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05/12/2020 às 11h46

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Ao vencedor, o troféu:


PARA REFLETIR

“Água de morro abaixo, fogo de morro acima e a vontade do eleitor, não tem quem segure”.

Governar uma das mais belas cidades do país

Abertas as urnas finda uma história cravada por ataques ensandecidos, acusações, “fake news”, alianças e disputa de poder. Como em eleições anteriores e como não poderia deixar de ser, o “lavado de roupa suja” entre os candidatos supera as propostas, os planos de governo e até a esperança do povo. Mas é assim mesmo e não há de mudar enquanto a prática política do clientelismo, das alianças tortas e dos embates ideológicos permanecerem. E vai continuar sempre assim. Como dizia o Winston Churchill, “A política é quase tão excitante como a guerra e não menos perigosa. Na guerra a pessoa só pode ser morta uma vez, mas na política diversas vezes.

A vitória de JHC

Com a finalização da apuração em Maceió, o candidato JHC (João Henrique Caldas) foi eleito em segundo turno com 222.147 votos, o que correspondeu a 58,64% dos votos válidos contra 156.704 de seu oponente Alfredo Gaspar de Mendonça, que obteve 156.704, 41,36%.

O vencedor consagrado nas urnas, desde o primeiro turno já mostrava uma performance superior ao segundo colocado e a partir daí turbinou ainda mais sua campanha, angariando apoios importantes que o levaram à vitória. O eleitorado da capital fez então sua opção por aquele que considerou o melhor para administrar a cidade. Mesmo ainda sendo muito jovem o vencedor tem uma história política já testada desde quando foi deputado estadual, onde desempenhou um mandato propositivo e contestador. Como deputado federal é ativo e muito articulado nas relações internas no Congresso, sendo considerado o mais atuante da bancada alagoana.

Chega ao comando da prefeitura, segundo declarou, com o propósito de efetuar mudanças e fazer um governo baseado na meritocracia, capacidade técnica, mas claro sem fugir da política. Pode sim, fazer isso tudo, sabendo dividir “alhos de bugalhos” até porque chega com a força de seus votos para decidir sozinho, mas ouvindo quando for preciso.

Ao Davi, Honra ao Mérito

Voltemos ao primeiro turno, que não tive oportunidade de comentar. Não conhecia o candidato deputado Davi Davino Filho, até essa eleição. Como o terceiro candidato nas avaliações inclui o seu nome com espaço idêntico aos outros dois na coluna. A partir daí nos falamos frequentemente. Dono de um carisma muito positivo, tem qualidades raras na política: fala olhando no olho e é muito humilde. Fez a campanha melhor elaborada nas mídias sociais e ganhou a confiança do eleitorado mais humilde. Sai da eleição cacifado pela expressiva votação (97.409 votos) e chegará em 2022 como protagonista da mais alta importância.

O vice de cada um

 Ronaldo Lessa foi de longe o candidato a vice-prefeito que mais contribuiu com a campanha do titular. Ex-governador e ex-prefeito de Maceió. Continua adorado pela classe de servidores públicos do estado e município, aos quais concedeu muitas melhorias. No início da campanha sua imagem foi subaproveitada pelos “gênios marqueteiros”, que não conhecem nossas peculiaridades, mas ainda bem que o erro foi corrigido a tempo e a presença de Lessa foi marcante durante o restante da campanha.

Emmanuel Fortes, vice de Davi Davino, engrandeceu a chapa. Maior liderança da classe médica alagoana, homem e profissional respeitado, tem um histórico político honrado e atuante.  Fez a sua parte.

Tácio Melo, vice de Alfredo Gaspar. Um nome completamente desconhecido para o grande eleitorado e com rejeição entre os mais esclarecidos. Não ajudou, mas também não atrapalhou. Como diz Sebastião Nery (um sábio da imprensa), “Os vices só crescem à beira dos túmulos”.

Alfredo Gaspar de Mendonça

Entrou pela porta certa, mas enviesou pelo caminho inseguro. Jovem com uma bonita história no Ministério Público e também no exercício do cargo de secretário de Segurança Pública. Descendente de tradicional família de renomados juristas e com destaque na sociedade alagoana. Tem destino político, mas se lançou no momento errado confiante em uma aparente aceitação do eleitorado e uma equivocada aliança. Foi para o segundo turno e teve uma significativa votação (156.704 votos). Teve uma campanha com altos e baixos na formulação de seu marketing. Testou e fez um bom ensaio, mas em política o jogo é bruto e feito para profissionais.  

A maldição do governador

O apoio do governador Renan Filho foi talvez a principal “pedra no sapato” do candidato Alfredo Gaspar. Vivendo um de seus piores momentos políticos, com derrotas emblemáticas (vide Arapiraca) carrega em suas costas uma rejeição que beira o ódio por parte da grande maioria dos servidores públicos estaduais, classe que durante o seu governo foi perseguida e humilhada durante toda a gestão. Se juntar os servidores públicos, suas famílias e os amigos que foram contaminados por essa onda contra o algoz, se chega a soma de alguns milhares, decisivos para uma eleição apertada.

Começou bem a transição

A transição para o próximo período do governo da capital começou e já mostra que o futuro prefeito JHC está começando bem. Como disse em sua campanha vai primar por uma gestão dirigida por bons técnicos e apostar na meritocracia. Formou uma equipe de transição coordenada pelo competente e atuante deputado Davi Maia, com vasta experiência no setor público e que conhece o interior da prefeitura de Maceió. Ao seu lado uma equipe do mais alto nível para fazer uma análise completa e aí então formular propostas para o efetivo cumprimento de um plano de governo eficiente, moldado nas propostas possíveis feitas durante a campanha.

O encontro de Rui Palmeira e JHC com suas equipes para iniciar a transição não foi apenas foi republicano, mas cortês e proficiente, como manda o figurino das relações institucionais.

O futuro prefeito dá sinais que tocará sua administração com profissionais técnicos e se for político tem que ser competente. Uma excelente sinalização.


Pedro Oliveira por Pedro Oliveira

Jornalista e escritor. Articulista político dos jornais " Extra" e " Tribuna do Sertão". Pós graduado em Ciências Políticas pela UnB. É presidente do Instituto Cidadão,  membro da União Brasileira de Escritores e da Academia Palmeirense de Letras.

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