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20/01/2021 às 16h30

Cultura

FMAC discute Xangô Rezado Alto com representantes das Casas de Axé

Evento combate a intolerância religiosa na Capital

Técnicos da Fmac e presidenta, Mírian Monte, no encontro sobre o Xangô Rezado Alto - Ascom/Fmac

Yalorixás, Babalorixás e representantes das Casas de Axé de Maceió participaram de uma reunião com a equipe técnica e a presidenta da Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC). Em pauta, a discussão sobre a realização do Xangô Rezado Alto. O credenciamento dos grupos de matriz africana, especificado no Edital Número 004/2020, foi suspenso em abril de 2020, devido à pandemia de Covid-19 (Coronavírus). A importância da realização do evento se dá em virtude das celebrações em torno da memória social e cultural das Casas de Axé em Maceió e no combate à intolerância religiosa.

No encontro, que ocorreu na terça-feira (19), na sala de reuniões da Prefeitura de Maceió, os técnicos da FMAC apresentaram as limitações legais para a realização do evento, já que há decretos federais, estaduais e municipal que proíbem a aglomeração de pessoas em espaços públicos por conta dos protocolos de segurança de combate ao coronavírus. Ficou estabelecido que na terça-feira (26) uma nova reunião com os representantes das casas de axé vai definir a realização de ações não-presenciais para celebrar e chamar a atenção da sociedade sobre o combate à intolerância religiosa.

Quebra de Xangô

Do dia primeiro até a madrugada do dia dois de fevereiro de 1912 ocorreu um dos fatos mais trágicos de nossa história e cultura, o Quebra de Xangô, quando a Liga dos Republicanos Combatentes, que fazia oposição ao então governador Euclides Malta, invadiu e destruiu os terreiros e agrediu com espancamentos e prisões os Babalorixás e as Yalorixás como Mãe Marcelina. A frase pronunciada por ela virou símbolo de combate à intolerância religiosa: “Quebra tudo, só não quebra o saber!”

Assim denominado pelos especialistas, sejam historiadores e antropólogos, e aceito pelos candomblecistas e umbandistas, o Quebra de Xangô trouxe consequências negativas para os adeptos das religiões de matriz africana e para as identidades cultural e religiosa do povo de axé de Maceió e do estado de Alagoas.

Pais e mães de santo fugiram do estado como os da Nação Xambá, que partiram para o estado vizinho, Pernambuco, enquanto outros de diferentes nações permaneceram em Maceió e nos outros municípios alagoanos, mas realizavam suas celebrações religiosas em silêncio.

Para reparar os danos causados pelo preconceito, já no século XXI, o então governador Teotônio Vilela Filho pediu perdão, de forma oficial, ao povo de axé pela violência e intolerância religiosa praticadas pelo estado de Alagoas. Nesse mesmo ano ocorreu a primeira edição do Xangô Rezado Alto, então organizado pela Universidade Estadual de Alagoas, Uneal. A partir de 2013, a Prefeitura de Maceió, através da FMAC, assumiu a realização do evento.


Fonte: Ascom Fmac

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