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03/10/2021 às 18h30

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Brasil, um país com fome e miséria

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PARA REFLETIR

O grande problema do mundo não é a violência, a fome, ou a corrupção. Mas sim as pessoas que contemplam tais coisas e recusam-se a tomar uma atitude.

Brasil, um país com fome e miséria

O desgoverno do presidente Jair Bolsonaro tem levado o país, a cada dia, aumentar o índice de miserabilidade, reduzindo a renda de milhões de pessoas com extrema redução renda.

Pelo menos 2 milhões de famílias brasileiras tiveram a renda reduzida e caíram para a extrema pobreza entre janeiro de 2019 e junho deste ano. Os dados são do Cadastro Único do governo federal, o chamado CadÚnico, que aponta para um aumento mês a mês de pessoas na miséria desde novembro de 2020.

Em dezembro de 2018, durante o governo Michel Temer (MDB), eram 12,7 milhões na pobreza extrema. Dois anos e meio depois e com Jair Bolsonaro na Presidência, esse número chegou a 14,7 milhões em junho de 2021.
Família em extrema pobreza é aquela com renda per capita de até R$ 89 mensais. Em regra, são pessoas que vivem nas ruas ou em barracos e enfrentam insegurança alimentar recorrente.

Os números da fome

O número de junho é o maior de famílias na miséria desde o início dos registros disponíveis do Ministério da Cidadania —a partir de agosto de 2012— e representa 41,1 milhões de pessoas. Há ainda 2,8 milhões de pessoas na pobreza, ou com renda per capita de R$ 90 a R$ 178 mensais.

Em Belo Horizonte, Cuiabá, Maceió, Manaus, São Paulo e Balneário Camboriú (SC) se revelam a insuficiência dos programas sociais e a dependência de doações de voluntários e ONGs contra a fome.

Proporcionalmente Maceió é a capital que apresenta um dos maiores índices de pobreza extrema no país. Mais uma vergonha nacional.

Segundo o economista e pesquisador da Ufal (Universidade Federal de Alagoas) Cícero Péricles de Carvalho, o aumento do número de miseráveis é resultado de uma combinação de elementos estruturais com conjunturais, como a inflação e o desemprego.

Especialista alagoano explica as causas da miséria

"Pela Pnad [Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE] de maio, o número de desempregados chega a 14,8 milhões de trabalhadores. Esse dado, mais a inflação, principalmente a de alimentos, influencia na renda e no consumo. O Dieese [Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos] calcula que, nos 12 últimos meses, a cesta básica teve uma variação média de 22% e que o valor do salário mínimo necessário seria de R$ 5.422, cinco vezes maior que o piso em vigor", afirma.

A Pesquisa de Orçamento Familiar, também do IBGE, já havia detectado um aumento de 33% na insegurança alimentar entre 2017 e 2018. "Além disso, pesquisa realizada em abril deste ano confirma que 19 milhões de brasileiros estavam em situação grave em relação ao acesso à alimentação", disse o professor Cicero Péricles em entrevista ao jornal Folha de São Paulo.

Quando a miséria chega a nós

Era noite de um sábado quando Zenilda Silvino da Silva, 44, viu que não tinha nada em casa e decidiu enviar uma mensagem pedindo socorro a uma ONG de Maceió. "A gente realmente não tinha o que comer, faltava mesmo", conta

Zenilda veio com o marido no início do ano passado de São Paulo para Maceió, mas com a pandemia as coisas ficaram difíceis.

"A gente está tendo dificuldade pela falta de serviço, e aí acaba sem nada em casa para comer. Somos diabéticos, e você sabe que diabético não pode ficar muito tempo sem comida. Então acaba faltando as coisas dentro de casa, e a gente não tem muita ajuda das pessoas. Só quem veio ajudar a gente mesmo foram eles", dizem.

A entidade que ela procurou se chama Instituto “Amigos da Sopa”. O coordenador da ONG, Tibério Jorge, conta que pedidos assim se tornaram constantes.

"Nós ajudamos pessoas cadastradas, são 520 famílias. Mas quase todo dia recebemos pedidos de pessoas que não são cadastradas, sempre pedindo socorro porque não têm comida", diz.

Tentamos sempre ajudar porque a fome tem pressa, não pode esperar."

Miséria nas ruas de Maceió

Temos observado uma verdadeira “procissão de miseráveis” nas ruas e praças da capital, mulheres com crianças nos braços, nas portas de supermercados pedindo uma lata de leite. Ainda esta semana deixei duas dúzias de ovos e pão com pessoas que mendigavam à porta de um estabelecimento na Ponta Verde. É penoso, doloroso e cruel.

As políticas públicas são falhas e incapazes de atender a demanda de famílias que passam fome. Tenho dito insistentemente: não adianta investir no “digital” e deixar o social como menos importante.

Os se toma uma providência, do contrário esse cenário de miséria só tem de a aumentar, a cada dia, com consequências previsíveis.

A fome é geral e avança colocando o Brasil no abismo da miséria, não nos bastasse a vergonha política e institucional, agravando a situação de estados e municípios.

Não bastassem milhares de famílias enlutadas, durante a pandemia, por conta do negacionismo, nos sobra de presente a fome e a miséria, como cenários do bolsonarismo.

Pílulas do Pedro

No próximo ano a fome vai diminuir no Brasil. É ano de eleição.

Muitas pessoas vão trocar cada voto da família por uma cesta básica. É assim que funciona.


Pedro Oliveira por Pedro Oliveira

Jornalista e escritor. Articulista político dos jornais " Extra" e " Tribuna do Sertão". Pós graduado em Ciências Políticas pela UnB. É presidente do Instituto Cidadão,  membro da União Brasileira de Escritores e da Academia Palmeirense de Letras.

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