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12/10/2021 às 12h40

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Turismo de isolamento

Barra Grande - Dani Gama


Já começo essa matéria agradecendo muitíssimo o carinho da direção da redação da revista PAINEL ALAGOAS, pelo convite para escrever essa coluna. Somos amigos de longa data e quando uma parceria dessa chega a gente tem a certeza de que amigos independem de distância e de tempo. Os caminhos sempre se cruzam em algum momento.

Bem, eu escolhi falar de turismo de isolamento porque é algo que eu pratico muito. Trata-se do termo recentemente muito utilizado para designar a “saída de casa para turistar em locais isolados, tranquilos”, por períodos médios e longos, eu diria. Bem antes da pandemia, quando essa “modalidade” turística começou a acontecer pelo mundo eu já amava me isolar em lugares de pura paz e conexão com a natureza. Em 2019 tive minha primeira experiência de fato, da qual vou levar sempre comigo, pois dali sai com a saúde física e mental renovada, além de fazer bons amigos. Em setembro daquele ano eu resolvi passar uma semana em Barra Grande, península de Maraú, na Bahia. Trata-se de um vilarejo que não existe pavimentação, todas as ruas são de areia e o melhor jeito de se chegar é de lancha, a partir da cidade de Camamu. Saindo de Salvador, pega-se o ferryboat até a ilha de Itaparica, mais cerca de 3,5 horas de carro (ou ônibus executivo disponível de hora em hora no terminal de Bom Despacho, onde desembarca o ferryboat) até Camamu. Lá tem opções de lanchas em duas empresas ou aluguel de lancha particular. Podemos ir de carro até Barra Grande? Podemos! Eu, inclusive já fiz isso uma vez, mas é preciso consultar antes como está o tempo por lá. Em tempos de chuva, o trecho de estrada de chão chega a ficar impraticável. É longo e cansativo. Mas vale a pena para quem vai passar muitos dias e tem um carro mais apropriado. Eu ainda prefiro o último trecho de lancha.

A primeira sensação que a gente tem nesse trajeto de meia hora de lancha até Barra Grande é de que estamos indo para um paraíso perdido. São várias ilhas com casinhas de pescadores e uma paisagem deslumbrante. A gente perde o olhar naquela imensidão toda. Acredite, são os trinta minutos mais rápidos da sua vida (se as águas estiverem calmas, óbvio! Rsrsrs). E vou contar uma coisa para vocês: eu não sei nadar. E, sim, eu sou normalmente a única que faço a travessia de lanchas usando colete salva vidas! Pode rir, porque até eu dou risada com a cara do povo me olhando, sozinha de coletes. Mas então, cheguei em Barra Grande. Desci no píer e já veio um pessoal simpático que fica com carrinhos de mão para oferecer o serviço de transporte das malas. Quem vai com uma única mochila nem precisa, viu! Mas não é o meu caso. Ainda não aprendi muito a levar o mínimo (mas já evoluí muito nisso).

Contei com a ajuda daquele rapaz e cheguei à pousada que havia reservado. Já cheguei cansada da viagem e já era começo da noite. Só descansei e saí para jantar num restaurante muito convidativo que ficava logo em frente. Era de um casal de mineiros que foram pra Barra Grande a passeio e diziam que nunca mais pensavam em ir embora. Ah! Outra coisa sobre mim: onde chego pergunto os nomes de quem me atende, bato papo e já saio dali cheia de aprendizagens sobre “pessoas”. É bom demais! O casal do restaurante me deu muitas dicas de lugares, praias, restaurantes, passeios, etc etc etc.

Gente, eu fui para Barra Grande para passar uma semana e fiquei duas. Fiquei no hotel o período inicialmente previsto e fiz reserva em uma pousada para os demais dias. Conheci tanta gente nesse período, tantas histórias, fiz amigos. E aquele lugar virou meu xodó a partir dali.

Barra Grande tem praias lindas, badaladas, desertas, rios e encontro de rio com o mar, pôr do sol e nascer do sol de tirar o fôlego, com destaque para a Ponta do Mutá, point do pôr do sol local e famoso por celebridades nacionais e internacionais que vem fazer seu turismo de isolamento por lá. Mas, calma, porque para quem gosta de badalação rola também o Reveillon mais “instagramável” da Bahia e um dos principais do país, chamado de Reveillon Mil Sorrisos. É uma festa que, obviamente, têm atrações maravilhosas e custa caro. Se eu já fui? Nunca nas galáxias! Primeiro por motivos óbvios, segundo porque, realmente, não é o tipo de festa que gosto, mas, não poderia deixar de dar a dica para vocês. Quem vai sempre tem os melhores relatos. Então, vale a pena!

Minha (isso mesmo – minha, porque baiano já usa da possessividade nas palavras...simples assim) Barra Grande têm lugares para todos os gostos e bolsos. Acreditem! Pode-se comer dos pratos mais sofisticados aos mais simples, com duas coisas em comum: a qualidade e o bom atendimento daquele povo. E, bom frisar, que o povo de Barra Grande já não é mais formado apenas pelos nativos. Tem muita gente que foi para visitar, buscando tranquilidade e beleza, e resolveram ficar, montar seu negócio voltado para o turismo, e já se consideram baianos de Maraú.

Depois dessa viagem em 2019 eu voltei a Barra Grande várias vezes. Nem consigo dizer quantas. Sempre que vou, experimento locações diferentes para ir conhecendo e poder dar dicas, além de vivenciar experiências novas. Cada lugar tem seu encanto, sua energia, e esse é um dos fatores que fazem cada viagem ser diferenciada e marcante.

Quando visitarem Barra Grande, pesquisem pelo Bookin, Decolar e Airbnb e suas plataformas preferencias. Cito essas por serem as que mais utilizo. Se querem um período de mais tranquilidade, menos pessoas e a sensação de que você mora ali naquele paraíso tão tranquilo, vá na baixa estação (março a novembro).

Nesse período ainda de pandemia, os estabelecimentos seguem as regras do Estado para controle de aglomeração e distanciamento. Mas nem tem como ficar aglomerado naquele lugar. São muitos e muitos quilômetros de praias para andarmos, relaxarmos, tomar banho de mar em águas tranquilas e viver experiências de conexão com a natureza e consigo mesmo, de maneiras incríveis. Barra Grande é um lugar para visitar em casal, grupo de amigos, família e sozinho também. Eu já fui sozinha algumas vezes e AMO e RECOMENDO! A gente volta sempre renovada e leve!

Para finalizar, quero destacar uma coisa muito importante: o local é muito seguro! Essa é uma das questões que mais pesquiso antes de viajar, principalmente quando vou sozinha. Então, vão despreocupados, porque pode andar em qualquer horário pela praia, pelas ruas, sem medo de ser feliz!

Vou deixar aqui abaixo dicas de restaurantes e pousadas que já me hospedei, que frequento muito, e que super recomendo para vocês: Pizzaria Zugga (Praia dos Três Coqueiros – com delivery muito rápido!), Obar Restaurante (Ponta do Mutá),  Flat De Boa (Praia dos Três Coqueiros), Pousada Tortuga (Praia dos Três Coqueiros), Pousada Taipu de Fora (Praia Taipu de Fora), Restaurante e Bar Macunaíma (Ponta do Mutá) e Bar da Rô (fica às margens do rio Carapitangui de um lado e à beira da praia do lado oposto). Todos eles têm Instagram, tá bem?!

Não dá para falar de Barra Grande em uma única matéria. Tem muita coisa linda, interessante e boa para compartilhar com vocês. Portanto, em outro momento futuro, voltarei a falar mais.

Temos muitos lugares maravilhosos para vivenciar o turismo de isolamento pelo Brasil. Na próxima matéria daremos continuidade de forma mais abrangente ao assunto. Combinado? Agora se deliciem com algumas imagens feitas por mim, desse paraíso que vos apresentei hoje.

Obrigada pela leitura! E se gostaram, compartilhem com os amigos que apreciam viajar por nosso país tão imenso em belezas naturais e culturais.

Até a próxima!

Daniela Gama

Fotógrafa e colunista da Revista Painel Alagoas.

Instagram: @danigamafotografia  

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Turistando por Daniela Gama

Dani é fotógrafa, geógrafa, mãe e amante de questões que envolvem moda, cultura, arte, diversidade e natureza. Com mais de dez  exposições fotográficas pelo Brasil, Portugal e França, tem na fotografia um amor que ela intitula de “terapia artística”. Apaixonada pela cultura e pela geografia tão vasta do nosso país, ela assina essa coluna que trará relatos de sua experiência de viajante brasileira, tratando de tantos temas que são inerentes à uma viagem. E, acreditem, são muitos! De dicas de locação, hotéis, pousadas, restaurantes, espaços culturais, eventos locais a dicas de como aproveitar da melhor forma cada viagem, para que sejam sempre únicas e inesquecíveis. Vamos com a Dani Gama? 

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