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20/03/2019 às 18h30

Geral

USP: Calouros autodeclarados pretos, pardos e indígenas chegam a 25%

No ano passado, o índice foi de 18,5%

Em 2019, o número de calouros autodeclarados pretos, pardos e indígenas (PPI) nos cursos de graduação da Universidade de São Paulo (USP) aumentou. Neste ano, dos 10.779 alunos ingressantes, segundo dados referentes à quarta chamada da Fuvest e segunda chamada do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), 2.734 são estudantes pertencentes a esse grupo, o que representa 25,7% do número total de vagas, independentemente da modalidade de concorrência.

No ano passado, o índice foi de 18,5%. De acordo com informações da Pró-Reitoria de Graduação, 36,7% desses alunos não utilizaram o sistema de reserva de vagas para ingressar na universidade – 702 entraram na modalidade Ampla Concorrência, 302 na modalidade Escola Pública e 1.730 estudantes foram admitidos por meio da modalidade EP-PPI (Escola Pública – Pretos, Pardos e Indígenas).

“O resultado nos mostra que a USP está se tornando cada vez mais representativa da sociedade brasileira. Um terço dos candidatos optou por concorrer em outras categorias para além da reserva de vagas, o que mostra que nossas políticas de inclusão estão sendo efetivas para estimular esses estudantes a fazerem parte da nossa Universidade”, destaca o reitor, Vahan Agopyan.

Para o reitor, outro dado que chama a atenção é o fato de 41,8% dos alunos ingressantes terem cursado todo o Ensino Médio em escolas públicas, contra os 49,7% vindos de instituições particulares. “Estamos diante de um marco histórico da nossa universidade e caminhando a passos largos para que essa proporção chegue a 50% até 2021”, acrescenta.

Os demais 8,5% dos ingressantes cursaram o ensino médio parte em escola pública, parte em escola privada ou, ainda, em escolas particulares com bolsas e em fundações.

Perfil

Uma alteração importante no perfil dos ingressantes diz respeito à situação socioeconômica da família. Em 2019, 45% dos calouros têm renda familiar bruta entre um e cinco salários mínimos e 55% têm renda acima dos cinco salários mínimos. Em 2017, esses índices foram de 39% e 61%, respectivamente.

“A inclusão social e étnica é um importante instrumento para oferecer oportunidade de ascensão social a estudantes que não provêm dos segmentos mais abastados da sociedade. Com esses dados, fica claro que a USP é uma universidade acessível para todos”, salienta Vahan Agopyan.

No último ano de colégio, Juan Andrew Diniz Comamala estava focado no objetivo de cursar uma universidade pública. Ele aproveitava ao máximo as aulas e complementava fazendo cursinho aos sábados. Em 2017, não foi aprovado. Então, no ano seguinte, decidiu estudar sozinho e o resultado foi o melhor possível: ingressou no tradicional curso de Direito.

Ele se lembra de que acordava cedo, fazia as tarefas de casa pela manhã e, assim, passava o resto do dia estudando. “Eu estudava de cinco a seis horas por dia, em geral, mas também já cheguei a estudar de dez a doze horas”, conta. Nos fins de semana, o estudante fazia provas antigas do Enem e também os simulados.

Juan decidiu concorrer apenas ao Enem e conseguiu uma vaga na USP por meio do Sisu, na modalidade PPI. “Quando saí da prova, eu achei que tinha ido muito mal”, conta. O estudante revela que a maior motivação foi a convicção sobre ensino público. “Eu acredito que o acesso à educação é um direito meu. Nunca pensei em pagar por ela”, diz.

O sonho de cursar Direito surgiu aos 13 anos, enquanto assistia a um programa de televisão. Juan não tem certeza ainda do que gostaria de seguir no futuro, mas cogita virar um promotor.

Meta

Em 2019, a USP alcançou a meta estabelecida pelo Conselho Universitário para a reserva de vagas destinadas a alunos de escolas públicas (EP) e autodeclarados PPI nos cursos de graduação, com mais de 40% de alunos matriculados oriundos de escolas públicas e, dentre eles, 40,1% na modalidade PPI.

Esse foi o maior índice de alunos de escolas públicas alcançado pela USP nos últimos anos. Até o vestibular de 2014, a proporção de estudantes desse grupo ingressantes na USP variou na faixa de 24% a 27%. Entre 2015 e 2017, esse índice ficou entre 34% e 37% e, em 2018, chegou a 39%.

Este é o segundo ano em que a USP adota a reserva de vagas, que vem sendo feita de forma escalonada: no ingresso de 2018, foram reservadas 37% das vagas de cada Unidade de Ensino e Pesquisa; em 2019, a porcentagem é de 40% de vagas reservadas de cada curso de graduação; para 2020, a reserva das vagas em cada curso e turno deverá ser de 45%; e no ingresso de 2021 e nos anos subsequentes, a reserva de vagas deverá atingir os 50% por curso e turno.

Nessa reserva, também incide o porcentual de 37,5% de cotas para estudantes autodeclarados PPI, índice equivalente à proporção desses grupos no Estado de São Paulo verificada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Uma das mudanças do vestibular deste ano foi a adoção, pela Fuvest, das inscrições por modalidades de vagas já a partir da primeira fase do vestibular. Assim como já ocorre no Sisu, a partir de 2019, ao escolher a carreira e o curso, o vestibulando tem três opções: Ampla Concorrência (AC), Ação Afirmativa Escola Pública (EP) e Ação Afirmativa Preto, Pardo e Indígena (PPI). Com a institucionalização da reserva de vagas, a concessão de bônus na Fuvest deixou de existir. Com informações do Governo de São Paulo.


Fonte: Notícias ao Minuto

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