Recordação de família: Renato Russo e o filho, Giuliano Manfredini, em uma das únicas fotos dos dois juntos
Nesta terça-feira (11) faz 15 anos que o cantor e poeta Renato Russo morreu. No entanto, mesmo com sua ausência, suas canções se eternizaram e até hoje são lembradas.
Para o filho Giuliano Manfredini, que tinha sete anos quando o cantor morreu, ficam as lembranças de outras pessoas sobre seu pai e a frustração por isso.
- É muito injusto ter as lembranças contadas pelos outros. As pessoas que você nem conhece têm a lembrança de seu pai que você não tem.
Em conversa com o R7, Giuliano falou sobre a responsabilidade que precisa enfrentar por ser filho de um ícone que marcou gerações. Hoje trabalhando com produção de shows e eventos, o jovem tenta passar os ensinamentos de seu pai aos seus trabalhos.
- A influência que tem o nome do meu pai afeta diretamente a minha vida. Aproveito disso para fazer algo maior. Para unir o nome dele com as minhas ideias. E isso acaba virando algo mágico. É místico ter ele como referência.
A frente da empresa de eventos Mundano, em Brasília (DF), Giuliano está produzindo seu primeiro grande festival, que neste final de semana levará 20 bandas a Praça da Fonte, em Brasília, entre eles os americanos do Bad Religion, os uruguaios do Motosiera e a banda italiana Clan Bastardo. O evento será de graça, ao ar livre.
Segundo Giuliano, o evento vai homenagear Renato Russo, além de Redson, vocalista e fundador do Cólera, que morreu no último dia 27 e iria se apresentar no festival.
- É uma homenagem artística ao meu pai. É um jeito de passar a mensagem dele. Passar para frente tudo o que ele tinha como ideal.
Para o jovem, falta no rock atitudes como as de seu pai de usar o rock como algo de conteúdo e com embasamento em ideais.
- Falta atitude no rock 'n'roll. Falta caras como meu pai e como o Cazuza.
Carinho dos fãs
Um pouco mais melancólica nesta terça por conta dos 15 anos de saudade do filho, Carminha Manfredini, a mãe do cantor, falou sobre o carinho que até hoje recebe do público, principalmente em datas marcantes como essa.
- O carinho do público com a gente [a família] é muito grande. É como se ele estivesse aqui. E, na verdade, ele está mesmo, pois ele deixou um trabalho muito bonito que permance até hoje. Durante muitos anos ainda vamos ouvi-lo e concordar com as coisas que ele dizia. A humanidade vai e vem e são os mesmos sentimentos. Ele soube sentir, escrever e se expressar em suas músicas.
Com a atividade musical de Giuliano, Carminha se vê novamente vivendo a apreensão da época de Junior (modo como chama Renato Russo). Ela conta que pai e filho não se parecem em nada na personalidade, somente no gosto pela música.
Com o Giuliano produzindo os festivais, ela sente como se começasse tudo novamente.
- Eu tinha pavor quando o Junior saía para os shows. Sempre fiquei muito apreensiva para que tudo desse certo. Isso está se repetindo agora. Ele [Giuliano] é muito confiante e quer que eu vá nos shows que ele faz. Mas eu sempre dou um jeito de fugir [risos].
Fonte: R7