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31/05/2022 às 17h48

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Entrevista com Fabiana Saba

Destaque no mundo da moda na década de 1990, Fabiana Saba concedeu entrevista à Daniela Gama


Um dos principais rostos brasileiros da moda que ganhou destaque no mundo na década de 90, Fabiana Saba interrompeu sua carreira há quase duas décadas. Vive em Nova Yorque, onde se casou e tem duas filhas. Atualmente ela usa sua voz nas redes sociais para levantar a bandeira da diversidade, das questões sociais, da inclusão e da luta pelo rompimento dos padrões de beleza impostos pela sociedade. 

Por Daniela Gama

1 - Você foi uma das modelos brasileiras de maior sucesso tanto na TV como em desfiles e propagandas de grandes marcas. Conta pra gente por que decidiu parar em pleno auge? 

Obrigada! A carreira de modelo eu parei pra ir pra televisão, e a da TV eu parei depois de alguns anos por amor, mas outras coisas também contribuíram. Eu morei fora do Brasil por muitos anos, um dos lugares foi aqui em NYC onde eu vivo agora. Ainda modelo conheci meu marido, mas foi bem na época que estava voltando pro Brasil pra fazer TV. Namoramos a distância, terminamos e depois de mais de um ano resolvemos tentar de novo, e eu saí da TV e mudei pra cá. 

2 - De que forma você avalia a moda e os anseios dos jovens hoje pelo sucesso “a qualquer custo” através das redes sociais ?

Acredito que, como tudo na vida, existem dois lados pra tudo. Hoje em dia, graças a internet, conhecemos modas mais variadas, e trouxemos em pauta a diversidade na moda, ou falta de. Sobre sucesso a qualquer custo, me assusta as pessoas que fazemos famosas, mas no final somos nós, o público que escolhemos quem terá sucesso, então tudo isso diz mais sobre a nossa sociedade do que sobre quem está procurando fama. Ao mesmo tempo, o fato de hoje em dia ser mais fácil conseguir plataforma ajuda a gente conhecer talentos incríveis que talvez nunca tivessem a oportunidade.

3 - Sabemos que você luta pelos direitos das mulheres, defende o feminismo e abraça a inclusão na moda. Fale sobre como tudo isso começou a se fazer presente em sua vida.

Por causa dos meus privilégios eu nunca pensei em representatividade ou padrões. Diariamente eu me via representada em revistas e na televisão. Conforme a internet abriu espaços para vozes diversas eu abri a cabeça e os ouvidos para entender a falta de inclusão na moda e o que ela significa para as pessoas.  Comecei então a pesquisar e aprender sobre representatividade na psicologia, formação de identidade, auto estima e mais, e isso me fez entender a urgência deste assunto. Além disso, eu engordei durante uma época e entendi um pouco sobre como as pessoas veem quem não está no padrão. O mais louco disso tudo é que depois que eu abri a mente eu parei de ver só a beleza que nos e impostas, a eurocentrista, e ver beleza em todos nós!

4 - Você acredita que as redes sociais chegaram para democratizar e dar voz ao povo e às causas sociais e de diversidade? Por que? 

Acredito que é uma forte aliada se usada corretamente. Hoje basta querer aprender mais sobre causas sociais e diversidade. A internet deu voz a muita gente que tem muito o que dizer, mas também os vídeos nos mostram realidades que não vivemos. Com as redes sociais nós podemos ver fatos e não só o que nos é escrito pelos victors. 

5 - Em seu Instagram você compartilha sempre sua família. Fale um pouco da Fabiana Saba mãe e mulher. 

Amo ser mãe, mas reclamo bastante, afinal sou uma mãe real. Não tenho babá e moro longe da família, e tento ser a melhor mãe possível. Aliás aprendi que a gente só consegue mesmo isso, fazer o que dá, e que não devemos romantizar a maternidade, devemos dividir também as partes difíceis e formar um grupo de apoio entre nós. 

Como mulher, continuo apaixonada pelo meu marido, e tenho um casamento saudável (não perfeito porque não existe). Voltei a fazer faculdade e descobri que eu amo aprender!

6 - Hoje em dia qual a sua relação com a moda?

Nunca fui muito de comprar revistas da moda e ser trendy. Hoje em dia só busco conforto. Mas minha relação com a moda revive com minhas filhas. Adoro vê-las descobrir seus próprios estilos.

7 - Eu, enquanto fotógrafa, tive meus principais trabalhos focados na inclusão da pessoa com deficiência na moda. Qual sua visão dessas pessoas hoje em dia nesse mercado de moda e publicidade, considerando que o número de pessoas deficientes em todo o mundo é muito mais expressivo do que imaginamos? 

Ainda estamos bem longe do ideal. A representatividade e inclusão de pessoas com deficiência é muito pequena e não representa a realidade. Estamos melhor do que há dez anos atrás graças a pessoas como você, que trazem a pauta pra dentro da moda, e muitos ativistas com deficiência que estão com plataforma para distribuir suas mensagens. 

8 - Para você como seria a inclusão das mulheres, negros, pessoas gordas, deficientes e LGBTQIA+ em um mundo “Sem Simetria”? 

No dia em que um editorial de joias ou jeans for com pessoas diversas sem ser esse o tema, só falando do jeans, da jóia, etc, e não da deficiência, cor, tamanho da pessoa, a moda realmente será inclusa. Mesma coisa na TV com comerciais, filmes, novelas etc. Mas para isso acontecer precisamos de representatividade não só de modelos ou atores, mas de executivos, diretores, e outros lugares de poder. 

*Editada as 17:40 para acréscimo de informações


Sem Simetria por Daniela Gama

Daniela Gama é baiana, fotógrafa, mãe e geógrafa. Em seu currículo constam exposições individuais no Memorial da América Latina em São Paulo e mostras coletivas na Europa, incluindo duas em Paris. Seus trabalhos priorizam a moda, a beleza e a inclusão social e das pessoas com deficiência. Em sua coluna no  Painel Alagoas, Dani tem como foco a diversidade num contexto "SEM SIMETRIA", através de suas matérias e entrevistas. 

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