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O aqui e agora: a única opção para viver inteiramente

A busca do equilíbrio não pode ser apenas momentânea, é diária e requer uma observação perene para nos situar no aqui e agora.

24.05.2020 às 17:37

A Gestalt-Terapia, abordagem terapêutica que abracei, tem como pressuposto o aqui e agora, significando que as emoções, as memórias, as dores, as alegrias devem ser sempre vivenciadas no aqui e agora, não no passado vivido. Utilizamos, na prática terapêutica, uma constante atualização de tudo que foi experienciado. No agora vivemos e no aqui estamos e esta percepção nos dá as ferramentas necessárias para nos utilizarmos do nosso presente verdadeiramente. 

Indiscutível que não é uma prática simples e fácil, ela requer um exercício constante de atualização, de percepção de onde estamos, o que somos e o que fazemos. A busca do equilíbrio não pode ser apenas momentânea, é diária e requer uma observação perene para nos situar no aqui e agora.

Os nossos momentos não precisam ser vividos com as lembranças do ontem e os sonhos do amanhã, mas isto não significa que devemos esquecer as lições aprendidas no passado e nos abstermos de termos sonhos para um futuro, mas se ficarmos presos no ontem e no amanhã, jamais viveremos o nosso agora, não viveremos a emoção do hoje e dos presentes que ele nos oferece.

O presente é único, é tudo aquilo que temos verdadeiramente, só no presente existimos e é, no presente, onde todos os nossos sentidos estão alertas para vivermos as nossas emoções. Uma vida sem estar atualizada no aqui e agora, não é vivida, é recordada e projetada e mais, é uma vida sem cores e sensações. 

Suas experiências só podem ser relatadas se forem sentidas no momento em que as viveu, sua memória só pode ser resgatada se você esteve por inteiro no momento que aconteceu, nada, nada mesmo pode ser revivido se não foi inteiramente vivido. Só estando presente, vivendo o aqui e agora você terá emoções para recordar. 

Estar no aqui e agora é estar onde a consciência e a percepção se aliam no momento presente para facilitar e propiciar o nosso crescimento pessoal. Não podemos viver verdadeiramente se não estivermos presentes no nosso agora, experienciando tudo aquilo que a vida nos oferece no momento. 

Experimente presentificar as suas emoções, perceba como e onde pisa, sinta o que está sentindo, não escamotei, viva o agora com intensidade, não observe, viva, aproveite da sua vida o que ela lhe oferece, não se concentre no que lhe falta e sim no que você é e tem, assim, desse jeito, sua vida não vai ser desperdiçada e sim sentida em toda a sua plenitude.

Postado por Psicóloga Meg Oliveira

As dores nossas de cada dia

17.05.2020 às 14:52


Estava hoje pensando nos desdobramentos sofridos que esse vírus vem causando...dentro de casa se multiplicam os estados ansiosos, fora de casa o absoluto abandono. Dores invisíveis afloram aos nossos olhos e dão, em mim e acredito que na maioria das pessoas, uma tristeza tão grande, que chega a machucar. Os animais de rua estão sem comida, sem água com os bares e restaurantes fechados, onde eles pegavam seu alimento. Protetores de animais sem poder sair e cuidar deles, os protetores eram seu único alento. Pessoas em situação de rua sem poder ter, neste momento, um auxílio efetivo para não morrerem de fome. Pessoas que não podem ganhar seu sustento porque não podem sair de casa. O vírus é letal e o sistema de saúde precário. Os riscos são tantos que assustam as pessoas que desejam preservar a vida, mas precisam do básico para sua sobrevivência.

 O mundo fora das nossas casas está dolorido, um machucado sensível sem um curativo eficaz. Tudo está tão triste que acabo por ver as dores emocionais como naturais nesse instante, todas elas. Não existe, no agora, transtornos e emoções que não sejam profundamente normais e esperadas. Todos os medos, angústias, sentimentos, sensações são muito naturais, mas isto não quer dizer que não se precise pedir ajuda quando começar a incomodar. 

Quando o Transtorno Obsessivo Compulsivo fizer você limpar o que já está limpo e os pensamentos intrusivos não deem paz; quando o medo que surge no Transtorno de Pânico lhe paralisar; quando a ansiedade do Transtorno Ansioso não lhe permitir dormir, nem conciliar os pensamentos; quanto a tristeza profunda típica da Depressão não permita que você levante a cada dia ou pare de chorar. É normal que um Transtorno de Ansiedade recrudesça, no momento que estamos vivendo, para quem já tem o diagnóstico e  é natural que eles surjam em quem nunca teve.

 Quando isto acontecer procure ajuda, ninguém precisa passar por um acúmulo de dificuldades em um período difícil. Psiquiatras e psicólogos continuam atendendo on line e estão orientando e dando suporte a novos e antigos pacientes. Não fique só, não sofra os processos ansiosos calados, expressem, falem, tudo tem uma solução viável e plausível. Nem sempre temos que arrancar nossa força a fórceps, podemos ter uma caminhada suave quando pedimos socorro a quem tem instrumentos para resolver.

 No mais, aceite as dores que o vírus nos trouxe, são inevitáveis, somos seres com sentimentos, nos compadecemos do mal que existe no mundo e, a grande solução para acalmar o coração, é fazer a sua parte. É lugar comum, eu sei, mas quando fazemos o que podemos para ajudar, nossa alma entra em estado de repouso. Isso não tem preço.

Postado por Psicóloga Meg Oliveira

Falando de culpa e perfeição

03.05.2020 às 16:32


Culpa, substantivo feminino. Perfeição também o é. Entre estes dois tiranos situa-se a mulher. É a punição social sofrida por querer assumir seu espaço, corroendo-se entre o direito de ser e o dever de fazer. Entre a culpa e a perfeição existe uma linha tênue que transforma-se em um círculo vicioso e perigoso.

 A mulher vai à luta trabalhar por sua realização profissional, os filhos, se os tem, ficam em casa com babá ou em creches e isto gera um processo interminável de angústia. E culpa. Ao voltar, descobre que tem infinitos botões a pregar, um jantar para ser feito, filho solicitando ajuda para o dever escolar ou, simplesmente, querendo um pouco de atenção e enquanto o espelho reflete a imagem de uma mulher sem cor, lá longe vem surgindo uma crescente sensação de que nada dá certo. Que a vontade mesmo é esconder a cabeça embaixo dos lençóis e sumir deste mundo tumultuado. É a culpa. A culpa que arrasa, que destrói, unida ao desejo de dar conta de todos os seus mundos com uma encantadora habilidade. De ser perfeita. É o mito da super mulher que não perdoa falhas tão humanas, que escraviza, que impede de assumir suas limitações, de ser normal enfim, de não confundir os valores das funções exercidas, de equilibrar suas emoções e racionalidade, de poder ser mulher simplesmente e permitir-se o sagrado direito de viver sem ansiedades maternas, domésticas e funcionais.

A perfeição não é dever feminino. Nem masculino. O universo familiar não pode nem deve ser ordenado unicamente pela mulher. É uma obrigação de todos.

 A colaboração, a participação e a ajuda dos componentes de uma família é fator primordial para que a mulher rompa com as amarras que por tanto tempo a acorrentam. Permitir-se ser saudavelmente imperfeita, incompetente tantas vezes e abrir um novo caminho, onde os valores distorcidos pela repressiva educação recebida e por uma sociedade ainda machista transformem-se em aceitação dos fracassos, é o meio mais lógico para conseguir uma vida sem culpa e sem perfeição.

Postado por Psicóloga Meg Oliveira

A aparência nem sempre é real

26.04.2020 às 21:33
Narciso na Fonte, Caravaggio


Vivemos em um mundo narcisista, onde o que aparento, o que mostro, o que represento está se transformando no eu sou. O parecer ser é a palavra de ordem e assim se consegue seguidores, adeptos, fãs, pessoas que seguem o que é aparente sem saber e sem nem tentar descobrir, o que é real. São selfies em lugares bonitos, com roupas da moda, em jantares encantadores com o fim de despertar admiração.

Quem é mesmo cada uma dessas pessoas que circulam nas redes sociais? Quais seus reais desejos, vontades, verdades internas? Quem são essas pessoas que sempre têm razão, cujas opiniões são únicas e imutáveis e que só ouvem o seu umbigo imaginário? Quem são aqueles que agridem numa postagem que tem opinião diferente da sua, que ofendem um amigo, que saem distribuindo certezas quando essas não existem? Quem são esses seres que mostram um vida perfeita, sem dúvidas, sem dores, sem remorsos? Quem são esses que sempre parecem ter noites de sono tranquilas e dias ensolarados? Quem são os que parecem não serem feitos da matéria prima humana? 

A prevalência do ter encolhe o ser. Encolhe o ser que chora, que tem dúvidas, que acorda com a face amassada e tem dificuldade de levantar. Diminui o ser que ama e muitas vezes desama, que tem raiva, que age insensatamente, que é muitas vezes incapaz e não sabe como agir. Mata o ser que tem medo, que precisa ser acarinhado e a quem falta dinheiro para completar o sonho. Faz desaparecer o ser que precisa de estímulo, de fé e de acordo internos.

Perfeição não é compatível com o ser humano. Não é compatível com a natureza do ser e estar no mundo, mas me parece que é o atual Santo Graal da humanidade. Ninguém consegue ser feliz não sendo o que se é, faz falta ao ser humano a verdade de ser e a aceitação da sua realidade. Neste momento compulsório de isolamento, volte para si, volte para a sua essência, descubram o que faz feliz a sua alma e provoque, agora, a verdadeira mudança que você deseja que aconteça depois da pandemia.

O mundo só muda se nós mudarmos, só muda com uma existência verdadeira e simples, sem artifícios. Somos nós os responsáveis pela mudança, cada passo dado é uma confirmação de que viver é mais simples do que parece e o ser feliz só depende de nós.   Não duvide da sua força e capacidade de mudança. É ela que lhe distingue dos inúmeros narcisos que rondam por aí.


Meg Oliveira, Psicóloga Clínica, Gestalt Terapeuta

Postado por Psicóloga Meg Oliveira

Reflexões na Quarentena

19.04.2020 às 12:52


Confesso só pensar em cozinhar. E cozinho, todos os dias o dia todo. É como se a mágica dos alimentos que se conjugam, me deixasse mais tranquila e diminuísse o medo, a incerteza, a dúvida. A cozinha me envolve e, na medida que vejo os resultados, eu me sinto realizada em um mundo paralelo no qual nunca pensei viver.Cozinho para continuar com os pés no chão, para alimentar com amor a minha família, para ver algo sendo criado em um mundo que um vírus me impôs viver.

 Não há dúvida de que precisamos de muletas nesse momento. Precisamos de bordados, casa arrumada, muitos livros, filmes em abundância, gavetas a serem remexidas, telas a serem pintadas e longas conversas consigo para manter a sanidade. Temos que ter diálogos com os nossos sentimentos e sermos rígidos com eles, para que eles permaneçam em um lugar adequado. Temos que barganhar também, sentimento é difícil de ser domado, na maioria das vezes temos que fazer longos acordos. Temos que nos olhar no espelho e procurarmos nos reconhecer, para sabermos que estamos ali, que somos o que somos em qualquer momento da nossa vida. Temos de não sermos críticos conosco, temos que nos perdoar, perdoar esse medo, essa ambivalência e a impotência. Temos que usar os meios que dispomos para ficarmos bem, neste momento não temos o direito de afundar, agora temos que sobreviver. Agora temos que colocar um olhar lá fora, através das janelas e trazer a paz para dentro de si. Na verdade, agora temos que fazer todas as coisas que nos lance a momentos de bem estar, mesmo que seja difícil.

 Agora é o momento de olhar para os seus companheiros de jornada, que aí estão com você, com um olhar de benevolência e carinho, pois, pode ter certeza, cada um está enfrentando os seus próprios demônios. Mas este também é o momento perfeito para retomar contato com os que estão distantes de você, ter contato com o outro é fundamental. Nos asseguramos como seres humanos através do outro, o outro confirma a nossa existência. Seja solidário, faz bem ao nosso equilíbrio. Saiba pedir ajuda, se necessário. Saiba dar uma palavra de estímulo, muitos precisam.

 Saia de si, nesse momento e se doe, nada melhor para esquecer as nossas dores do que a doação. E não precisa ser grandiosa, tem que ser contínua. E, principalmente, faça planos, sonhe, deseje, projete, viver o aqui e agora é fundamental, mas sonhar é imprescindível. Por você, tente ficar bem!

Postado por Psicóloga Meg Oliveira

Desistir é promover saúde

05.04.2020 às 14:23


Li, um dia, a filha perguntando a mãe o que é desistir e a mãe responde que não sabe, pois “somos mulheres” (sic). Quando li a primeira vez eu pensei “como?”, com um sem número de interrogações. Como alguém passa uma mensagem tão aprisionadora para as mulheres? Como se pode pensar que uma mulher, ou não deve ou não pode desistir? E que isto possa ser visto como algo positivo e enaltecedor?

 A graça do viver está em possuirmos livre arbítrio, em ir, voltar, mudar, continuar, desistir...não querer mais e por isso podemos e devemos desistir. Nada no mundo pode nos subjugar a ponto de não podermos voltar atrás e é esta a lição que se deve dar a uma filha. 

Desistir muitas vezes é nos respeitar, tirar um fardo dos ombros, mudar a perspectiva e entregar. Entregar o que não nos compete mais, o que não mais nos interessa, o que não suportamos mais.  E até o que simplesmente não queremos mais. À minha filha e à minha neta direi sempre: desistam, mudem o caminho, mudem sua história sempre que sentirem que não estão felizes, que o caminho escolhido virou um peso. Persistam em tudo que trouxer felicidade e desistam de tudo que careça de significado. Mulher desiste sim e muito. E mais, devem desistir. Isto chama-se promover a saúde mental.

 Não consigo imaginar um ser humano preso em sua própria cadeia tendo na mão a chave. Com nossos desejos podemos sair das prisões emocionais e mudar, caminhar e retroceder, pois é isto que alimenta a nossa personalidade e nos torna a pessoa que somos. As nossas escolhas são tudo aquilo que temos para existir de forma eficiente e feliz. Não a felicidade ilusória de quem exige de si a excelência, mas a felicidade de ser livre para exercer sua vida em consonância com a sua vontade. Mulher desiste sim. Desiste se quiser e quando quiser. Mulher pode e deve ser livre para realizar sua caminhada pessoal. Mulher pode desistir e pode continuar, pode fazer escolhas que correspondam a sua vontade e promova a sua sanidade mental.

 Desistir, muitas vezes, é o que nos liberta de amarras imaginárias, é o que nos ratifica como ser humano, é o que nos conforta e nos acolhe na nossa caminhada pela vida. Desistindo ou não, a mulher ou qualquer gênero que for, o segredo é buscar sua inteireza, seu conhecimento de si e assim, perceber que é senhor ou senhora da sua existência.

Postado por Psicóloga Meg Oliveira


Psicóloga Meg Oliveira por Meg Oliveira

Psicóloga Clínica, pós-graduada em Gestalt Terapia. Formação em Vegetoterapia, Psicoterapia Breve e Massoterapia. Atuando há 28 anos como Psicóloga Clínica. Procuradora aposentada do Poder Judiciário.

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