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07/06/2020 às 18h07

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O luto e sua vivência


O luto tem sido uma constante na vida de todos nós. Nestes tempos de pandemia estamos a ver morte acontecer sem podermos nos despedir, sem podermos prantear os mortos de forma digna e presente. São tempo muito mais difíceis do que pensaríamos viver.

 O luto requer que seja vivido e que se entre em contato com a dor. O luto não permite defletir, pois ele cobra mais tarde a sua não vivência. Temos que chorar, lamentar, praguejar, sofrer e entrar em contato com todos os sentimento doloridos que surgem. Dói, dói muito viver o luto, mas não conheço outra forma de se erguer sem vivenciá-lo. Não existe tempo, nem marco para que ele finde. Só o ser enlutado sabe quando pode sair da fase mais triste do luto e retomar a vida. Não adiantam frases incentivadoras, não adianta dizer que o ser amado está em um lugar melhor ou que foi escolha da divindade.

 Quem está de luto não quer frases prontas, quer viver sua dor e, no máximo, uma presença silenciosa que o acolha e diga, sem palavras, que está ali. A experiência do luto é absolutamente pessoal e tem a intensidade que cada um se permite. A única coisa que se pode fazer em um processo de luto é vivê-lo. É relembrar, é desejar a volta do outro, é sofre até ter dó de si. A não vivência de um luto, mais tarde, volta em forma de doenças psicossomáticas, chega através de transtornos mentais, vem junto com uma depressão inesperada e sem motivo aparente. 

Retorna sem nem você se dar conta das razões que o levaram a adoecer, volta sem você saber o porque dos medos, da tristeza, da sensação de vazio. Volta sem lhe perguntar se você aguenta a dor. Mas vem, inevitavelmente. E você se vê com a guarda do que não deveria ser mais seu. Um luto bem vivido se transforma em lembranças, saudades, gargalhadas na memória dos momentos bons, no apego às pequenas coisas deixadas pelo outro, nas fotos em um belo porta retrato e na certeza de que o ser que se foi lhe deixou o melhor dele e que você irá carregar por toda a sua vida. Um luto bem vivido requer coragem, requer respeito por si e pela memória do outro, requer um mergulho profundo na dor e acatá-la. Não leve a dor que deve ser vivida no agora para um amanhã. Permita-se. Dói, dói muito, mas é libertador.


Psicóloga Meg Oliveira por Meg Oliveira

Psicóloga Clínica, pós-graduada em Gestalt Terapia. Formação em Vegetoterapia, Psicoterapia Breve e Massoterapia. Atuando há 28 anos como Psicóloga Clínica. Procuradora aposentada do Poder Judiciário.

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