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11/09/2019 às 22h00

Cultura

Exposição Arca Zoomórfica recebe alunos do Centro Estadual de Educação Cyro Accioly

Através do tato, visitantes conheceram os animais mágicos do artista José Paulo

Através do tato, visitantes conheceram os animais mágicos do artista José Paulo - Hannah Copertino/Agência Alagoas

A arte é livre, libertadora, pulsante, estimulante, reflexiva, inclusiva e muito mais. Grande aliada da educação, é um instrumento que une e que proporciona um misto de sensações, pensamentos e sentimentos no espectador. Com todo esse potencial, representantes das escolas tem trocado a sala de aula pela galeria de arte.

O Complexo Cultural Teatro Deodoro é a prova disso. Quase diariamente vem recebendo alunos para visitar as mostras em cartaz. A exposição Arca Zoomórfica, do artista José Paulo, já recebeu quase 1.500 pessoas em menos de um mês, a maioria estudantes.

“É gratificante poder unir arte e educação, trazer os estudantes para os nossos espaços e levar a cultura para um número cada vez maior de pessoas. Sinto-me realizada enquanto gestora e professora, reafirmando o compromisso da Diteal com o seu papel. Cuidamos do agendamento das escolas com muito zelo e carinho. Estamos sempre de portas abertas para os estudantes”, pontuou a diretora presidente da Diteal, Sheila Maluf.

Uma dessas visitas foi muito especial porque reuniu os alunos cegos do Centro Estadual de Educação Cyro Accioly. Em vez dos olhos, era o tato que conduzia o passeio dos estudantes entre os animais que compõem a mostra. A cada toque nas obras, descobertas que estimulavam o raciocínio e a criatividade e proporcionavam imensa felicidade aos alunos.

Daniel Luciano Ribeiro Prado, aluno da Cyro Acioly, conta o que achou da exposição, com entusiasmo. “O elemento tátil é ótimo, dá pra sentir cada elemento das obras e os detalhes. O artista é maravilhoso! Soube fazer direitinho os animais: o cavalo com a crina e o rabo, as aranhas, os besouros. Quem é cego percebe tudo isso”, disse.

A professora de geografia, Ranúzia Costa, destaca a importância da arte enquanto um instrumento de educação e inclusão social. “Eles tiveram oportunidade de tocar em cada peça. Foi interessante porque eles mesmos foram dizendo o que achavam e acertavam na proposta do artista. Eles ficaram muito felizes, se sentiram incluídos, importantes e inseridos numa sociedade igualitária”, afirmou.

O Jailton da Silva Oliveira, aluno da Cyro Acioli, esteve em uma galeria de arte pela primeira vez. “Foi uma experiência fora do comum, inédita, gostei muito dos bichos que eu conheço. Já os fictícios me chamaram atenção pela criatividade do artista, do homem usando isso para o bem. Prestei atenção que ele usa solda, parafuso, metal, tanque e corrente de moto, interessante”, observou.

Sobre a exposição Arca Zoomórfica

A exposição Arca Zoomórfica reúne mais de 100 esculturas feitas com materiais diversos pelo artista José Paulo. Metais, madeira, plástico, parafusos, hélice de ventilador, corrente de moto... Tudo isso se torna suporte para construção das obras de José Paulo, que retira das ruas o que seria lixo para transformar em arte.

Paulo nasceu na Fazenda Bonito, em Chã Preta, município do estado de Alagoas. Na infância, teve seus primeiros contatos com a arte. Fazia pincéis com gravetos e pelos de rabo de cavalo para pintar santos das casas da vizinhança. Em troca recebia ovos, pintos, galinhas… Ainda criança mudou-se com a família para Maceió. Dedicou-se à marcenaria, profissão que abriu caminho para a serralharia. É um artista autodidata.

Em 2013, vislumbrou o potencial de construir seus bichos-brinquedos ao se deparar com uma galinha feita de metal. Lançou-se ao experimento, um desafio às suas habilidades de serralheiro, fez outra parecida para ver as possibilidades… E foi assim que começou a libertar os bichos do seu imaginário. Em seu ateliê, no Bom Parto, armazena, além de metais, madeiras, sucatas e outros materiais, sonhos.

“Faço minha arte para todo mundo. Sinto-me orgulhoso com essa exposição, mostrando meu trabalho. Vim do mato, sem saber de nada e aqui progredi, procurando na reciclagem um meio para passar o que eu sinto, para crescer, fazer o que gosto. É um trabalho maravilhoso”, revela o artista.

Com curadoria de Alice Barros, a exposição Arca Zoomórfica fica em cartaz até o dia 27 deste mês, no Complexo Cultural Teatro Deodoro, Centro de Maceió, de segunda a sábado, das 8h às 18h; às quartas, das 8h às 20h; domingos e feriados, das 14h às 17h, com entrada gratuita. Grupos de escolas e instituições sociais podem agendar a visita guiada gratuitamente pelo 82 98884-6885 ou [email protected].

Vale lembrar que também está aberta a exposição Signos Mimético-Poéticos, do artista Robertson Dorta e da curadora de Alice Barros, no mezanino do Complexo.


Fonte: Agência Alagoas

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