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17/11/2019 às 18h00

Entretenimento

Painel entrevista Milton Nascimento

Divulgação


Por Ricardo Leal

É de Milton Nascimento, a palavra que traduz o sentimento que o brasileiro deve ter no atual cenário nacional: esperança. Em entrevista  à Revista Painel Alagoas, o cantor e compositor, que estará em Maceió no próximo dia 22 com o seu show Clube da Esquina, diz que o repertório trazido nesta turnê tem a missão de levar fé às pessoas.

Aos 76 anos de idade, Milton, o Bituca, nascido em uma comunidade da Tijuca, no Rio de Janeiro, e mineiro de coração, lamenta que não se tenha, na política, seguidores do saudoso senador alagoano Teotônio Vilela, o Menestrel. “Fernando Brant e eu fizemos Me­nestrel para o Teotônio, e é uma pena que praticamente nenhum político siga seu exemplo nos dias de hoje”, destacou o artista.

Milton retorna a Maceió com um uma obra que percorre todo o Brasil e já foi apresentada a nove outros países. Nela, canções como O Trem Azul, Cais, Cravo e Canela, Maria, Maria, e Nada Será Como Antes, além da clássica Para Lennon e McCartney, tirada do disco Solo Milton, do ano de 1970. “Olha, nunca fui tão feliz fazendo uma turnê como tem sido essa agora do Clube da Esquina em 2019”, define o artista.

Painel Alagoas - Bem vindo ao Estado de Alagoas. Milton, o que significa o show Clube da Esquina? O que esse repertório traduz neste momento brasileiro? 

Milton Nascimento - Acredito que a palavra que a gente mais tem que ter em mente neste momento é esperança. E esse show tenta passar exatamente isso. 

Painel Alagoas – Como músico, artista que enfrentou em inicio de carreira a censura da ditadura militar, a cultura de lá para cá avançou em quais momentos? Hoje, podemos dizer que há vida na cultura nacional? 

Milton Nascimento - Até nos tempos mais complicados a cultura brasileira sempre se manteve em todas as épocas. E hoje não poderia ser diferente. A arte é um dos pilares fundamentais da vida.

Painel Alagoas – A tecnologia tem sido mais herói ou vilão na cultura? É mais fácil ou mais difícil combater a pirataria a partir da internet? Você acha que as redes sociais funcionam mais ou menos a favor da cultura? 

Milton Nascimento - Sabendo usar a tecnologia da forma correta, ela sempre vai contribuir. E as redes sociais funcionam da mesma forma.

Painel Alagoas – Em setembro passado, à Folha de São Paulo, você disse que a música brasileira “tá uma merda”. Referiu-se às letras das músicas atuais como uma “porcaria”. As pessoas perderam o ouvido para a boa música? Os artistas de hoje deixaram de compreender a música como arte? 

Milton Nascimento - Acho que cada artista deve fazer aquilo que lhe faz se sentir melhor. A pessoa deve ser livre para produzir do jeito que quiser, para ouvir o quiser e, principalmente, consumir cultura da forma que tiver mais afinidade. 

Painel Alagoas – A polêmica criada nas redes sociais por causa dessa sua declaração o incomodou? A intolerância lhe parece mais carregada na internet? Como debater um tema como esse sem trazer à tona a agressividade que parece tomar conta atualmente das reações na internet? 

Milton Nascimento - Hoje em dia todo mundo pode falar o quiser através das redes. Então, sempre vai ter uma opinião diferente sobre qualquer assunto. 

Painel Alagoas – Ainda na entrevista à Folha de São Paulo, você revela que perdeu a vontade de compor por estar triste, que lhe falta inspiração. O que em geral o leva a essa tristeza? Você acha que outros compositores e cantores como você também se sentem tristes, sem inspiração? Há quanto tempo você não compõe? 

Milton Nascimento - Não faz muito tempo. Quando eu disse naquela entrevista “vontade de compor” eu tava falando de uma coisa como trabalho diário e tal... Atualmente já não tenho mais essa busca, eu deixo que as coisas aconteçam.

Painel Alagoas – Milton, o que difere do público de seu início de carreira para o público de hoje, deste artista renomado e premiado mundialmente? E como você se sente hoje com essa estrada percorrida na música? Há alguma diferença entre o Milton que cantava e fazia composições nas calçadas mineiras, com Lô Borges, por exemplo, e a celebridade que você se tornou? 

Milton Nascimento - Com o tempo tudo muda, não tem jeito. A mudança faz parte da vida. E a gente tem que se adaptar.

Painel Alagoas – Já ter se apresentado ao lado de grandes nomes, como Wayne Shorter, Ron Carter, Herbie Hancock, Elis Regina, Tom Jobim, Mercedes Sosa, Sarah Vaughan, Paul Simon, James Taylor, Peter Gabriel, Sting, Pablo Milanês, feito parcerias com Fernando Brant, Chico Buarque, Ronaldo Bastos, Márcio Borges, Gilberto Gil, e tantos outros famosos, traz que sentimento a você, agora, aos 76 anos de idade e mais de 50 anos de carreira?

Milton Nascimento - Olha, nunca fui tão feliz fazendo uma turnê como tem sido essa agora do Clube da Esquina em 2019. A gente tem viajado o Brasil inteiro (e também já fomos para nove países), e a nossa alegria só aumenta.

Painel Alagoas – Não há como entrevistar você e não falar das Diretas Já. Principalmente aqui em Alagoas ontem temos o Menestrel das Alagoas (Teotônio Brandão Vilela) como referência. Qual o seu sentimento atualmente, com aquela causa levantada por tantos brasileiros, entre eles você com seu “Coração de Estudante”, que virou hino da redemocratização brasileira? 

Milton Nascimento - Fer­nando Brant e eu fizemos Menestrel para o Teotônio, e é uma pena que praticamente nenhum político siga seu exemplo nos dias de hoje. 

Trajetória

Quando contrariado, fazia um bico tão peculiar que o tique lhe rendeu o apelido: Bituca. Isso quando ainda era criança, no interior de Minas Gerais. Nascido no Rio de Janeiro, filho de uma empregada doméstica, Milton Nascimento ficara órfão aos dois anos. Lília, uma das filhas da patroa, tinha acabado de se casar e perguntou à avó do garoto se poderia adotá-lo. Logo o menino mudou-se com os novos pais para Três Pontas (MG). A mãe, adivinhe, era professora de música. Milton cresceu num ambiente propício para que, aos 13 anos, fosse crooner de um conjunto de baile, junto com Wagner Tiso.

Embora tenha gravado a primeira canção em 1962 e, em 1964, cantasse em bares de Belo Horizonte um repertório que incluía faixas de sua autoria, foi em 1967 que ele estourou, conquistando o segundo lugar no 2º Festival Internacional da Canção, no Rio. O nome da música? “Travessia“, título roubado de outro mineiro, João Guimarães Rosa, do livro “Grande Sertão: Veredas”.

A canção foi a primeira escrita pelo então repórter Fernando Brant. Como Brant se recusasse a assumir a tarefa, ciente do tamanho do parceiro, Bituca fez o bico de sempre, contrariado. Mas deixou a fita e estipulou um prazo. Semanas depois, Fernando Brant debutava como poeta. “Solto a voz nas estradas / já não quero parar / meu caminho é de pedra / como posso sonhar”. Impressionada com a música, Elis Regina gravou “Travessia” menos de um mês depois do festival. Ela já havia gravado “Canção do Sal” no ano anterior e voltaria a gravar Milton muitas vezes nos anos seguintes, totalizando mais de uma dúzia de canções.

Nos anos 1970, Bituca formaria o grupo Clube da Esquina com amigos de Belo Horizonte: Lô e Márcio Borges, Ronaldo Bastos, Fernando Brant, Tavinho Moura, Beto Guedes, Flávio Venturini e Toninho Horta. Os dois discos lançados pelo conjunto teriam grande repercussão, tantas eram as inovações de estilo, arranjo e repertório, cuja intenção era misturar cantigas do interior com o som que vinha dos Beatles.

Deles fazem parte algumas das canções mais engajadas de Milton, como “Nada Será Como Antes” (“Que notícias me dão dos amigos? / Que notícias me dão de você?”), “Saídas e Bandeiras Nº 2” (“Andar por avenidas / enfrentando o que não dá mais pé”), “Paisagem da Janela” (“Quando eu falava desses homens sórdidos / quando eu falava desse temporal / você não escutou / você não quis acreditar”) ou “Credo” (“Tenha fé no nosso povo que ele resiste / tenha fé no nosso povo que ele insiste”).

Em 1978, Milton foi o primeiro a gravar “Cálice” com Chico Buarque, tão logo a letra foi liberada. Musicou Drummond, gravou Violeta Parra e, em 1981, compôs a música da Missa dos Quilombos, um importante projeto de cunho político-social feito em parceria com o poeta Pedro Tierra e o bispo Dom Pedro Casaldáliga. Finalmente, Milton tornou-se o compositor mais executado na campanha das Diretas, com duas canções reproduzidas à exaustão nos comícios: “Coração de Estudante” e “Menestrel das Alagoas“, ambas de 1983.

Tem como parceiros e músicos que regravaram suas composições, nomes como Wayne Shorter, Pat Metheny, Björk, Peter Gabriel, Sarah Vaughan, Chico Buarque, Gal Costa, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Fafá de Belém, Simone e Elis Regina. Já recebeu 5 prêmios Grammy.  Em 1998, ganhou o Grammy de Best World Music Album in 1997. Milton já se apresentou na América do Sul, América do Norte, Europa, Ásia e África.

Até agora, Milton Nascimento já gravou 34 álbuns. Cantou com dúzias de outros artistas, incluindo Maria Bethânia, Elis Regina, Gal Costa, Jorge Ben Jor, Caetano Veloso, Simone, Chico Buarque, Clementina de Jesus, Gilberto Gil, Lô Borges, Beto Guedes, Paul Simon, Criolo, Angra, Peter Gabriel, Duran Duran (com quem co-escreveu e gravou a faixa "Breath After Breath", de 1993), Herbie Hancock e Quincy Jones.

SERVIÇO 

Show: MILTON NASCIMENTO – CLUBE DA ESQUINA

Local: Space Shopping (estacionamento do Maceió Shopping)

Data: 22 de novembro

Abertura da casa: 21h 

Ingressos:

Pista: R$ 80,00 (meia) e R$ 160,00 (inteira)

Camarote: R$ 200,00

Mesa para 4 pessoa: R$ 1.400,00 (all inclusive)

01 (um) lugar à mesa: R$ 350,00 (all inclusive) 

Pontos de venda:

Erva Doce Doce Erva – Rua Mário de Gusmão – Ponta Verde

Cantão – Av. Dr. Antônio Gomes de Barros, 836 – Loja 1 – Jatiúca (antiga Av. Amélia Rosa)

Acesso Vip – Parque Shopping- térreo

Acesso Vip – Unicompra Farol 

Venda on line: www.suechamusca.byinti.com

Info: 82 3235-5301

 Whats: 82 99928-8675

fb.com/suechamusca

@suechamuscaoficial

*Entrevista publicada originalmente na edição 34 da revista Painel Alagoas


Fonte: Painel Alagoas

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