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30/01/2023 às 10h20

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Genocídio na floresta

Ricardo Stuckert


PARA REFLETIR

“Tragédia que se abate sobre os povos Yanomamis é genocídio e crime premeditado” (Presidente Lula)


Governo Bolsonaro queria acabar com o povo indígena

Ao ver as cenas chocantes , mostradas fartamente até mesmo na imprensa internacional, com indígenas esqueléticos, prostrados e alguns quase à morte por fome, inanição e doenças que se espelharam por toda a reserva Yanomamis, em Rondônia, chega-se à conclusão que tragédia que atinge uma população de quase 30 mil brasileiros, foi provocada intencionalmente para dizimar os povos originários que ali habitam e são, na verdade os donos da terra.

Lula: crime premeditado

“Mais que uma crise humanitária, o que vi em Roraima foi um genocídio. Um crime premeditado contra os Yanomamis, cometido por um governo insensível ao sofrimento do povo brasileiro”, publicou o presidente Lula, nas redes sociais. Lula e comitiva com vários ministros estiveram em Roraima, para observar in loco a grave situação do povo indígena.

Lula reiterou que, em seu governo, “os indígenas serão tratados com dignidade”.

“Não haverá mais genocídios. A humanidade tem uma dívida histórica com os povos indígenas, que preservam o meio ambiente e ajudam a conter os efeitos das mudanças climáticas. Essa dívida será paga, em nome da sobrevivência do planeta”, completou o presidente.

Bolsonaristas criam fake

Sobre “índios venezuelanos”

Um dia após o governo federal decretaremergência em saúde pública de importância nacional no território Yanomami, sites bolsonaristas passaram a propagar a informação falsa de que a situação gravíssima não afeta brasileiros, e sim Yanomamis venezuelanos. A tese mentirosa é de que a fome e a miséria que vêm provocando a morte dos indígenas é culpa do governo comunista de Nicolás Maduro, e que os indígenas da Venezuela buscam atendimento de saúde no Brasil, país vizinho.

A noticia falsa foi logo rechaçada pela imprensa nacional, que logo veio a desmentir mais uma onda fake dos alienados bolsonaristas.

Esperando a morte chegar

A maior reserva indígena do Brasil, o Território Yanomami, vive uma crise sanitária e de segurança alimentar sem precedentes. O Ministério dos Povos Indígenas estima que ao menos 570 crianças tenham morrido de fome, desnutrição e contaminação pelo mercúrio em 2022.

A emergência humanitária é resultado direto dos cortes de recursos para a saúde indígena no governo de Jair Bolsonaro e da tomada das terras pelo garimpo nos últimos anos. O número de garimpeiros no Terra Indígena Yanomami passou de 20 mil em 2022, quase o tamanho da população de 28 mil povos originários na região.

"Nossos idosos, mulheres, crianças e jovens estão morrendo de contaminação de mercúrio."", denuncia Dario Kopenawa, vice-presidente da associação indígena Hutukara, uma das sete que representam as lideranças políticas locais.

"O governo Bolsonaro cortou recurso da saúde indígena e saúde do Brasil. Então isso enfraqueceu a desmobilizou bastante essa assistência da saúde pública

As culpas também da Justiça

Durante a pandemia de covid-19 e diante da inércia do governo federal, uma segunda ação civil pública foi ajuizada em 2020. Dessa vez, o MPF pediu que União, Funai, Ibama e ICMBio fossem condenados a apresentar plano emergencial de ações e respectivo cronograma para monitoramento territorial efetivo da Terra Indígena Yanomami. A ação também cobrou medidas para o combate a ilícitos ambientais e a expulsão de garimpeiros da região. No âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), a retirada de garimpeiros e a proteção territorial da Terra Indígena Yanomami é tratada na ADPF 709, ajuizada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil.

Acontece que diante da morosidade da Justiça brasileira as decisões são postergadas e o povo indígena segue morrendo.

Esta coluna é dedicada ao povo indígena Yanomami, vítima da insensibilidade humanitária do governo Jair Bolsonaro.

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Pedro Oliveira por Pedro Oliveira

Jornalista e escritor. Articulista político dos jornais " Extra" e " Tribuna do Sertão". Pós graduado em Ciências Políticas pela UnB. É presidente do Instituto Cidadão,  membro da União Brasileira de Escritores e da Academia Palmeirense de Letras.

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