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23/08/2014 às 17h12

Cultura

Mestre Pancho: a história do 'marujo' que mantém vivo o fandango no Pontal

Ele herdou do pai, o saudoso mestre Isaldino, o amor à tradição e em 2012 foi reconhecido como Patrimônio Vivo do estado

Mestre Pancho participou do folguedo pela primeira vez aos 13 anos, como marujo

Reconhecido como Patrimônio Vivo de Alagoas em 2012, Ronaldo da Costa representa a quarta geração a comandar o Fandango do Pontal da Barra, folguedo de origem portuguesa existente na localidade desde 1930. Mestre Pancho, como é conhecido, herdou do pai, o saudoso mestre Isaldino, o amor pela tradição e a vontade de preservar a cultura popular. A quarta reportagem da Série Mestres do Saber mostra a história desse “marujo” que mantém vivo o Fandango no bairro.
 
No grupo conduzido por Pancho, formado por 37 pessoas, figuram personagens que fazem alusão à Marinha, com trajes específicos e indumentárias que remetem as tripulações de antigos navios de guerra. Os participantes entoam peças cantadas que narram a trajetória, repleta de aventuras, de uma nau perdida no mar.

“O Fandango alagoano que vive aqui no Pontal tem uma identidade própria, chegou de um jeito e logo foi se adaptando ao local, à cultura e ao povo”, explicou o mestre, que participou do folguedo pela primeira vez aos 13 anos como marujo.
 
Há quatro décadas, desde quando assumiu o comando do grupo a pedido dos moradores da região, mestre Pancho incluiu as mulheres no Fandango, antes com restrito aos homens. “Foi comigo que as mulheres começaram a participar da brincadeira. Não tinha sentido deixar elas de fora já que também podem entrar na Marinha”, justificou o mestre.
 
A consciência de que a ‘brincadeira’ faz parte das tradições da cultura popular alagoana e corresponde às raízes de identidade do Pontal, segundo Ronaldo, veio junto aos ensinamentos do pai e, hoje, refletem nos filhos e netos. A família está sempre presente no mundo do folguedo, todos sabem as canções e participam de tudo o que o envolve, como as apresentações, ensaios e fardamento.

Aposentado e com uma renda extra que vem da pesca e da bolsa vitalícia que recebe como estímulo pela atividade cultural, mestre Pancho considera o Registro de Patrimônio Vivo “uma conquista para o estado. É importante Alagoas reconhecer as suas origens, os folguedos e o seu povo”.


Fonte: Agência Alagoas

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