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03/05/2020 às 16h32

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Falando de culpa e perfeição


Culpa, substantivo feminino. Perfeição também o é. Entre estes dois tiranos situa-se a mulher. É a punição social sofrida por querer assumir seu espaço, corroendo-se entre o direito de ser e o dever de fazer. Entre a culpa e a perfeição existe uma linha tênue que transforma-se em um círculo vicioso e perigoso.

 A mulher vai à luta trabalhar por sua realização profissional, os filhos, se os tem, ficam em casa com babá ou em creches e isto gera um processo interminável de angústia. E culpa. Ao voltar, descobre que tem infinitos botões a pregar, um jantar para ser feito, filho solicitando ajuda para o dever escolar ou, simplesmente, querendo um pouco de atenção e enquanto o espelho reflete a imagem de uma mulher sem cor, lá longe vem surgindo uma crescente sensação de que nada dá certo. Que a vontade mesmo é esconder a cabeça embaixo dos lençóis e sumir deste mundo tumultuado. É a culpa. A culpa que arrasa, que destrói, unida ao desejo de dar conta de todos os seus mundos com uma encantadora habilidade. De ser perfeita. É o mito da super mulher que não perdoa falhas tão humanas, que escraviza, que impede de assumir suas limitações, de ser normal enfim, de não confundir os valores das funções exercidas, de equilibrar suas emoções e racionalidade, de poder ser mulher simplesmente e permitir-se o sagrado direito de viver sem ansiedades maternas, domésticas e funcionais.

A perfeição não é dever feminino. Nem masculino. O universo familiar não pode nem deve ser ordenado unicamente pela mulher. É uma obrigação de todos.

 A colaboração, a participação e a ajuda dos componentes de uma família é fator primordial para que a mulher rompa com as amarras que por tanto tempo a acorrentam. Permitir-se ser saudavelmente imperfeita, incompetente tantas vezes e abrir um novo caminho, onde os valores distorcidos pela repressiva educação recebida e por uma sociedade ainda machista transformem-se em aceitação dos fracassos, é o meio mais lógico para conseguir uma vida sem culpa e sem perfeição.


Psicóloga Meg Oliveira por Meg Oliveira

Psicóloga Clínica, pós-graduada em Gestalt Terapia. Formação em Vegetoterapia, Psicoterapia Breve e Massoterapia. Atuando há 28 anos como Psicóloga Clínica. Procuradora aposentada do Poder Judiciário.

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