Para refletir
Por um voto em branco, você está dizendo que você tem uma consciência política, mas você não concorda com qualquer um dos partidos existentes
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A força da renovação
O jovem político Davi Davino Filho é, entre os candidatos ao Senado, o nome que mais representa uma mudança verdadeira no cenário eleitoral majoritário de Alagoas. Além da juventude e da capacidade de diálogo, carrega uma trajetória pública irretocável, qualidade que falta a boa parte dos seus adversários.
Sua candidatura tem conseguido mobilizar, tanto na capital quanto no interior, uma expressiva parcela de jovens eleitores que se encontrava desencantada com a política e cansada dos mesmos personagens tradicionais. Davi surge como uma alternativa de renovação, capaz de devolver entusiasmo a quem já não acreditava que novos nomes pudessem ocupar espaço nas grandes disputas eleitorais do Estado.
A eleição da descrença
É provável que as próximas eleições registrem um dos maiores índices de abstenção da história. O eleitor está desmotivado, descrente das instituições, cansado dos mesmos discursos e sem encontrar, entre os candidatos apresentados, nomes que verdadeiramente representem seus anseios. Quando a política perde credibilidade e as opções não despertam esperança, o cidadão acaba escolhendo ficar em casa. A abstenção, nesse cenário, deixa de ser apenas ausência e passa a funcionar como um silencioso e preocupante voto de protesto.
Cumprindo a meta
O Governo de Alagoas já cumpriu quase 80% das promessas apresentadas durante a campanha eleitoral. O índice merece destaque, sobretudo porque cumprir compromissos assumidos com o eleitor ainda é fato raro no cenário político nacional. Mais do que números, o resultado revela planejamento, continuidade administrativa e respeito à palavra empenhada nas urnas. Em um país onde promessas costumam desaparecer depois da eleição, transformar propostas em ações concretas é uma conquista que precisa ser reconhecida.
Chama o papai
No lançamento de sua candidatura à Presidência da República, Ronaldo Caiado tratou de marcar distância do bolsonarismo familiar e deixou claro que a sua direita não é a de Flávio Bolsonaro. Com ironia e sem meias-palavras, expôs a principal fragilidade do adversário: a dependência absoluta do pai.
Flávio pode carregar o sobrenome, herdar o eleitorado e repetir o discurso, mas ainda não demonstrou possuir liderança, densidade política ou luz própria para enfrentar uma disputa presidencial. Sem Jair Bolsonaro ao lado, sobra pouco além do nome. Diante da provocação de Caiado, a resposta parece inevitável: chama o papai.
O silêncio do interior
Há uma enorme expectativa sobre o que virá das urnas no interior de Alagoas. Entre o silêncio do voto e as festas numerosas promovidas por cada candidato, quase sempre frequentadas pelo mesmo público cresce o sussurro de que muitas surpresas poderão aparecer.
Seria o cansaço com os mesmos nomes de sempre? O desejo de mudar, ainda que apenas para ver se melhora? Ou estaria chegando ao fim o poder dos antigos “chefetes eleitorais”, que durante décadas decidiram o voto de comunidades inteiras?
Ninguém sabe ao certo. No interior, o eleitor aprende cedo a ouvir, observar e esconder sua verdadeira escolha. Por isso, quando as urnas forem abertas, poderá acontecer de tudo. Inclusive nada.
Vai ser esquecido
Paulo Dantas é uma liderança do pequeno Sertão que só se tornou conhecido ao chegar ao Governo de Alagoas. Faz uma administração positiva, com realizações que merecem reconhecimento, mas corre o risco de ser rapidamente esquecido quando deixar o poder.
Cheguei a sugerir a dois importantes assessores do governador a criação de um marco que preservasse sua memória, especialmente em sua região de origem. Um memorial, por exemplo, como Penedo fez com Raimundo Marinho. Nenhum dos dois deu importância à ideia. Talvez ainda não tenham compreendido que o poder passa depressa e que a memória pública precisa ser construída enquanto há tempo. Quando o governo acabar, muitos dos que hoje cercam Paulo Dantas também desaparecerão. Largarão o poder e, certamente, largarão junto, aquele que lhes deu emprego, prestígio e visibilidade. Assim é a vida. No poder, todos são amigos. Depois dele, quase ninguém se lembra.
Epa!
Polícia Rodoviária Federal inicia operação “caça malas”. Nas rodovias a busca é dinheiro escondido para comprar votos.
Pedro Oliveira
por Pedro Oliveira
Jornalista e escritor. Articulista político dos jornais " Extra" e " Tribuna do Sertão". Pós graduado em Ciências Políticas pela UnB. É presidente do Instituto Cidadão, membro da União Brasileira de Escritores e da Academia Palmeirense de Letras.