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23/11/2021 às 07h00

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Campos do Jordão: Um pouco de Europa e uma base africana (Sim, Senhor!)

Fotos: Daniela Gama


Quem nunca ouviu falar na lindíssima cidade de Campos do Jordão, hein? Não me lembro a primeira vez em que estive, mas sei que foram muitas. De passeio à trabalho, todas as estadias em Campos do Jordão deixaram saudades e motivos para um retorno.

A cidadezinha do estado de São Paulo e localizada na região da Serra da Mantiqueira, tem hoje mais de 52 mil habitantes, a uma altitude de 1628 metros e sua arquitetura é tipicamente europeia com traços marcantes do estilo suíço. Caminhar pelas ruas de Campos é ter aquela sensação de que estamos mesmo em outro país, principalmente na época de inverno. Daí vocês me perguntam: só faz frio no inverno? NÃO! Já estive por duas vezes em Campos do Jordão nos meses de novembro e pasmem: a temperatura máxima de dia era de 21 graus e mínima variando de 8 a 11 a noite. Para mim que sou nordestina isso é frio de inverno dos brabos!

O bom é que todas as casas, restaurantes, hotéis, lojas e etc na cidade são bem preparadas para isso. Afinal, ninguém aguentaria tanto frio o tempo todo, certo? Todos os lugares têm aquecedor para esses dias mais “congelados”.

O que a gente também ama é poder usar aqueles looks com botas, casacos e afins. Se os meninos não concordarem tenho certeza que ao menos as meninas concordarão.  Lareiras, vinhos, chás e tudo que é mais gostoso ainda no inverno faz parte do cenário cotidiano da cidade que encanta milhares de turistas todos os anos. E se querem uma dica: vão na baixa estação! Setembro a novembro ainda tem temperaturas frias e os preços para o turista caem bastante. Além da cidade estar muito mais tranquila de se transitar. No inverno é LO-TA-DA!

Nessa minha última ida a Campos me hospedei na Pousada Casa Mantiqueira. É uma pousada que oferece desde quartos para casal até um chalé com sala e dois quartos que mais parece uma casa de tão grande e tão aconchegante. Outra hospedagem que indico é o Castelo Nacional Inn, pelas instalações e pelo valor que é bem compensatório. E quem não quer se hospedar em um castelo? Acredite, os preços são menores que em muitos lugares simples.

Dessa vez conheci o Sr. Rivelino (motorista de aplicativo e particular, que me conduziu em alguns passeios pela cidade nessa última viagem), que me levou a um restaurante cujo proprietário é baiano. Gente do céu, que delícia de restaurante! “O Barril”, além de servir comida simples e deliciosa no estilo buffet e a la carte, tem um espaço lindíssimo, arejado, cheio e flores e arvores e de quebra você ainda bate um papo gostoso com eles.  Vocês acreditam que até “mocotó e rabada” tem lá? Nem acreditei quando vi! Se você gostam disso não deixem de ir nesse lugar que além de tudo serve fondue a noite e tem vinhos maravilhosos e cervejas artesanais. Essa é uma dica, mas a cidade é repleta de opções das mais diversas para comer bem e com preços bem variados.

Agora cheguei no ponto que me motivou a escrever essa matéria: o que tem Campos do Jordão a ver com os escravos vindos da África? Conforme relato que ouvi do querido guia Sr. Rivelino, a história da cidade se deve aos escravos, que ali começaram a chegar em 1703, trazidos pelos portugueses para o Rio de Janeiro e distribuídos pelo Vale do Paraíba, interior de São Paulo. A riqueza que os portugueses descobriram em Campos foi a riqueza natural, vasta e imponente, com um ar puríssimo. Ao longo das décadas que se seguiram, o Brigadeiro Manoel Rodrigues Jordão comprou aquelas terras, daí a origem do nome da cidade.

Muitos anos depois a história da região entra no ciclo chamado “Ciclo da Cura”, quando muitos escravos acometidos por doenças respiratórias eram abandonados na região da Serra da Mantiqueira. As doenças dizimavam muitos deles, eram altamente contagiosas e mortais e os Senhores das fazendas viam nisso uma forma de se livrar daquelas pessoas – consideradas o foco das doenças, que, inclusive, já matavam também os Senhores e suas famílias. 

Subindo a região da Serra, os escravos doentes alcançaram um lugar chamado “Gruta dos Crioulos”,  localizada na região que hoje é a cidade de Campos do Jordão. Nessa gruta eles se abrigavam e ali eles começavam a sarar e a sobreviver. Era o clima daquele lugar que curava a então conhecida Tuberculose. Vendo tantos escravos sobrevivendo àquela doença mortal foi-se então chamada atenção dos cientistas da época.  A partir de 1864, um Sr chamado Mateus da Costa Pinto comprou aquelas terras e abriu uma pequena venda e um pouso, dando início ao que se chamou de Vila São Mateus do Imbiri. Foi nesse período que iniciou-se a Estância da Cura, oficialmente. O período da cura na região de Campos do Jordão ocorreu até 1940. E a partir daí começa o ciclo do turismo, movido pelo interesse das pessoas de diversas localidades em conhecer e experimentar do lugar cujo “ar puro” era curativo.

Essa história não se ouve muito por lá. Não existe atualmente um Museu ou algo do tipo que reverencie a participação tão fundamental dos negros escravos africanos que tiveram papel fundamental nessa pedra pilar da história de Campos do Jordão e da própria medicina natural curativa, ainda nos séculos passados. Infelizmente! Espero que um dia isso seja mudado.

Se forem a Campos não deixem de procurar Sr. Rivelino. Além de conduzir vocês aos melhores lugares da cidade, ele é um show de simpatia e dá uma aula de história e cultura para nós!

Campos do Jordão está há 200 km de São Paulo capital e você tem a opção de ir de carro ou de ônibus executivo e leito, saindo da rodoviária. As minhas indicações na cidade estão logo ao final do texto.

Espero que tenham gostado de mais uma viagem comigo!

Até a próxima, amores!

Daniela Gama

Fotógrafa e colunista da Revista Painel Alagoas

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EM CAMPOS DO JORDÃO, RECOMENDO: Sr Rivelino Uber e motorista/guia (@rivelino1727 Muito obrigada pela bela aula!), Pousada Casa Mantiqueira (@pousadacasamantiqueira), Hotel Castelo Nacional Inn, Restaurante o Barril. 


Turistando por Daniela Gama

Dani é fotógrafa, geógrafa, mãe e amante de questões que envolvem moda, cultura, arte, diversidade e natureza. Com mais de dez  exposições fotográficas pelo Brasil, Portugal e França, tem na fotografia um amor que ela intitula de “terapia artística”. Apaixonada pela cultura e pela geografia tão vasta do nosso país, ela assina essa coluna que trará relatos de sua experiência de viajante brasileira, tratando de tantos temas que são inerentes à uma viagem. E, acreditem, são muitos! De dicas de locação, hotéis, pousadas, restaurantes, espaços culturais, eventos locais a dicas de como aproveitar da melhor forma cada viagem, para que sejam sempre únicas e inesquecíveis. Vamos com a Dani Gama? 

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