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A Preguiça se Derrama

Sempre que reflito sobre a preguiça, percebo que tenho uma enorme simpatia por ela. Costumo me cobrir com o seu manto sem sentir nenhuma culpa. Dos pecados capitais são, a preguiça e a gula, os meus prediletos. Tenho uma visão romantizada deles. A preguiça é aconchegante, leve, tem algo de  doce e melancólico. 

A preguiça não só se derrama, ela se esparrama, toma conta de cada músculo e da capacidade de pensar, permite que sejamos levados pelo momento sem ter nenhum controle. A preguiça como ócio é deliciosa.


No entanto, a preguiça tem outras faces, nem sempre delicadas. Os dicionários definem a preguiça como a falta de coragem de trabalhar, de fazer alguma tarefa, de realizar esforço físico e mental. O social costuma repudiar e ser desrespeitoso com ela, afinal é imperativo produzir para se sustentar. 

A psicologia não observa a preguiça como uma patologia, mas como um dos sinais de que algo não vai bem com o outro. Existem inúmeras pessoas portadoras de doenças que são vistas pelas outras como preguiçosas. A depressão, o hipotireoidismo, a narcolepsia, a síndrome da fadiga crônica, fibromialgia são exemplos de doenças que provocam letargia, cansaço, sonolência, passividade e, muitas vezes, mesmo diagnosticadas, o mundo exige que se saia do processo como em um passe de mágica e seu portador é visto como preguiçoso. É necessário que produza, que seja eficiente e autônomo. A face cruel da doença não permite um estado de normalidade e bem estar e mesmo assim isso o é exigido.


Óbvio que  existem os preguiçosos naturais, aqueles que precisam ser sustentados e não querem crescer e assumir responsabilidade pela sua existência. A literatura é farta em personagens e temos como bom exemplo Macunaíma. Mas, surpreendentemente, mesmo que o social os reprove, são condescendentes com eles. Mas condescendência não é sinal de aceitação e o preguiçoso vive a margem do mundo, pois na maioria das vezes, somos vistos pelo que fazemos e produzimos.


Minha intenção, hoje, foi de que seja observada a preguiça patológica, aquela produzida por doenças, em que o indivíduo não pode e não consegue ser útil e produtivo. É importante que se use de aceitação para com eles e se muna de ajuda para a busca da cura ou bem estar. A procura médica e psicológica é fundamental para o bom resultado do processo. E, não diga jamais, para alguém portador de doenças que tem a fadiga como um dos sintomas, que ela vá trabalhar, vá passear, que confie em alguma divindade. Acredito na força da fé e estou ao lado de quem acha que esta é de uma importância inquestionável, mas a cura está na ciência. A psicologia e a medicina são os principais caminhos.


Psicóloga Meg Oliveira por Meg Oliveira

Psicóloga Clínica, pós-graduada em Gestalt Terapia. Formação em Vegetoterapia, Psicoterapia Breve e Massoterapia. Atuando há 28 anos como Psicóloga Clínica. Procuradora aposentada do Poder Judiciário.

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