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Entrevista com Targino Gondim

Cantor e compositor pernambucano, criado na Bahia,

23.06.2022 às 11:20
Arquivo pessoal


*Daniela Gama

Estava eu aproveitando o período de festas juninas na Chapada Diamantina, Bahia e eis que tenho o prazer de ouvir o talentoso Targino Gondim tocar em um show na cidade de Iraquara. Um dos muitos shows da agenda "apertada" do cantor nesse período em que o povo Nordestino celebra a musicalidade aconchegante do forró. E não estou falando de forró no sentido mais amplo, mas do nosso delicioso forró pé de serra, o forró que só o bom sanfoneiro sabe fazer. Targino é cantor e compositor, nascido em Pernambuco e criado na Bahia. Com diversos trabalhos em parceria com outros tantos músicos renomados da Música Popular Brasileira e músicas indicadas ao Grammy, é dono de uma simpatia e simplicidade que nos encanta. Com muita generosidade, o artista tirou um tempinho entre um show e outro nessa semana de São João e me concedeu essa entrevista onde fala da sua carreira, seus trabalhos, politização e oportunidades, num contexto Sem Simetria de pensar e de ser. Targino, você é massa!

Quem é Targino Gondim?

Cantor, compositor, sanfoneiro, nascido em Salgueiro (PE), mas fui criado em Juazeiro da Bahia, onde eu cheguei com dois anos de idade. Aprendi a tocar sanfona por influência do meu pai e também herdei dele a paixão pela obra de Luiz Gonzaga, Dominguinhos e todos seus seguidores.

De onde vem a sua influência na música?

Do meu pai. Ele aprendeu a tocar sanfona no modo antigo de Luiz Gonzaga, tudo isso me serviu como base desde o início, e fiz também amizade com grandes nomes, como Dominguinhos, Sivuca, Osvaldinho, Gilberto Gil, Caetano Veloso, e essas são outras principais influências porque estiveram mais presentes no meu dia a dia.

São mais de 20 anos de carreira. Quais foram os maiores desafios e delícias de lá pra cá?

O meu primeiro CD foi lançado em 1996, são mais de vinte anos de carreira e os percalços de antes talvez sejam os mesmos de agora, as dificuldades... A gente precisa de muita determinação porque o que nos falta muito é incentivo. Então, se você está começando a trilhar pelo caminho artístico, seja em qualquer profissão, principalmente na música, você vai sentir essa deficiência, falta incentivo governamental, incentivo das pessoas, você, no máximo, vai receber alguns aplausos. No início você vai ter que provar o seu mérito, mostrar a si mesmo e as pessoas que você merece um lugar ao sol, merece despontar no cenário musical, começando pelo regional, estadual e depois Brasil, quem sabe mundo? A falta de incentivo vai desde onde a gente se apresenta, com as pessoas mais próximas da gente, aos fãs e à mídia, à imprensa, que você só vai  conquistar o respeito deles a partir do trabalho cada vez mais afinado, aprimorado profissionalmente.

 Imagino a agenda “apertada” de Show que você tem. Como consegue conciliar trabalho, vida pessoal e família, principalmente nessa época de festas juninas?

Conciliar a vida pessoal, a família, a gente vai ter que embolar tudo, virar um bolo só. Filhos, mãe, irmãs, irmãos, vão ter que entender desde cedo que é o trabalho que a gente escolheu, que o nosso trabalho pede que estejamos na estrada, viajando, e todo mundo acaba se acostumando a isso tudo. A questão pessoal, você vai entender que sua vida é isso. O que a gente pode resolver durante a viagem, resolve, o que tem que viver aquele momento, a gente vive, não dá para esperar por férias. Dessa forma a gente vai encontrando amigos, famílias em outras cidades que nos adotam, e vamos seguindo. Como dizia meu pai, meus tios, “o que não tem remédio, remediado está”.

 Fale um pouco sobre seus novos trabalhos, tão em alta nesse período junino.

Meus trabalhos mais recentes, graças a Deus estão muito bem, as pessoas estão gostando muito, lancei no ano passado o “Belo Chico”, com dois parceiros, Nilton Freitas e Gogó, voltado apenas para o Rio São Francisco; depois lancei Chapada Diamantina, uma homenagem à região inteira da Chapada, na Bahia; e lancei Sertão de Curaçá, todos esses com clipes e trabalhos que estão todos sendo bem visitados. Recentemente, lancei uma música inédita, minha com Zeca Baleiro, chamada “Prela me querer”, com uma cantora paraibana, de Campina Grande, que se chama Heloísa Olinto. E durante a pandemia eu lancei “Targino sem limites”. É um trabalho que mostra que a música que eu faço, forró, é música do mundo, não precisa estar preso à zona rural, ou nas casas de forró, ou em épocas juninas, não, ela é do mundo! Ela vai estar o tempo inteiro em todo lugar, vai estar onde a gente queira estar, tanto que gravei e fiz música, por indicação de M Latino, com Carlinhos Brow, Raimundo Fagner, Zeca Baleiro, Saulo Fernandes, Bell Marques, Ivete Sangalo, e esse disco chegou a ser indicado para o Grammy Latino. Então, de produção atual a gente está muito, eu e tantos outros artistas maravilhosos que estão para provar que o nosso forró não é antigo, é também atual.

 Qual o papel da música Nordestina, especialmente do forró, no Brasil de hoje?

O papel da música nordestina é o papel de qualquer outra música, um papel de nos contar história, de nos narrar fatos, falar de amor, de questões ambientais, questões sociais, questões críticas, a música transforma a vida das pessoas levando conhecimento, saber, bem-estar, ou seja cantando alegria, ou seja cantando tristeza, de qualquer  forma você se encontra ali em determinadas músicas. E a nordestina tem esse propósito também, de mostrar a história do povo nordestino, seja na fé, no pedido, na gratidão...

 Você vê uma ligação entre a Política e a arte no Brasil? De que forma a música pode contribuir para uma melhor politização dos jovens?

A política existe em tudo, em qualquer tipo de movimento, qualquer certeza, incerteza, qualquer assunto, qualquer sim, qualquer não, tudo nos leva a um movimento político. Não é diferente com a arte, a arte faz parte disso tudo, a arte precisa existir, ter lugar, ter vez. O papel da política tem que ser voltada para trazer à tona, principalmente para os jovens, a importância da arte.

 O Brasil é um país de dimensões continentais e isso vai além da geografia. A arte e a música em si tem uma variação muito grande de ritmos e de mensagens. A geração mais antiga costuma não aceitar bem boa parte das músicas/letras de canções que “estouram” facilmente, mas não possuem uma mensagem muito positiva. Como você enxerga essa nova musicalidade, a da geração tiktok, por exemplo?

Por que a geração mais antiga fica mais arredia em relação às músicas de hoje? Porque as músicas de hoje são mais imediatistas, seguem a linha “vamos puxar por aqui”, seja em relacionamentos, seja em bebedeiras, em festas... E não nos deixa muita coisa, diferente de gerações passadas, gerações de 80, 70... Que são músicas que deixam registros de vida, seu primeiro amor, sua primeira viagem, sua primeira sentada na praça... Tudo... Os registros são saudáveis.  Mas a gente tem que enxergar também que a cultura não é estática, que ela vai se modificando, ela se movimenta o tempo todo, e a geração hoje é do tiktok mesmo... E a gente se insere nesse meio para tentarmos ver e mostrar algo além do imediatismo.

 A pandemia nos trouxe perdas incalculáveis, inclusive para o cenário cultural. Como você passou por esse período?

A pandemia pegou o Brasil, o Mundo, de jeito. Muitos morreram, muitos sofrem até hoje, depressão... Cada um enfrentou a pandemia de seu jeito... Eu, particularmente tenho que agradecer muito! Passei a pandemia e não senti tanto financeiramente, obtive êxito nas minhas lives, seja de instagram como de youtube, consegui patrocinadores, marcas que apostaram no meu trabalho e tiveram retorno e continuaram comigo após esse período... De forma que consegui criar uma receita, por menor que tenha sido, para ir me estabilizando por ali e também acolhendo meu povo, meus músicos, minha equipe técnica, motorista, produtos, e fomos nos salvando juntos. E aproveitei a pandemia para exercitar essa coisa que a gente acaba esquecendo, que é ser mais carinhoso, mais amável com as pessoas, realizar e participar campanhas solidárias. Fiquei muito feliz com minhas ações durante a pandemia.

Na nossa coluna “Sem Simetria” costumamos falar sobre respeito à diversidade em seu contexto mais amplo. Em suas andanças pelo país você ainda percebe algum tipo de preconceito com a cultura e o povo nordestino, ou isso já mudou?

Mudou, mudou um pouco. O Mundo precisa ainda mudar muito, o ser humano ainda precisa avançar muito, transcender, encontrar mais Deus, pensar primeiro no todo, se colocar no lugar da outra pessoa, para poder tomar certas atitudes. Eu venho me policiando, ainda errando, mas querendo acertar, sempre voltando atrás, tendo a certeza de que não podemos simplesmente pegar uma borracha e pagar o que fez. Mas se a gente não pode pagar o que fez, pode a partir de agora, a partir do momento que a gente se toca, a gente pode escrever de uma forma melhor para a gente e para pessoas que estão a nossa volta, só dessa forma que o mundo vai mudar, que as pessoas vão mudar, que o preconceito vai deixar de existir, a gente ainda precisa muito! O meu desejo é que a raça humana, a humanidade no todo se encontre, se engaje, se respeite, se ame. A cultura nordestina, o povo nordestino, ainda continuamos sofrendo preconceito. E não basta apenas sermos contra, temos que agir também contra isso.


*Republicado as 11:20 para acréscimo de informações

Postado por Sem Simetria

Entrevista com Fabiana Saba

Destaque no mundo da moda na década de 1990, Fabiana Saba concedeu entrevista à Daniela Gama

31.05.2022 às 17:48


Um dos principais rostos brasileiros da moda que ganhou destaque no mundo na década de 90, Fabiana Saba interrompeu sua carreira há quase duas décadas. Vive em Nova Yorque, onde se casou e tem duas filhas. Atualmente ela usa sua voz nas redes sociais para levantar a bandeira da diversidade, das questões sociais, da inclusão e da luta pelo rompimento dos padrões de beleza impostos pela sociedade. 

Por Daniela Gama

1 - Você foi uma das modelos brasileiras de maior sucesso tanto na TV como em desfiles e propagandas de grandes marcas. Conta pra gente por que decidiu parar em pleno auge? 

Obrigada! A carreira de modelo eu parei pra ir pra televisão, e a da TV eu parei depois de alguns anos por amor, mas outras coisas também contribuíram. Eu morei fora do Brasil por muitos anos, um dos lugares foi aqui em NYC onde eu vivo agora. Ainda modelo conheci meu marido, mas foi bem na época que estava voltando pro Brasil pra fazer TV. Namoramos a distância, terminamos e depois de mais de um ano resolvemos tentar de novo, e eu saí da TV e mudei pra cá. 

2 - De que forma você avalia a moda e os anseios dos jovens hoje pelo sucesso “a qualquer custo” através das redes sociais ?

Acredito que, como tudo na vida, existem dois lados pra tudo. Hoje em dia, graças a internet, conhecemos modas mais variadas, e trouxemos em pauta a diversidade na moda, ou falta de. Sobre sucesso a qualquer custo, me assusta as pessoas que fazemos famosas, mas no final somos nós, o público que escolhemos quem terá sucesso, então tudo isso diz mais sobre a nossa sociedade do que sobre quem está procurando fama. Ao mesmo tempo, o fato de hoje em dia ser mais fácil conseguir plataforma ajuda a gente conhecer talentos incríveis que talvez nunca tivessem a oportunidade.

3 - Sabemos que você luta pelos direitos das mulheres, defende o feminismo e abraça a inclusão na moda. Fale sobre como tudo isso começou a se fazer presente em sua vida.

Por causa dos meus privilégios eu nunca pensei em representatividade ou padrões. Diariamente eu me via representada em revistas e na televisão. Conforme a internet abriu espaços para vozes diversas eu abri a cabeça e os ouvidos para entender a falta de inclusão na moda e o que ela significa para as pessoas.  Comecei então a pesquisar e aprender sobre representatividade na psicologia, formação de identidade, auto estima e mais, e isso me fez entender a urgência deste assunto. Além disso, eu engordei durante uma época e entendi um pouco sobre como as pessoas veem quem não está no padrão. O mais louco disso tudo é que depois que eu abri a mente eu parei de ver só a beleza que nos e impostas, a eurocentrista, e ver beleza em todos nós!

4 - Você acredita que as redes sociais chegaram para democratizar e dar voz ao povo e às causas sociais e de diversidade? Por que? 

Acredito que é uma forte aliada se usada corretamente. Hoje basta querer aprender mais sobre causas sociais e diversidade. A internet deu voz a muita gente que tem muito o que dizer, mas também os vídeos nos mostram realidades que não vivemos. Com as redes sociais nós podemos ver fatos e não só o que nos é escrito pelos victors. 

5 - Em seu Instagram você compartilha sempre sua família. Fale um pouco da Fabiana Saba mãe e mulher. 

Amo ser mãe, mas reclamo bastante, afinal sou uma mãe real. Não tenho babá e moro longe da família, e tento ser a melhor mãe possível. Aliás aprendi que a gente só consegue mesmo isso, fazer o que dá, e que não devemos romantizar a maternidade, devemos dividir também as partes difíceis e formar um grupo de apoio entre nós. 

Como mulher, continuo apaixonada pelo meu marido, e tenho um casamento saudável (não perfeito porque não existe). Voltei a fazer faculdade e descobri que eu amo aprender!

6 - Hoje em dia qual a sua relação com a moda?

Nunca fui muito de comprar revistas da moda e ser trendy. Hoje em dia só busco conforto. Mas minha relação com a moda revive com minhas filhas. Adoro vê-las descobrir seus próprios estilos.

7 - Eu, enquanto fotógrafa, tive meus principais trabalhos focados na inclusão da pessoa com deficiência na moda. Qual sua visão dessas pessoas hoje em dia nesse mercado de moda e publicidade, considerando que o número de pessoas deficientes em todo o mundo é muito mais expressivo do que imaginamos? 

Ainda estamos bem longe do ideal. A representatividade e inclusão de pessoas com deficiência é muito pequena e não representa a realidade. Estamos melhor do que há dez anos atrás graças a pessoas como você, que trazem a pauta pra dentro da moda, e muitos ativistas com deficiência que estão com plataforma para distribuir suas mensagens. 

8 - Para você como seria a inclusão das mulheres, negros, pessoas gordas, deficientes e LGBTQIA+ em um mundo “Sem Simetria”? 

No dia em que um editorial de joias ou jeans for com pessoas diversas sem ser esse o tema, só falando do jeans, da jóia, etc, e não da deficiência, cor, tamanho da pessoa, a moda realmente será inclusa. Mesma coisa na TV com comerciais, filmes, novelas etc. Mas para isso acontecer precisamos de representatividade não só de modelos ou atores, mas de executivos, diretores, e outros lugares de poder. 

*Editada as 17:40 para acréscimo de informações

Postado por Sem Simetria

Cidade Baixa: uma beleza peculiar da cidade de Salvador.

27.04.2022 às 07:00
Fotos Daniela Gama


É comum ouvir falar em Salvador e automaticamente ouvir falar na Cidade Baixa (e na cidade Alta). Eu mesma já ouvi de várias pessoas de outras partes do país a pergunta: “como é a cidade alta e a cidade baixa?”. Quem não conhece tem essa curiosidade e quem já conhece tem por esse lugar uma paixão. Eu que o diga.

A primeira vez em que estive na Cidade Baixa, mais precisamente na Ponta de Humaitá, eu fiquei deslumbrada com tanta beleza. Desde então já se passaram cerca de vinte e cinco anos e todas as vezes em que volto lá tenho a mesma sensação da primeira vez: é lindo de se ver!

Como sei que vocês querem saber muito mais, vou começar falando sobre a questão geográfica que originou a Cidade Baixa e a Cidade Alta, separadas por uma falha geológica, um afundamento de uma faixa de terra de 100 quilômetros ocorrida há milhares de anos. “Sobre a escarpa de 70 metros, protegida contra ataques pelo mar, estava a cidade fortificada cercada de muros; embaixo ficava o principal porto do comércio marítimo da costa brasileira.” (Fonte: Fundação Gregório de Matos). Foi em meados do século XVI que o então Governador Geral do Brasil, Tomé de Souza, deu início à construção da Cidade Baixa. Naquela época servia apenas como porto marítimo. Com o passar do tempo o local passou a abrigar o bairro do comércio e de bairros muito importantes para a história da cidade, como Bonfim, Ribeira, além da Península de Itapagipe, e muito mais.

Eu particularmente considero que boa parte dos pontos turísticos mais bonitos e gostosos de visitar na cidade estão localizados na Cidade Baixa. E eu posso provar. Temos a icônica Igreja do Bonfim, que recebe turistas e fiéis do mundo inteiro ao longo do ano e reúne outros milhares na tradicional Lavagem do Bonfim, no mês de janeiro. E não tem idade: no cortejo da festa a gente encontra de criança a idoso. Localizada no topo da chamada “Colina Sagrada” a igreja ícone da Bahia tem sua arquitetura com estilo neoclássico e rococó e das paredes ao teto suas obras de arte são de deixar qualquer um de boa aberta. E quem nunca ouviu falar das fitinhas do Senhor do Bonfim, hein? Também é na grade externa da igreja que turistas e fiéis amarram suas fitinhas e fazem seus pedidos, originando um painel colorido bonito de se ver.

Outro ponto belíssimo da cidade baixa é a região do Humaitá, onde temos o Farol de Humaitá, a igrejinha bucólica e bem próximo dali o Forte de Monte Serrat, onde temos uma vista espetacular do mar e da cidade Alta, das ilhas próximas e um dos pores de sol mais deslumbrantes da cidade do São Salvador. É comum nesse lugar haver reunião de amigos, casais e famílias para apreciar o entardecer e o cair da noite. É, sem dúvida, o meu lugar preferido. Logo ali perto, na rua conhecida como Pedra Furada, temos ótimas opções de restaurantes, para todos os bolsos, com moquecas e iguarias regionais de deixar turista já com vontade de voltar à cidade.

É também na Cidade Baixa que temos o Mercado Modelo e o Elevador Lacerda, meio de transporte mais rápido pra levar você da Cidade Alta para a região do Elevador e Comércio, na Cidade Baixa (ou da Cidade Baixa para o Pelourinho). E relembrando um meme que nos fez rir em 2021, sim senhor, o elevador só tem essa função de levar e trazer pessoas, ok?! Não espere mais que isso dele. Porém, temos um bônus maravilhoso: a vista da parte superior do elevador, logo ao seu lado, é DES-LUM-BRAN-TE! Portanto, vale muito a visita.

É também na Cidade Baixa que temos praias convidativas, museus que contam muito sobre a cidade e sobre a Bahia, como a Cidade da Música da Bahia, por exemplo. Temos bons restaurantes, temos o Museu de Arte Moderna da Bahia e o Solar do Unhão, na famosa Avenida Contorno, trecho que liga as duas partes da cidade, e muito mais.

Quando foram a Salvador não deixem de conhecer os encantos da Cidade Baixa. E depois me contem se eu tenho ou não razão de ser apaixonada por cada cantinho de lá!

Um beijo e um Axé!

Daniela Gama

Fotógrafa e colunista da Revista Painel Alagoas

IG: @danigamafotografia  

Postado por Sem Simetria

Duas garotas em Inhotim: o maior museu a céu aberto da América Latina

Logo ali, nas Minas Gerais

09.03.2022 às 13:20


Resolvi escrever sobre essa viagem por três motivos especiais: primeiro porque foi uma das viagens mais gostosas que já fiz com a minha filha, segundo porque INHOTIM é diferente de tudo que você já viu, culturalmente falando, no Brasil, e terceiro porque março é mês das mulheres e mulheres que viajam juntas (ou sozinhas) merecem essa homenagem! 

A primeira vez em que estive em Inhotim foi em 2013. Estava a trabalho, realizando um ensaio fotográfico especial e inclusivo, para uma revista daquele estado. Lembro como hoje: o trabalho aconteceu no chamado “Topo do Mundo”, um lugar paradisíaco, no topo de uma montanha, onde lá de cima avista-se um “mar de morros”. O segundo e terceiro dia de trabalho foi em Sabará, para uma conhecida grife de moda local, e também de cunho inclusivo. Para quem não sabe, eu amo trabalhar nessa temática da inclusão no mundo da moda. Mas aí já é assunto para outro momento, né! (pois é!). 

No meu último dia em Minas eu estava de folga e sem saber exatamente o que fazer. Foi quando me lembrei do meu irmão, o artista plástico Marcel Gama, que já havia me falado da imponência que era o Museu Inhotim. Pronto! olhei na net os horários de ônibus saindo de BH rumo a Inhotim e lá fui eu no dia seguinte bem cedinho. O museu fica em Brumadinho. O ônibus que sai da rodoviária gasta em média uma hora e meia até chegar lá. Já no caminho conheci um grupo de três amigos e com eles passei todo o dia de encantamento. No final do dia, perto do horário de voltar para o local do ônibus e sair do museu eu não queria ir embora. Lembro de brincar com o pessoal da lojinha, na saída, perguntando se não tinha como eu morar lá! Rsrsr. 

Em janeiro de 2017, em viagem de férias com minha filha Sofia por alguns estados, começamos por Minas, exclusivamente porque ela estava doida para conhecer Inhotim. E eu, também, com vontade de retornar, afinal, um dia no museu não é suficiente sequer para conhecer metade do seu acervo e de tudo que aquele lugar nos proporciona. E ela, tal qual o tio Marcel, sempre foi doida por Artes Plásticas. 

Lá fomos nós. Chegamos cedinho, como mandam as regras do visitante alucinado por Inhotim. Sofia vibrava com aquela imensidão de natureza mesclada com gigantescas obras de arte. Não faltava energia para subir e descer as ruas de pedra em meio às altas arvores, som dos pássaros, borboletas e aquele céu maravilhoso. 

Aproveitei para conhecer a parte do museu que ainda não havia conhecido na primeira viagem. Gente, verdade seja dita: Para conhecer bem o museu é preciso passar uns três dias por lá! Parece exagero, mas só quem conhece sabe que não é! Sofia falava: “Nossa! Parece que estamos em outro país, outro mundo!” E a sensação é realmente essa. 

No meio do dia fizemos uma pausa para almoçar, repor as energias e continuar o passeio. Lá existem três restaurantes com opções ótimas de almoço e bebidas, e com preços bem variados, o que democratiza mais o acesso às refeições. Todos com ambientes icônicos (lá, tudo é assim!) e refeições de qualidade, independente dos valores mais altos ou mais baixos. Inclusive o ingresso ao museu é acessível a todos em um dia específico da semana. 

De oficinas de arte à apresentações teatrais e musicais, o museu oferece muita, muita arte! É simplesmente impossível não sair de lá encantado e com a mente flutuando de tanta beleza, de tanta paz, de tanta cultura. E por falar nisso, quem assistiu a série “3 %” da Netflix, pode conferir muitas cenas gravadas dentro do Inhotim, especificamente o chamado “Mar alto”, na série, que significa o paraíso sonhado. E, de fato, cai muito bem ao lugar. 

Ao final do passeio estávamos felizes e encantadas (eu, mais uma vez, muito encantada). Sofia me fez prometer que voltaremos lá novamente. Afinal, ela ainda falta ver bastante coisa. E definitivamente não dá para não ficar assim: com água na boca de Inhotim. Vocês podem conferir tudo sobre o local no site inhotim.org.br 

Escolhi essa viagem para minha matéria de março especialmente por ser o mês da “Mulher” e porque as viagens que faço com a minha filha são sempre muito especiais por sermos apaixonadas pela arte, pela cultura do nosso país, por apreciarmos esses momentos juntas e porque quero lembrar a todas as minhas leitoras que, sozinhas ou acompanhadas, nós temos a condição de sermos as nossas melhores companhias, SEMPRE! Não se privem desses momentos. Eles são altamente ricos para nosso crescimento e nossa felicidade. Vez em quando aparecem amigas e amigos que me dizem: “eu gostaria tanto de conseguir viajar sozinha/o e me divertir como você faz”. A minha resposta é sempre essa: Se eu posso, você também pode. E quando descobrir isso vai ver o quanto nossa felicidade independe de terceiros!

Parabenizo à todas as mulheres do mundo e desejo, de todo o meu coração, que vocês tenham a oportunidade de descobrir o quão grandiosas são vocês! 

Um beijão e até a próxima viagem!

Dani Gama

Fotógrafa, Geógrafa, mãe e colunista da Revista Painel Alagoas. 

Postado por Sem Simetria

Vale do cercado* – uma experiência incrível de turismo de isolamento

* Reserva ambiental no coração da Chapada Diamantina, Bahia, Brasil.

11.01.2022 às 12:56
Fotos Daniela Gama


Lembro como hoje quando eu, em minhas pesquisas sobre lugares legais para me hospedar, bem no auge da pandemia, encontrei na internet um lugar muito peculiar, o qual eu já havia ouvido falar através de pessoas próximas:  Vale do Cercado. Esse vale fica no coração da Chapada Diamantina, a poucos quilômetros de estrada de terra, a partir do famoso Morro do Pai Inácio.


Conversando com amigos sobre trilhas e lugares inusitados da Chapada, coincidentemente, me mencionaram sobre a experiência de hospedagem no Vale. Imediatamente peguei o contato do proprietário de uma casa exclusiva para aluguel por temporada e agendei para dias depois. E lá fomos nós: eu, meus pais, filha, irmão, cunhada, sobrinhos. Gente do céu, que animação para conhecer aquele lugar que, pelas poucas fotos na internet, na época, já fazia a gente se apaixonar. Arrumamos tudo, fomos bem orientados acerca da estrada, abastecemos os carros e fomos.

A primeira sensação é de deslumbramento. Logo que saímos da BR, poucos km antes do Morro do Pai Inácio (sentido contrário para quem vem de Salvador), pegamos a estrada de terra e em poucos minutos temos a visão incrível do Morro do Camelo. Que espetáculo!!! Quem passa pela BR não tem aquela vista, aquela experiência. Então lá vamos todos, descer dos carros e fotografar, óbvio! Acho que é instantânea essa atitude para qualquer pessoa que passe por ali.

Seguimos mais alguns quilômetros (poucos e longos) até a entrada da casa que havíamos alugado para passar quatro dias. A estrada é ruim, sim! Tem muita areia e pedras, mas nada que dirigir com paciência e atenção não resolva. Qualquer carro chega lá com tranquilidade e um bom motorista! :D

Logo que chegamos no local onde deixamos o carro temos mais uma vista impecável do Vale e dos morros que o cercam e de brinde um rio de água corrente lindo demais. A gente para de novo para admirar, molhar os pés e o pensamento é um só:  MEU DEUS, QUE LUGAR É ESSE?!!! Atravessamos uma ponte de madeira, tiramos tudo dos carros e fomos cair na real de que estávamos hospedados no meio de uma reserva ambiental, lindamente bem cuidada e com uma estrutura de dar gosto.

A casa (na verdade são duas casas, com entradas independentes) fica literalmente sozinha ali em meio a todo aquele verde. O rio passa a poucos metros, dentro da propriedade, é raso, seguro e delicioso. Com as águas cristalinas e uma boa iluminação que existe, pode-se tomar banho a qualquer horário do dia ou da noite.

É possível fazer diversas trilhas a pé, subir os morros e ter uma visão incrível do vale. De carro é possível ir ao Morro do Pai Inácio e fazer outros passeios (caso vocês optem por ficar muitos dias e queiram sair um pouco). A cidade mais próxima é Palmeiras. Mas, quem quer sair de um lugar desses, onde o único som possível de se ouvir por lá é o som das águas correntes e o som dos pássaros? Contato com barulho? Só das gargalhadas dos adultos e das crianças se divertindo no banho de rio.

A Reserva Águas do Vale tem toda a estrutura e equipamentos de uma casa comum. Não falta absolutamente nada para o nosso conforto, além de ter o que eu amo: abastecimento por energia solar! Tem forno e fogão a lenha, redes por todo canto, uma cozinha aberta maravilhosa, lareira de jardim e uma decoração que mistura rustico com industrial. Para os mais exigentes posso garantir que é um “simples” de muito bom gosto. Os proprietários são de extrema simpatia e dão suporte todo o tempo, mesmo não morando por lá, fizeram questão de ir nos receber e dar as boas-vindas!

Deveríamos ir embora na segunda pela manhã, mas não fomos! Rsrsrsrs ficamos mais um dia. Essa viagem aconteceu final de julho de 2021. Para vocês terem ideia do quanto me apaixonei pela paz e pela conexão total com a natureza que vivenciei naquele lugar, dois meses depois estava lá novamente, para mais quatro dias, com família e amigos, comemorando meu aniversário.

Como já mencionei aqui anteriormente, ficar hospedado em lugares como uma reserva ambiental é um presente que todo mundo deveria ter a oportunidade de se dar, porque é uma experiência incrível e com certeza voltamos para casa renovados e com saudade.

E como faço sempre, vou deixar aqui o endereço do instagram do pessoal: @reserva_aguas_do_vale. Ah! Só é possível ir de carro ou de moto, ok?!

Espero que tenham gostado da viagem e espero vocês, em breve,  para turistarmos juntinhos!

Beijos

Daniela Gama

Fotógrafa e colunista da Revista Painel Alagoas 

Postado por Sem Simetria

Campos do Jordão: Um pouco de Europa e uma base africana (Sim, Senhor!)

23.11.2021 às 07:00
Fotos: Daniela Gama


Quem nunca ouviu falar na lindíssima cidade de Campos do Jordão, hein? Não me lembro a primeira vez em que estive, mas sei que foram muitas. De passeio à trabalho, todas as estadias em Campos do Jordão deixaram saudades e motivos para um retorno.

A cidadezinha do estado de São Paulo e localizada na região da Serra da Mantiqueira, tem hoje mais de 52 mil habitantes, a uma altitude de 1628 metros e sua arquitetura é tipicamente europeia com traços marcantes do estilo suíço. Caminhar pelas ruas de Campos é ter aquela sensação de que estamos mesmo em outro país, principalmente na época de inverno. Daí vocês me perguntam: só faz frio no inverno? NÃO! Já estive por duas vezes em Campos do Jordão nos meses de novembro e pasmem: a temperatura máxima de dia era de 21 graus e mínima variando de 8 a 11 a noite. Para mim que sou nordestina isso é frio de inverno dos brabos!

O bom é que todas as casas, restaurantes, hotéis, lojas e etc na cidade são bem preparadas para isso. Afinal, ninguém aguentaria tanto frio o tempo todo, certo? Todos os lugares têm aquecedor para esses dias mais “congelados”.

O que a gente também ama é poder usar aqueles looks com botas, casacos e afins. Se os meninos não concordarem tenho certeza que ao menos as meninas concordarão.  Lareiras, vinhos, chás e tudo que é mais gostoso ainda no inverno faz parte do cenário cotidiano da cidade que encanta milhares de turistas todos os anos. E se querem uma dica: vão na baixa estação! Setembro a novembro ainda tem temperaturas frias e os preços para o turista caem bastante. Além da cidade estar muito mais tranquila de se transitar. No inverno é LO-TA-DA!

Nessa minha última ida a Campos me hospedei na Pousada Casa Mantiqueira. É uma pousada que oferece desde quartos para casal até um chalé com sala e dois quartos que mais parece uma casa de tão grande e tão aconchegante. Outra hospedagem que indico é o Castelo Nacional Inn, pelas instalações e pelo valor que é bem compensatório. E quem não quer se hospedar em um castelo? Acredite, os preços são menores que em muitos lugares simples.

Dessa vez conheci o Sr. Rivelino (motorista de aplicativo e particular, que me conduziu em alguns passeios pela cidade nessa última viagem), que me levou a um restaurante cujo proprietário é baiano. Gente do céu, que delícia de restaurante! “O Barril”, além de servir comida simples e deliciosa no estilo buffet e a la carte, tem um espaço lindíssimo, arejado, cheio e flores e arvores e de quebra você ainda bate um papo gostoso com eles.  Vocês acreditam que até “mocotó e rabada” tem lá? Nem acreditei quando vi! Se você gostam disso não deixem de ir nesse lugar que além de tudo serve fondue a noite e tem vinhos maravilhosos e cervejas artesanais. Essa é uma dica, mas a cidade é repleta de opções das mais diversas para comer bem e com preços bem variados.

Agora cheguei no ponto que me motivou a escrever essa matéria: o que tem Campos do Jordão a ver com os escravos vindos da África? Conforme relato que ouvi do querido guia Sr. Rivelino, a história da cidade se deve aos escravos, que ali começaram a chegar em 1703, trazidos pelos portugueses para o Rio de Janeiro e distribuídos pelo Vale do Paraíba, interior de São Paulo. A riqueza que os portugueses descobriram em Campos foi a riqueza natural, vasta e imponente, com um ar puríssimo. Ao longo das décadas que se seguiram, o Brigadeiro Manoel Rodrigues Jordão comprou aquelas terras, daí a origem do nome da cidade.

Muitos anos depois a história da região entra no ciclo chamado “Ciclo da Cura”, quando muitos escravos acometidos por doenças respiratórias eram abandonados na região da Serra da Mantiqueira. As doenças dizimavam muitos deles, eram altamente contagiosas e mortais e os Senhores das fazendas viam nisso uma forma de se livrar daquelas pessoas – consideradas o foco das doenças, que, inclusive, já matavam também os Senhores e suas famílias. 

Subindo a região da Serra, os escravos doentes alcançaram um lugar chamado “Gruta dos Crioulos”,  localizada na região que hoje é a cidade de Campos do Jordão. Nessa gruta eles se abrigavam e ali eles começavam a sarar e a sobreviver. Era o clima daquele lugar que curava a então conhecida Tuberculose. Vendo tantos escravos sobrevivendo àquela doença mortal foi-se então chamada atenção dos cientistas da época.  A partir de 1864, um Sr chamado Mateus da Costa Pinto comprou aquelas terras e abriu uma pequena venda e um pouso, dando início ao que se chamou de Vila São Mateus do Imbiri. Foi nesse período que iniciou-se a Estância da Cura, oficialmente. O período da cura na região de Campos do Jordão ocorreu até 1940. E a partir daí começa o ciclo do turismo, movido pelo interesse das pessoas de diversas localidades em conhecer e experimentar do lugar cujo “ar puro” era curativo.

Essa história não se ouve muito por lá. Não existe atualmente um Museu ou algo do tipo que reverencie a participação tão fundamental dos negros escravos africanos que tiveram papel fundamental nessa pedra pilar da história de Campos do Jordão e da própria medicina natural curativa, ainda nos séculos passados. Infelizmente! Espero que um dia isso seja mudado.

Se forem a Campos não deixem de procurar Sr. Rivelino. Além de conduzir vocês aos melhores lugares da cidade, ele é um show de simpatia e dá uma aula de história e cultura para nós!

Campos do Jordão está há 200 km de São Paulo capital e você tem a opção de ir de carro ou de ônibus executivo e leito, saindo da rodoviária. As minhas indicações na cidade estão logo ao final do texto.

Espero que tenham gostado de mais uma viagem comigo!

Até a próxima, amores!

Daniela Gama

Fotógrafa e colunista da Revista Painel Alagoas

Estou no Instagram 

EM CAMPOS DO JORDÃO, RECOMENDO: Sr Rivelino Uber e motorista/guia (@rivelino1727 Muito obrigada pela bela aula!), Pousada Casa Mantiqueira (@pousadacasamantiqueira), Hotel Castelo Nacional Inn, Restaurante o Barril. 

Postado por Sem Simetria

Uma paixão chamada Montanhas Capixabas

26.10.2021 às 17:17
Pedra Azul - Dani Gama


Vocês já ouviram falar nas montanhas capixabas? A primeira vez que me falaram dessa região eu estava chegando a Vitória, no Espirito Santo (também pela primeira vez e sobre Vitória eu conto em outra matéria, pois vale cada linha digitada! ) Pois bem, eu não levei muita fé. Massss, sou curiosa e adoro me aventurar por lugares novos.

Comecei a pesquisar tudo sobre as montanhas desse estado brasileiro, pequeno no tamanho mas gigante em belezas naturais e diversidade de paisagens. O povo de lá não gosta muito da comparação, mas como geógrafa que sou, preciso dizer: o Espírito Santo tem uma geografia muito parecida com o estado do Rio de Janeiro e com a própria cidade do Rio. Então se você ainda não foi ao ES mas já foi ao RJ e se deslumbrou com a beleza, pode fazer uma ideia.

Estava em Vitória final de novembro de 2018 e quando comecei a pesquisar sobre as montanhas, especificamente o município de Domingo Martins e a localidade de Pedra azul, eu fiquei doida para conhecer. E o que um doido faz? “só vai!”. Pesquisei hospedagens, passagens e falei: Vou passar o réveillon nesse lugar! Ajeitei tudo ainda enquanto estava em Vitória. Voltando a Salvador e conversando com uma amiga, ela disse: “quero ir também!”. Não por coincidência, minha amiga Leda, é também geógrafa e também adora desbravar lugares cheios de  natureza. Comprou as passagens e ainda conseguiu hospedagem no local que eu havia reservado. Como uma é pouco, duas é bom e três é melhor ainda, faltando dois dias para a nossa viagem intimamos (isso mesmo) nossa amiga Ritinha para embarcar na aventura. E, sem poder dizer que não, ela topou! Até hoje a gente ri disso!

Lá fomos nós, as três mosqueteiras viajantes, passar o réveillon num lugar que estava exatamente contra o fluxo. Reveillon as pessoas preferem descer para o litoral. Nós preferimos subir às montanhas.

Chegando no aeroporto de Vitória contratamos um traslado até Domingos Martins, que fica há 42 km. Foi ali que passamos os três primeiros dias da viagem e a noite de réveillon. A região é lindíssima! Entre montanhas, com uma paisagem totalmente verde e preservada, trata-se de um município cuja cidade principal é pequena e tem um comércio que dispõe de tudo que você precisa. É uma região de um povo muito educado, atencioso e hospitaleiro. No centrinho, conhecido como Campinho, existe a famosa “rua do lazer”, com lojas e restaurantes com arquitetura que remete aos seus colonizadores: italianos, alemães e pomeranos.

Ficamos em uma pousada, que na verdade é uma casa dessas antigas e lindas, administrada pela própria dona, uma jovem simpática e zelosa daquelas que põe a mesa do café seguindo a tradição dos tempos em que sua avó ainda vivia ali, afirma ela. Como tem apenas três quartos a gente se sente verdadeiramente em casa. Agellum Bed & Breakfast é o nome do local. Aliás, uma das coisas legais de lá são essas pousadas pequenas, contando com tempos que exigem cuidados maiores com a nossa saúde e exposição, considero uma opção mais segura. Mas eu sou suspeita: sempre gostei mais de lugares assim.

Dia 31 a noite lá fomos nós para o centrinho da cidade que tinha um pequeno palco montado e um cantor MA-RA-VI-LHO-SO cantando apenas músicas dos anos 80 e 90. Tínhamos marcado com o taxista (Sr Renato) para buscar a gente as 2 horas e desmarcamos duas vezes, de tão bom que estava. Festa de rua numa pracinha, com música boa, sem ninguém pisando no seu pé e fogos de artificio sem barulho em respeito aos animais. Tem como não se apaixonar por um lugar desses? Quase amanhecemos o dia. Um réveillon que ficou na memória!

No dia seguinte seguimos para Pedra Azul. Gente do céu, Pedra Azul é tão lindo, tão gostoso, que dá vontade de morar lá. Com um clima considerado pelos especialistas como um dos melhores climas do mundo, trata-se de um lugarejo com comércio voltado para o turismo e paisagens de tirar o folego, com destaque para a famosa Pedra Azul, que dá origem ao nome do local. Dizem que ela muda de cor, numa variedade de dezenas de tonalidades ao longo do dia, conforme a luz do sol. De qualquer lugar que você esteja você consegue avistar esse ícone da natureza.


Em Pedra Azul passamos mais três dias numa pousada também espetacular: a Pousada Pedra Azul é daquelas que tem a melhor vista, o melhor serviço, e que você não precisa nem sair dela pra nada, porque dá mesmo vontade de só ficar por ali admirando o lago negro, os jardins de hortênsias, as flores que caem do telhado sobre as janelas e de quebra ainda tem uma cachoeira (não apta a banho) bem ao lado da piscina. É! Não dá vontade de sair de um lugar assim!


Pedra Azul conta com roteiros turísticos maravilhosos, com destaque para a Rota do Lagarto. Contratamos o taxista Cleidiano, muito recomendado pelos hotéis e pousadas. Nessa rota encontrei um restaurante que nenhum turista pode deixar de conhecer: o D’Bem Pedra Azul, que fica aos pés da Pedra. Ele é administrado pela própria dona que é de uma gentileza que faz todo mundo se sentir especial. A comida eu chamo de comida afetiva. A gente sente o prazer das pessoas em trabalhar ali. Sem contar que dos drinks à sobremesa, tudo vem com flores comestíveis. Tem coisa mais linda na culinária? O restaurante fica dentro do espaço da Fjordland Cavalgada Ecológica e lá você pode fazer passeios a cavalo e outras coisinhas mais. A ida nesse lugar precisa ser sem pressa. Reserve uma tarde inteira e não irá se arrepender.

Aliás, Pedra Azul é um lugar maravilhoso para praticar o turismo de isolamento, também. Tem algumas boas opções de casas para lugar pelo Airbnb. Um lugar que conheci posteriormente, me hospedei e amei demais, foi a pousada Portal do céu. Como o nome já diz, fica localizada no topo de uma montanha. O trajeto no meio do verde, estrada de barro e a gente acha que não tem mais como subir, e eis que chega-se lá! O local tem apenas 6 suítes, o que lhe confere muita paz, sossego, total conexão com a natureza e uma vista deslumbrante. Literalmente situado acima das nuvens, a Portal do céu dispõe de restaurante e o café da manhã maravilhoso com pães artesanais feitos diariamente pela proprietária.

E por falar nisso, se você não leu minha matéria anterior, falando de turismo de isolamento na Bahia, clica aqui  e leia, pois está imperdível!

Só para constar se eu realmente amei Domingos Martins e Pedra Azul, depois dessa primeira viajem eu já voltei lá três vezes. E como não consigo contar tudo em uma única matéria voltarei depois para falar mais sobre esse paraíso. Ah! Depois de três dias em Pedra Azul nós (eu, Leda e Ritinha) passamos mais três dias em Vitória, encerrando essa viagem organizada de última hora e que deu tão certo!

Abaixo deixo os nomes dos lugares que cito na matéria e que recomendo com total satisfação para vocês, meus leitores amados. Lembrando que todos eles têm Instagram. Basta dar uma pesquisada e vão encontrar.

Em Domingos Martins: Pousada Portal do céu, Agellum Bed & Breakfast e taxista Renato.

Em Pedra Azul: Pousada Pedra Azul, Hotel Bristol, Cafofo Casa da Adriana, Restaurante D´Bem Pedra Azul e taxista Cleidiano.

Finalizo ressaltando que Pedra Azul e Domingos Martins, nas lindas montanhas capixabas, é um roteiro de viagem que pede no mínimo três dias, para desfrutar bem do que a região oferece de mais lindo!

A gente se encontra na próxima matéria! Onde será? 

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Postado por Sem Simetria

Turismo de isolamento

12.10.2021 às 12:40
Barra Grande - Dani Gama


Já começo essa matéria agradecendo muitíssimo o carinho da direção da redação da revista PAINEL ALAGOAS, pelo convite para escrever essa coluna. Somos amigos de longa data e quando uma parceria dessa chega a gente tem a certeza de que amigos independem de distância e de tempo. Os caminhos sempre se cruzam em algum momento.

Bem, eu escolhi falar de turismo de isolamento porque é algo que eu pratico muito. Trata-se do termo recentemente muito utilizado para designar a “saída de casa para turistar em locais isolados, tranquilos”, por períodos médios e longos, eu diria. Bem antes da pandemia, quando essa “modalidade” turística começou a acontecer pelo mundo eu já amava me isolar em lugares de pura paz e conexão com a natureza. Em 2019 tive minha primeira experiência de fato, da qual vou levar sempre comigo, pois dali sai com a saúde física e mental renovada, além de fazer bons amigos. Em setembro daquele ano eu resolvi passar uma semana em Barra Grande, península de Maraú, na Bahia. Trata-se de um vilarejo que não existe pavimentação, todas as ruas são de areia e o melhor jeito de se chegar é de lancha, a partir da cidade de Camamu. Saindo de Salvador, pega-se o ferryboat até a ilha de Itaparica, mais cerca de 3,5 horas de carro (ou ônibus executivo disponível de hora em hora no terminal de Bom Despacho, onde desembarca o ferryboat) até Camamu. Lá tem opções de lanchas em duas empresas ou aluguel de lancha particular. Podemos ir de carro até Barra Grande? Podemos! Eu, inclusive já fiz isso uma vez, mas é preciso consultar antes como está o tempo por lá. Em tempos de chuva, o trecho de estrada de chão chega a ficar impraticável. É longo e cansativo. Mas vale a pena para quem vai passar muitos dias e tem um carro mais apropriado. Eu ainda prefiro o último trecho de lancha.

A primeira sensação que a gente tem nesse trajeto de meia hora de lancha até Barra Grande é de que estamos indo para um paraíso perdido. São várias ilhas com casinhas de pescadores e uma paisagem deslumbrante. A gente perde o olhar naquela imensidão toda. Acredite, são os trinta minutos mais rápidos da sua vida (se as águas estiverem calmas, óbvio! Rsrsrs). E vou contar uma coisa para vocês: eu não sei nadar. E, sim, eu sou normalmente a única que faço a travessia de lanchas usando colete salva vidas! Pode rir, porque até eu dou risada com a cara do povo me olhando, sozinha de coletes. Mas então, cheguei em Barra Grande. Desci no píer e já veio um pessoal simpático que fica com carrinhos de mão para oferecer o serviço de transporte das malas. Quem vai com uma única mochila nem precisa, viu! Mas não é o meu caso. Ainda não aprendi muito a levar o mínimo (mas já evoluí muito nisso).

Contei com a ajuda daquele rapaz e cheguei à pousada que havia reservado. Já cheguei cansada da viagem e já era começo da noite. Só descansei e saí para jantar num restaurante muito convidativo que ficava logo em frente. Era de um casal de mineiros que foram pra Barra Grande a passeio e diziam que nunca mais pensavam em ir embora. Ah! Outra coisa sobre mim: onde chego pergunto os nomes de quem me atende, bato papo e já saio dali cheia de aprendizagens sobre “pessoas”. É bom demais! O casal do restaurante me deu muitas dicas de lugares, praias, restaurantes, passeios, etc etc etc.

Gente, eu fui para Barra Grande para passar uma semana e fiquei duas. Fiquei no hotel o período inicialmente previsto e fiz reserva em uma pousada para os demais dias. Conheci tanta gente nesse período, tantas histórias, fiz amigos. E aquele lugar virou meu xodó a partir dali.

Barra Grande tem praias lindas, badaladas, desertas, rios e encontro de rio com o mar, pôr do sol e nascer do sol de tirar o fôlego, com destaque para a Ponta do Mutá, point do pôr do sol local e famoso por celebridades nacionais e internacionais que vem fazer seu turismo de isolamento por lá. Mas, calma, porque para quem gosta de badalação rola também o Reveillon mais “instagramável” da Bahia e um dos principais do país, chamado de Reveillon Mil Sorrisos. É uma festa que, obviamente, têm atrações maravilhosas e custa caro. Se eu já fui? Nunca nas galáxias! Primeiro por motivos óbvios, segundo porque, realmente, não é o tipo de festa que gosto, mas, não poderia deixar de dar a dica para vocês. Quem vai sempre tem os melhores relatos. Então, vale a pena!

Minha (isso mesmo – minha, porque baiano já usa da possessividade nas palavras...simples assim) Barra Grande têm lugares para todos os gostos e bolsos. Acreditem! Pode-se comer dos pratos mais sofisticados aos mais simples, com duas coisas em comum: a qualidade e o bom atendimento daquele povo. E, bom frisar, que o povo de Barra Grande já não é mais formado apenas pelos nativos. Tem muita gente que foi para visitar, buscando tranquilidade e beleza, e resolveram ficar, montar seu negócio voltado para o turismo, e já se consideram baianos de Maraú.

Depois dessa viagem em 2019 eu voltei a Barra Grande várias vezes. Nem consigo dizer quantas. Sempre que vou, experimento locações diferentes para ir conhecendo e poder dar dicas, além de vivenciar experiências novas. Cada lugar tem seu encanto, sua energia, e esse é um dos fatores que fazem cada viagem ser diferenciada e marcante.

Quando visitarem Barra Grande, pesquisem pelo Bookin, Decolar e Airbnb e suas plataformas preferencias. Cito essas por serem as que mais utilizo. Se querem um período de mais tranquilidade, menos pessoas e a sensação de que você mora ali naquele paraíso tão tranquilo, vá na baixa estação (março a novembro).

Nesse período ainda de pandemia, os estabelecimentos seguem as regras do Estado para controle de aglomeração e distanciamento. Mas nem tem como ficar aglomerado naquele lugar. São muitos e muitos quilômetros de praias para andarmos, relaxarmos, tomar banho de mar em águas tranquilas e viver experiências de conexão com a natureza e consigo mesmo, de maneiras incríveis. Barra Grande é um lugar para visitar em casal, grupo de amigos, família e sozinho também. Eu já fui sozinha algumas vezes e AMO e RECOMENDO! A gente volta sempre renovada e leve!

Para finalizar, quero destacar uma coisa muito importante: o local é muito seguro! Essa é uma das questões que mais pesquiso antes de viajar, principalmente quando vou sozinha. Então, vão despreocupados, porque pode andar em qualquer horário pela praia, pelas ruas, sem medo de ser feliz!

Vou deixar aqui abaixo dicas de restaurantes e pousadas que já me hospedei, que frequento muito, e que super recomendo para vocês: Pizzaria Zugga (Praia dos Três Coqueiros – com delivery muito rápido!), Obar Restaurante (Ponta do Mutá),  Flat De Boa (Praia dos Três Coqueiros), Pousada Tortuga (Praia dos Três Coqueiros), Pousada Taipu de Fora (Praia Taipu de Fora), Restaurante e Bar Macunaíma (Ponta do Mutá) e Bar da Rô (fica às margens do rio Carapitangui de um lado e à beira da praia do lado oposto). Todos eles têm Instagram, tá bem?!

Não dá para falar de Barra Grande em uma única matéria. Tem muita coisa linda, interessante e boa para compartilhar com vocês. Portanto, em outro momento futuro, voltarei a falar mais.

Temos muitos lugares maravilhosos para vivenciar o turismo de isolamento pelo Brasil. Na próxima matéria daremos continuidade de forma mais abrangente ao assunto. Combinado? Agora se deliciem com algumas imagens feitas por mim, desse paraíso que vos apresentei hoje.

Obrigada pela leitura! E se gostaram, compartilhem com os amigos que apreciam viajar por nosso país tão imenso em belezas naturais e culturais.

Até a próxima!

Daniela Gama

Fotógrafa e colunista da Revista Painel Alagoas.

Instagram: @danigamafotografia  

Postado por Sem Simetria


Sem Simetria por Daniela Gama

Daniela Gama é baiana, fotógrafa, mãe e geógrafa. Em seu currículo constam exposições individuais no Memorial da América Latina em São Paulo e mostras coletivas na Europa, incluindo duas em Paris. Seus trabalhos priorizam a moda, a beleza e a inclusão social e das pessoas com deficiência. Em sua coluna no  Painel Alagoas, Dani tem como foco a diversidade num contexto "SEM SIMETRIA", através de suas matérias e entrevistas. 

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