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10/08/2026 às 11h20

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Habemos Senatum

A saída de Alfredo Gaspar da disputa pelo Senado, depois de ser anunciado candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro, mexe profundamente com o cenário político de Alagoas

Assessoria


Para refletir:

Os ultrapassados “coronéis” dos votos ainda se imaginam poderosos. Mas agora é o povo que manda.

Habemos Senatum

A saída de Alfredo Gaspar da disputa pelo Senado, depois de ser anunciado candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro, mexe profundamente com o cenário político de Alagoas. O deputado aparecia entre os nomes mais competitivos e, em alguns levantamentos, liderava a corrida por uma das duas cadeiras.

Sem Alfredo, desaparece o principal elemento de desequilíbrio da eleição. A disputa perde peso, contraponto e novidade. O caminho fica muito mais aberto para os dois maiores grupos políticos do Estado.

Arthur Lira e Renan Calheiros passam a ocupar uma posição amplamente favorável. Lira reúne estrutura partidária, bases municipais e influência nacional. Renan, mesmo enfrentando forte rejeição em determinados segmentos, conserva uma organização política consolidada no interior e experiência em sucessivas disputas majoritárias.

Ainda não se pode proclamar oficialmente o resultado. Politicamente, porém, já há quem anuncie: “Habemos Senatum”!

É preciso ter cuidado

A situação política no Agreste e no Sertão de Alagoas começa a despertar preocupação. A campanha ainda está entrando em sua fase decisiva, mas os ataques entre adversários já subiram de tom e ultrapassam, em alguns momentos, os limites do debate democrático. Há municípios onde disputas eleitorais continuam misturadas a antigas rivalidades familiares, interesses econômicos e grupos acostumados a exercer o poder pela intimidação. É o chamado coronelismo caboclo, que muitos imaginavam superado, mas que ainda demonstra força em determinadas regiões.

O cenário se torna mais delicado porque o governador Paulo Dantas está no centro da articulação política governista e participa diretamente dos confrontos com seus adversários. Sua influência no Agreste e no Sertão, regiões onde construiu parte importante de sua trajetória, transforma cada embate em uma disputa de grande repercussão estadual.

A troca recente de acusações e ataques entre os principais grupos políticos confirma que a campanha tende a ser dura. O próprio Tribunal Regional Eleitoral já intensificou sua atuação sobre conteúdos publicados nas redes sociais e adotou medidas para preservar provas digitais, demonstrando preocupação com os excessos desta eleição.

É necessário que o governador, os candidatos e seus aliados reduzam o tom. Lideranças públicas têm responsabilidade sobre as palavras que utilizam e sobre as reações que podem provocar entre seguidores mais exaltados.

Alagoas conhece muito bem as consequências da violência política. Não pode permitir que antigas práticas retornem disfarçadas de paixão eleitoral.

A disputa deve ser travada nas urnas, nas propostas e no debate público. Quando ameaças, intimidações e demonstrações de força entram em cena, quem perde não é apenas um candidato. Perde a democracia

No debate Renan leva vantagem

É possível que haja apenas um grande debate entre os candidatos ao Governo de Alagoas: o promovido pela televisão no encerramento da campanha. Mesmo que outras emissoras e entidades organizem encontros, permanece a dúvida sobre a participação de JHC.

O ex-prefeito construiu uma comunicação eficiente nas redes sociais, com vídeos rápidos, peças bem produzidas e ataques cuidadosamente editados. Um debate ao vivo, porém, é outro campo de disputa. Não há edição, repetição da fala nem proteção contra perguntas incômodas.

Renan Filho parece levar vantagem nesse formato. Foi governador durante dois mandatos, comandou o Ministério dos Transportes e conhece profundamente a estrutura administrativa e os problemas de Alagoas

Nas redes sociais, JHC é um adversário difícil. No confronto direto, o jogo poderá ser bem diferente.

Epa!

Um senador manter em casa uma “máquina de contar dinheiro” é sinal que o “faturamento” tem sido robusto. É a República apodrecida


Pedro Oliveira por Pedro Oliveira

Jornalista e escritor. Articulista político dos jornais " Extra" e " Tribuna do Sertão". Pós graduado em Ciências Políticas pela UnB. É presidente do Instituto Cidadão,  membro da União Brasileira de Escritores e da Academia Palmeirense de Letras.

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