Durante meses, a eleição presidencial pareceu condenada a repetir uma velha história: Lula de um lado, o bolsonarismo do outro.
A polarização continua dominante. Mas os últimos levantamentos introduziram um elemento novo: Augusto Cury.
O candidato do Avante aparece com 8% no Datafolha, 10% na Quaest, 11% no Real Time Big Data e no BTG/Nexus e 7,8% no AtlasIntel.
Os números ainda estão muito distantes daqueles registrados por Lula e Flávio Bolsonaro. Portanto, falar hoje em ameaça concreta aos dois favoritos seria precipitado.
Mas ignorar Cury começa a ser igualmente precipitado.
Mais significativo que alcançar dois dígitos em algumas pesquisas é perceber de onde parece vir parte desse crescimento.
No Datafolha, Cury chegou a 14% entre eleitores de 25 a 34 anos. Campanhas de Lula e Flávio já acompanham seu avanço e identificam nele capacidade de atrair eleitores insatisfeitos com a polarização.
Talvez esteja justamente aí o espaço para uma terceira via.
Não necessariamente numa candidatura capaz, neste momento, de chegar ao segundo turno, mas na existência de milhões de brasileiros que parecem procurar uma alternativa ao confronto permanente entre dois campos políticos.
Cury tem, entretanto, um desafio muito maior que crescer nas pesquisas.
Precisará demonstrar que consegue transformar novidade em candidatura, simpatia em estrutura e discurso de pacificação em propostas concretas para economia, segurança, saúde e os demais problemas do país.
Também precisará sobreviver ao escrutínio que inevitavelmente acompanha quem deixa de ser figurante para se tornar competitivo.
A eleição ainda continua sendo de Lula e Flávio, mas já não parece ser exclusivamente deles.
Existe espaço para uma terceira via? Existe. A pergunta que começa a mudar é outra: Augusto Cury conseguirá ocupá-lo?
Ponto Final
por Redação
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