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A Preguiça se Derrama

16.08.2020 às 17:50

Sempre que reflito sobre a preguiça, percebo que tenho uma enorme simpatia por ela. Costumo me cobrir com o seu manto sem sentir nenhuma culpa. Dos pecados capitais são, a preguiça e a gula, os meus prediletos. Tenho uma visão romantizada deles. A preguiça é aconchegante, leve, tem algo de  doce e melancólico. 

A preguiça não só se derrama, ela se esparrama, toma conta de cada músculo e da capacidade de pensar, permite que sejamos levados pelo momento sem ter nenhum controle. A preguiça como ócio é deliciosa.


No entanto, a preguiça tem outras faces, nem sempre delicadas. Os dicionários definem a preguiça como a falta de coragem de trabalhar, de fazer alguma tarefa, de realizar esforço físico e mental. O social costuma repudiar e ser desrespeitoso com ela, afinal é imperativo produzir para se sustentar. 

A psicologia não observa a preguiça como uma patologia, mas como um dos sinais de que algo não vai bem com o outro. Existem inúmeras pessoas portadoras de doenças que são vistas pelas outras como preguiçosas. A depressão, o hipotireoidismo, a narcolepsia, a síndrome da fadiga crônica, fibromialgia são exemplos de doenças que provocam letargia, cansaço, sonolência, passividade e, muitas vezes, mesmo diagnosticadas, o mundo exige que se saia do processo como em um passe de mágica e seu portador é visto como preguiçoso. É necessário que produza, que seja eficiente e autônomo. A face cruel da doença não permite um estado de normalidade e bem estar e mesmo assim isso o é exigido.


Óbvio que  existem os preguiçosos naturais, aqueles que precisam ser sustentados e não querem crescer e assumir responsabilidade pela sua existência. A literatura é farta em personagens e temos como bom exemplo Macunaíma. Mas, surpreendentemente, mesmo que o social os reprove, são condescendentes com eles. Mas condescendência não é sinal de aceitação e o preguiçoso vive a margem do mundo, pois na maioria das vezes, somos vistos pelo que fazemos e produzimos.


Minha intenção, hoje, foi de que seja observada a preguiça patológica, aquela produzida por doenças, em que o indivíduo não pode e não consegue ser útil e produtivo. É importante que se use de aceitação para com eles e se muna de ajuda para a busca da cura ou bem estar. A procura médica e psicológica é fundamental para o bom resultado do processo. E, não diga jamais, para alguém portador de doenças que tem a fadiga como um dos sintomas, que ela vá trabalhar, vá passear, que confie em alguma divindade. Acredito na força da fé e estou ao lado de quem acha que esta é de uma importância inquestionável, mas a cura está na ciência. A psicologia e a medicina são os principais caminhos.

Postado por Psicóloga Meg Oliveira

A avareza acumula

02.08.2020 às 18:00


A avareza acumula, guarda, sonega, não distribui. Dos pecados capitais é o mais egoísta. A avareza é preenhe de egoísmo. O avaro não é capaz de doar, de entregar, de ceder. Quando falamos em avareza não expomos apenas o clássico guardar riquezas, somar bens e do medo de perder algo que possui. Avareza é também deixar de doar o  amor e os bens interiores que possui, é negar, esconder, guardar e construir uma ilusão de poder e controle.

O avaro é só, é impossível não ser solitário quando não se agrega com medo de que algo lhe possa ser tirado, quando não confia em ninguém e crê que todos têm a intenção de lhe enganar. A consequência disso é se isolar do verdadeiro afeto, da confiança e da entrega.

Assim como não gasta com coisas, não distribui amor e não é generoso. Retém tudo que possui e exercita uma fantasia de controle para tomar posse da sua vida e dos seus bens. O medo de perder o faz viver numa prisão interior, onde a tragédia e a catástrofe futura é uma persistente fantasia.

A insatisfação é uma sensação constante no avarento, ao querer sempre mais nunca terá um momento de plenitude e bem estar. Nega prazer a si e ao próximo e leva uma vida cheia de ausências interiores, pensando, com isto,  estar preenchido. Ninguém se sente pleno quando acredita que não possui o suficiente para sua segurança.

O acumular dinheiro e bens é apenas a parte visível da avareza, é apenas o seu manifesto. O que se esconde é um ser humano egoísta, com medo, solitário emocionalmente, carente de afeto e de capacidade de realizar trocas afetivas. O avaro é um adulto com uma criança interior que acredita que receber presentes era o único afeto que merecia e que precisava guardar o que achava que era amor.  É uma criança solitária, que não conhece o amor e que, precisa de ajuda para sair dessa sua prisão de muitos bens materiais e de pobreza afetiva. O avaro necessita aprender a doar para receber o que importa e desenvolver em si a capacidade de amar e aceitar a verdadeira riqueza da vida.

Postado por Psicóloga Meg Oliveira

O ódio espuma

12.07.2020 às 16:00


O ódio espuma, como o disse, precisamente, Zuenir Ventura. A ira espuma. A cólera também. O ódio salta pelos poros, pela boca, pelos olhos, pelo corpo inteiro. Talvez seja, das emoções humanas e dos pecados capitais, o mais transparente. Ninguém esconde o ódio. Ele pode ficar quieto, recolhido, mas em um momento, sem aviso, ele toma todo o ser e explode, causando sérios problemas.

O ódio é alimentado por pensamentos, obsessões e é o maior responsável pelos conflitos humanos. O ódio espuma e se transforma em gigantescas ondas de ações nefastas que prejudica ao outro e ao ser que odeia. O ódio impede de ouvir, de ponderar, de deixar ir. O ódio agarra-se ao ser com uma força indomável e não existe contenções para o que sai com uma força avassaladora.

O ódio corrói, mata aos aos poucos, impede de viver e renega a paz. Não existe antídoto contra o ódio. Certamente o ódio espuma. Faz matar um filho, a amante que trai, o desafeto que ameaçou, o irmão que enganou...o ódio espuma e cospe em cima de ideologias, da moral e da ética. O ódio não tem censura nem ponderação e retira de si toda sensatez, bondade e compreensão humana.

O ódio espuma e planeja, é a sua fase de aparente calmaria. Ele passa anos alimentando vingança, detalhando e apreciando os momentos futuros de bem estar quando enfim a realizar. Ledo engano. A vingança não acalma, não dá o bálsamo necessário para o ódio se curar. Nada é o bastante, nada vai pagar a ofensa ou a traição, ela vai continuar existindo e jamais morrerá porque foi fato concreta. Quem morre, quem se destrói é aquele que o sente. É ele quem adoece, que não tem paz, que penetrou irremediavelmente na mais doentia emoção humana.

O ódio precisa de ajuda, precisa de terapia, precisa de reflexões, precisa de significados e restauração do equilíbrio. Emoções extremas precisam ser ressignificadas para não destruírem a plenitude da vida. Precisam ser domadas e suavizadas com a conscientização de que nada, nada mesmo, pode roubar o privilégio da paz.

Postado por Psicóloga Meg Oliveira

A Inveja: o desejo de ter o que o outro possui

05.07.2020 às 18:56


A inveja é um sentimento doloroso. Dói muito em quem a sente. Imagine você olhar para o outro e descobrir que ele tem todos os atributos que você deseja e não pode ter. Que o outro possui qualidades que você gostaria de ter,  mas não tem a energia necessária para alcançar. 

A inveja é inconsciente, ela não brota da nossa vontade consciente, ninguém pensa: vou invejar alguém. Simplesmente o que nos falta, desejamos e não o possuímos emerge do nosso inconsciente e nos diz, muitas vezes, você é incapaz, o outro consegue e você não. O outro pode e você não. O outro é melhor que você. 

Só se inveja o que se admira. Só se inveja o que falta. Todos nós sentimos inveja, é natural, normal, mas, como tudo, tem um limite. Se ultrapassa as raias da admiração, do real desejo de subir degraus em qualidades pessoais, ela é nefasta. Quando desejamos prejudicar a quem invejamos, quando desejamos que o outro, invejado, fracasse, quando a inveja tira nosso sono e nossa paz, quando se transforma em raiva, devemos parar e procurar ajuda, pois é patológico, não é saudável. 

Tornar essa inveja consciente e reconhecer que o que se sente é inveja, é necessário. Só dessa maneira pode-se transformá-la em possíveis passos para o crescimento pessoal e para a maturidade. Começar a perceber que o que o outro tem em excesso e aquilo que nos falta é  apenas uma característica que o outro possui, nos faz enxergar que somos únicos e possuímos valores grandiosos camuflados e que muitas vezes não damos conta. 

O caminho de olhar para si e reconhecer valores é muito mais doce e suave do que olhar para o outro e pensar que tudo nos falta. Olhe para você e reconheça o seu potencial, com o tempo a dor de invejar se transforma em orgulho de ser o que se pode ser. 

Zuenir Ventura traduz com maestria o sentimento de inveja nesta frase que ilustra o texto. Reflita.

Postado por Psicóloga Meg Oliveira

Desejos que libertam

28.06.2020 às 18:36


Desejo, para todas as pessoas LGBTQI+, que um dia a liberdade seja plena e sentida, que não precisem mais explicar ou buscar aceitação por sua sexualidade, que não precisem se esconder por medo do julgamento preconceituoso, pois, para eles, isto não vai mais existir.

 Desejo não ouvir mais comentários sobre a sexualidade de quem quer que seja, que possam exercer com plenitude seus desejos legítimos e naturais e que o amor possa ser cantado e explícito. Desejo que as mãos se entrelacem com naturalidade e os olhares que recaíam sobre si sejam de admiração. Que não seja mais necessário desafiar a sociedade vigente, porque a aceitação será lugar comum.

 Desejo verdade e reconhecimento nas suas qualidades como seres humanos, que a sua sexualidade não seja apontada como condição, que possam exercer o direito de ser e existir sem mais precisar se expor para acordar a humanidade. Que o mundo não se choque com um beijo e um abraço de amor. Que as minorias não recebam mais essa alcunha, que não precisem mais se reunir para pedir respeito por ser quem se é.

 Desejo naturalidade nas relações, que não mais seja murmurado a boca pequena a sua condição sexual e suas relações afetivas, que não  precisem mais explicar que sexualidade não se escolhe como um produto a venda.

Desejo que não mais precisem de palavras de ordem, de passeatas, de movimentos de apoio, pois tudo isto serve a quem precisa de reconhecimento. Neste momento isto não será nem cogitado, pois o respeito ao ser humano será vívido e sentido.

Desejo, um dia, não precisar mais fazer um texto falando sobre aceitação e respeito, pois, se o faço, é porque eles são precários e muitas vezes inexistentes. Desejo, mais que tudo, a realidade do trecho do poema Estatutos do Homem, de Thiago de Mello que ilustra este artigo, que a liberdade de ser o que se é, seja retirada dos dicionários, pois será palpável e real como luminosas manhãs de domingo.

Postado por Psicóloga Meg Oliveira

Rituais do luto

21.06.2020 às 17:06

Tenho me concentrado na morte em vez da vida. Ela pauta meus dias, distribui uma tristeza por todo o meu peito e me deixa com o pensamento distante e inerte. Devia ter raiva, me indignar profundamente, mas não, eu deixo o sentimento me acompanhar por todo o dia como uma música insistente e interminável. A morte está tão presente que temo que se banalize.

A morte é natural, mas tem deixado de ser. As notícias são tão constantes e diárias que chego a temer uma naturalização patológica. Leio, nas redes sociais, doloridas despedidas de pessoas que não puderam velar o ente querido com  dignidade, que não puderam beijar o outro pela última vez e que não puderam estar presentes na despedida final. Pessoas que não podem ter seus amigos e parentes ao lado para serem consoladas, pessoas que não podem cumprir os rituais do luto que ajudam a diminuir a dor.

Tenho pensado na morte de quem fica, na dor pungente e angustiante que não encontra espaço para findar. Fico me perguntando como ajudar na dor do luto sem os rituais rotineiros e históricos. Somos seres de hábitos, é difícil criar novos e conseguir os mesmos resultados do anterior, mas estes são necessários e imprescindíveis neste momento. As pessoas precisam criar novos rituais, senão não vão superar esse luto e ele vai doer todos os dias como na primeira vez que ele chegou.

Escrever uma longa e verdadeira carta de despedida ajudará a alguns. Outros poderão se beneficiar visualizando o outro ao seu lado e dizendo tudo que precisa dizer para aliviar a tristeza. Colocar a foto e objetos pessoais do ser amado na sua frente e cantar sua música preferida. Fazer um ritual de despedida com balões e mensagens. Quem for católico, unir a família em uma missa on line, podendo este momento ser compartilhado pelo grupo de amigos. Professar a sua fé, seja qual for. A atenção e cuidado dos amigos e parentes é absolutamente necessário, pequenos afetos distribuídos em forma de mensagens escritas, comidas que confortam e ligações que acalmam.

Tudo isto é pessoal, cada um deve encontrar o melhor jeito de se cuidar e se despedir, mas não deixe de fazer se a dor se abater sobre você, faça do seu jeito, mas faça, pela sua vida e por respeito ao que partiu. Os rituais de despedida são muito importantes para superar a morte. Precisamos nos encher de vida após uma morte, só assim a esperança poderá voltar a crescer.

Postado por Psicóloga Meg Oliveira

O respeito nas relações

14.06.2020 às 16:45


Estou imersa em pensamentos sobre relacionamentos. Sobre os relacionamentos na pandemia. As pessoas estão em casa e convivendo todo o tempo com os familiares, inevitável que as diferenças surjam, que eclodam antigas mágoas, que raivas mal resolvidas venham a baila em algum momento.

Parei para pensar que convivemos pouco com a família com quem vivemos. Saídas para compromissos, trabalho, encontros com amigos tomam a maior parte do nosso dia e acabamos por nos encontrar nas refeições, quando é possível, e a noite quando o cansaço nos impede de reagir às situações conflitantes. Mas agora o tempo é vasto, estamos cara a cara com todos aqueles a quem amamos e com quem temos significativas diferenças. Tudo grita, tudo torna-se visível e sofrido. Acredito que não está fácil, para nós e para o outro com quem convivemos. Todos temos nossos monstros internos e muitos mal resolvidos. Todos temos nossas dificuldades de relacionamento que se disfarçam no dia a dia cheio de tarefas. O que fazer nesse momento? Se calar? Evitar o outro? Como, se está tudo tudo tão claro, tão palpável? Como, se estamos juntos e não existe opção? O diálogo é o caminho. O único caminho. Sempre.

A organização dos sentimentos requer uma análise verdadeira de si e do outro. Deixar aflorar o respeito que tanto discursamos nas redes sociais e começar a colocá-lo em prática. Não esquecer a importância do outro em sua vida e a exercitar a paciência com as suas dificuldades. Falar como se sente sem discutir, relatar e ouvir o outro, ouvir com atenção e tentar acatar as suas diferenças. E se o momento for absolutamente difícil, se afastar um pouco, buscar um lugar onde se possa pensar sozinho e acalmar.

Não permita que suas melhores relações sejam destruídas neste momento, um dia a vida volta ao normal e será com essas pessoas que você vai continuar vivendo. Aprenda, neste momento, a cuidar das suas relações com zelo e amor e leve para o resto da sua existência. A pandemia tem muito a nos ensinar e temos necessidade de aprender. Escute as suas lições.

Postado por Psicóloga Meg Oliveira

O luto e sua vivência

07.06.2020 às 18:07


O luto tem sido uma constante na vida de todos nós. Nestes tempos de pandemia estamos a ver morte acontecer sem podermos nos despedir, sem podermos prantear os mortos de forma digna e presente. São tempo muito mais difíceis do que pensaríamos viver.

 O luto requer que seja vivido e que se entre em contato com a dor. O luto não permite defletir, pois ele cobra mais tarde a sua não vivência. Temos que chorar, lamentar, praguejar, sofrer e entrar em contato com todos os sentimento doloridos que surgem. Dói, dói muito viver o luto, mas não conheço outra forma de se erguer sem vivenciá-lo. Não existe tempo, nem marco para que ele finde. Só o ser enlutado sabe quando pode sair da fase mais triste do luto e retomar a vida. Não adiantam frases incentivadoras, não adianta dizer que o ser amado está em um lugar melhor ou que foi escolha da divindade.

 Quem está de luto não quer frases prontas, quer viver sua dor e, no máximo, uma presença silenciosa que o acolha e diga, sem palavras, que está ali. A experiência do luto é absolutamente pessoal e tem a intensidade que cada um se permite. A única coisa que se pode fazer em um processo de luto é vivê-lo. É relembrar, é desejar a volta do outro, é sofre até ter dó de si. A não vivência de um luto, mais tarde, volta em forma de doenças psicossomáticas, chega através de transtornos mentais, vem junto com uma depressão inesperada e sem motivo aparente. 

Retorna sem nem você se dar conta das razões que o levaram a adoecer, volta sem você saber o porque dos medos, da tristeza, da sensação de vazio. Volta sem lhe perguntar se você aguenta a dor. Mas vem, inevitavelmente. E você se vê com a guarda do que não deveria ser mais seu. Um luto bem vivido se transforma em lembranças, saudades, gargalhadas na memória dos momentos bons, no apego às pequenas coisas deixadas pelo outro, nas fotos em um belo porta retrato e na certeza de que o ser que se foi lhe deixou o melhor dele e que você irá carregar por toda a sua vida. Um luto bem vivido requer coragem, requer respeito por si e pela memória do outro, requer um mergulho profundo na dor e acatá-la. Não leve a dor que deve ser vivida no agora para um amanhã. Permita-se. Dói, dói muito, mas é libertador.

Postado por Psicóloga Meg Oliveira

Terapia: um encontro com o sagrado

31.05.2020 às 18:56


Costumo dizer aos meus pacientes, quando eles chegam ao meu consultório a primeira vez, que eles me trazem um quebra cabeça de cinco mil peças e sem um modelo que possa ser seguido. A gente vai começar as cegas e que nem sempre o que vemos, ao começar a montar o quebra cabeça, é o que realmente existe por trás de tudo que foi explanado. 

As nuances de uma vida que chega a um terapeuta são inúmeras, as suas razões de sentir o que sente são maiores, muito maiores, do que o que é dito. Por isso também digo ao meu paciente: preciso de tempo e você também, preciso conhecê-lo e você precisa de tempo para confiar em mim, tudo que chegar entre nós, agora, é apenas uma sombra da sua verdadeira história.

 E o caminho vai sendo percorrido como a vida é percorrida, muitas vezes flui com suavidade, outras vezes entra-se em um turbilhão de emoções, às vezes parece que nunca vai sair daquele instante infinito e outras vezes dói, dói muito, mas também se encontra um caminho em que se descobre o jeito certo de ser feliz. 

Terapia é para fortes e para quem deseja reconhecer a sua força, para quem consegue olhar sua história com coragem e se dispor a mudá-la, é para quem deseja parar de responsabilizar os outros e assumir as rédeas da sua vida com energia para novos caminhos. Fazer terapia é para quem deseja não apenas resolver problemas imediatos, é para quem quer ressignificar sua vida. É para quem deseja encontrar-se com sua essência e deixar de lado exigências internas que só fazem desvirtuar o ser da sua integridade. 

No processo terapêutico entra-se em contato com um ser humano original e verdadeiro, aquele que nunca deveria ter desaparecido de dentro de si. E o ser que ressurge é honesto, desarmado, sem medo de se olhar e olhar o outro, com coragem para abrigar o sagrado que é a sua verdadeira identidade.

O autor da frase que ilustra este texto, Jorge Porciano, foi meu mestre na especialização em Gestalt Terapia. Mestre para mim e para tantos admiradores do seu conhecimento em psicologia e hoje, como inúmeras vezes, me inspirou a escrever.

Postado por Psicóloga Meg Oliveira

O aqui e agora: a única opção para viver inteiramente

A busca do equilíbrio não pode ser apenas momentânea, é diária e requer uma observação perene para nos situar no aqui e agora.

24.05.2020 às 17:37

A Gestalt-Terapia, abordagem terapêutica que abracei, tem como pressuposto o aqui e agora, significando que as emoções, as memórias, as dores, as alegrias devem ser sempre vivenciadas no aqui e agora, não no passado vivido. Utilizamos, na prática terapêutica, uma constante atualização de tudo que foi experienciado. No agora vivemos e no aqui estamos e esta percepção nos dá as ferramentas necessárias para nos utilizarmos do nosso presente verdadeiramente. 

Indiscutível que não é uma prática simples e fácil, ela requer um exercício constante de atualização, de percepção de onde estamos, o que somos e o que fazemos. A busca do equilíbrio não pode ser apenas momentânea, é diária e requer uma observação perene para nos situar no aqui e agora.

Os nossos momentos não precisam ser vividos com as lembranças do ontem e os sonhos do amanhã, mas isto não significa que devemos esquecer as lições aprendidas no passado e nos abstermos de termos sonhos para um futuro, mas se ficarmos presos no ontem e no amanhã, jamais viveremos o nosso agora, não viveremos a emoção do hoje e dos presentes que ele nos oferece.

O presente é único, é tudo aquilo que temos verdadeiramente, só no presente existimos e é, no presente, onde todos os nossos sentidos estão alertas para vivermos as nossas emoções. Uma vida sem estar atualizada no aqui e agora, não é vivida, é recordada e projetada e mais, é uma vida sem cores e sensações. 

Suas experiências só podem ser relatadas se forem sentidas no momento em que as viveu, sua memória só pode ser resgatada se você esteve por inteiro no momento que aconteceu, nada, nada mesmo pode ser revivido se não foi inteiramente vivido. Só estando presente, vivendo o aqui e agora você terá emoções para recordar. 

Estar no aqui e agora é estar onde a consciência e a percepção se aliam no momento presente para facilitar e propiciar o nosso crescimento pessoal. Não podemos viver verdadeiramente se não estivermos presentes no nosso agora, experienciando tudo aquilo que a vida nos oferece no momento. 

Experimente presentificar as suas emoções, perceba como e onde pisa, sinta o que está sentindo, não escamotei, viva o agora com intensidade, não observe, viva, aproveite da sua vida o que ela lhe oferece, não se concentre no que lhe falta e sim no que você é e tem, assim, desse jeito, sua vida não vai ser desperdiçada e sim sentida em toda a sua plenitude.

Postado por Psicóloga Meg Oliveira


Psicóloga Meg Oliveira por Meg Oliveira

Psicóloga Clínica, pós-graduada em Gestalt Terapia. Formação em Vegetoterapia, Psicoterapia Breve e Massoterapia. Atuando há 28 anos como Psicóloga Clínica. Procuradora aposentada do Poder Judiciário.

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