É presidente do Instituto Cidadão,  membro da União Brasileira de Escritores e da Academia Palmeirense de Letras.

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