PARA REFLETIR “Para estimar a inteligência de um governante, basta olhar para os homens que tem à sua volta”. (Maquiavel)
Sem culpa
O deputado Arthur Lira não pode ser responsabilizado pelos erros cometidos por Hugo Motta. Durante dois mandatos, Lira conduziu a Câmara com harmonia institucional, controle político e uma pauta positiva, mesmo em cenários de forte tensão nacional. Hugo Motta chegou à presidência pelo voto, com maioria legítima dos deputados. A escolha foi do plenário, não uma imposição pessoal. A partir daí, a condução da Casa passou a ser responsabilidade exclusiva de quem assumiu o comando. Se Motta se revela fraco, inábil ou covarde diante dos desafios do cargo, isso decorre unicamente de seu despreparo político. Na política, liderança não se herda, se exerce. E os erros de quem governa não podem ser terceirizados a quem já deixou o cargo.
Tragédia anunciada
É possível Michelle Bolsonaro ser eleita presidente? No Brasil enlouquecido de hoje, infelizmente, é. Não por virtudes políticas, preparo administrativo ou compromisso democrático, mas pelo esgotamento do debate público, pela radicalização do ódio e pela transformação da política em espetáculo messiânico. Michelle Bolsonaro surge como produto acabado de um projeto que substituiu ideias por slogans, estado por seitas e governo por culto à personalidade. Se acontecer, não será surpresa. Será tragédia anunciada — escrita dia após dia, na desinformação organizada, no ataque às instituições, no desprezo à ciência, à cultura e à vida.
Ronaldo Lopes
O prefeito Ronaldo Lopes, de Penedo, atingiu o topo em todas as avaliações de governo. A mais recente aponta 87% de aprovação, índice que não apenas impressiona, mas indica tendência de crescimento. O resultado é reflexo de uma gestão que entrega obras, mantém diálogo com a população e demonstra capacidade administrativa. Não por acaso, Ronaldo Lopes consolida um capital político robusto para as próximas eleições.
No tabuleiro eleitoral, o recado é claro: onde põe as mãos, vira ouro. Seu apoio passa a ser decisivo, fortalecendo candidaturas aliadas e influenciando diretamente os rumos do próximo pleito.
Fora Hugo Motta
"A Câmara virou um ajuntamento de pessoas que não têm a mínima noção de Brasil. A Casa, do jeito que está com Hugo Motta, não dá. Sinceramente". Palavras proféticas do senador Otto Alencar sobre a desastrosa gestão do ainda presidente da casa legislativa. Fato inusitado: pela primeira vez na história no Congresso surge um movimento interno para tirar o presidente.
Muito grave
É de se considerar e registrar com a gravidade que o tema exige o comportamento dos deputados que votaram pela diminuição das penas dos condenados que atentaram contra a democracia. Não se tratam de réus comuns, mas de criminosos que investiram contra a ordem constitucional, contra os Poderes da República e contra a própria ideia de Estado Democrático de Direito. Ao aliviar a punição desses autores de violência política, o Parlamento passa um recado perigoso: o de que atacar a democracia pode não ser tão grave assim.
Sem protagonismo
Em Alagoas, o protagonismo político feminino sempre foi sufocado pela lógica do mando patriarcal. A política local reflete, em suas estruturas, o machismo cotidiano: as mulheres são maioria da população e do eleitorado, mas minoria absoluta no poder. E o paradoxo é cruel: se as mulheres políticas alagoanas resolvessem se unir, poderiam eleger a primeira governadora da história e formar a maior bancada legislativa do estado. Bastaria querer. Bastaria coragem para romper as amarras da submissão e do “melhor não enfrentar”. Mas, em vez disso, predomina a prudência acovardada, o conformismo silencioso, a aceitação torpe da condição de coadjuvante
O sucessor
A indicação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como pré-candidato à Presidência da República em 2026 gerou reações divididas no campo bolsonarista e no PL (Partido Liberal). Segundo apuração a opinião da maioria é que “está muito cedo para cravar que Flávio será de fato o candidato". O clima é de ceticismo quanto a viabilidade da candidatura.
Louco pra contar
O empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, continua tentando fechar um acordo de delação premiada citando fatos sobre políticos escabrosos, entre eles o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) e cabeças coroadas na política. Beto Louco é um dos principais investigados na Operação Carbono Oculto, que apura a relação do PCC com um suposto esquema de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Por que a PGR não quer ouvi-lo?
O presidente do Senado, David Alcolumbre. Tão arrogante e tão podre.
O presidente da Câmara, Hugo Motta. Incompetente, covarde e burro.
Pedro Oliveira
por Pedro Oliveira
Jornalista e escritor. Articulista político dos jornais " Extra" e " Tribuna do Sertão". Pós graduado em Ciências Políticas pela UnB. É presidente do Instituto Cidadão, membro da União Brasileira de Escritores e da Academia Palmeirense de Letras.