Dólar com. 3,888
IBovespa -1.98
17 de junho de 2019
min. 25º máx. 27º Maceió
pancadas de chuva
Agora no Painel Estado inicia recadastramento dos servidores ativos de AL a partir desta segunda-feira (17)
15/04/2019 às 07h51

Geral

A "árvore da vida", a energia que vem da Índia

Considerada um superalimento, a folha da moringa pode ser utilizada como complementação alimentar

Mudas de moringa, a "árvore da vida" - Afranio Aquino

Por Afranio Aquino

Como uma folha pode ser capaz de melhorar a saúde de pacientes com hipertensão, diabetes e desnutrição? E se a folha vem do que a ciência chama de “superalimento”? É o caso da moringa oleífera, uma árvore nativa da Ásia e conhecida popularmente como “árvore da vida”. A Painel Alagoas foi ao município de São Luiz do Quitunde, cerca de 55 km de Maceió, para observar o efeito desta planta na vida dos moradores.

A reportagem seguiu o médico Freddy Seleme, um boliviano que vive no Brasil há dez anos e que tem utilizado a folha da moringa para tratar a população carente de municípios alagoanos. Segundo ele, a ideia de introduzir a folha na alimentação veio há dois anos. “Eu pesquisei, li muitos relatórios da ONU (Organização das Nações Unidas) e percebi que introduzindo a moringa na alimentação da população, diminuía-se as idas ao Posto de Saúde, as das crianças, principalmente”, conta ele.

Freddy afirma que a moringa atinge todos os ciclos hormonais do corpo humano. “Reposição hormonal, subnutrição, desnutrição, avitaminoses, suplementação de qualquer tipo de mineral, tem 17 vezes mais cálcio que o leite, que o iogurte… (comparados com 100 gramas de moringa).  Ela tem mais proteína que a carne”, enfatiza.

No povoado Bananal, em São Luiz do Quitunde, foi possível observar que as idas ao posto de saúde local são mais para tratamentos dentários e pedidos de exames, do que para buscar medicamentos. Além de que, em quase toda residência existe um pé de moringa plantado. 

Os pacientes sempre pedem que Selene receite a folha e a chamam de “planta do doutor”. “Eu comecei a entregar as sementes para a população, mas ninguém plantava. Eu ouvi que no Brasil ‘nada de graça não presta’, e então passei a dizer aos pacientes que a semente era um empréstimo, então começaram a plantar”, acrescenta o médico.

Melhoras

As histórias que contam vão desde efeitos benéficos para quem sofre de hipertensão e diabetes, a melhoras no desejo sexual. “Um paciente chegou aqui, um senhor de idade, muito feliz, pois disse que a folha da moringa tinha lhe trazido de volta o ‘apetite’. Virou a melhor propaganda para que plantem e consumam a folha”, disse Freddy.

A reportagem acompanhou a equipe médica em atendimentos residenciais no povoado Bananal. Lá, Djanira, moradora de uma residência simples que divide com a sua família e o seu filho, que é especial, aprova a medicação. “Antes desse médico vir aqui, meu filho tinha até 25 crises (de epilepsia) seguidas. Era tão difícil, de não conseguir sequer tirar ele daqui para dar um banho. Ele tomava vários medicamentos e isso estava acabando com ele. A partir da introdução da folha em sua alimentação, ele continua tendo crises, mas em menores quantidades. No máximo duas por semana. Eu sempre dou a moringa (em pó) a ele, que só come a comida amassada. E melhorou muito, a melhora que ele teve eu nunca pensei na vida que ele teria hoje”. 

No quarto do filho de Djanira, nas paredes próximas à cama dele há vários buracos. O médico conta que isso era porque ele se debatia muito na cama. “Nos ataques, ele batia a cabeça, com força, os braços, ele se ralava, o corpo ficava todo roxo. Mas graças a Deus, isso diminuiu muito”, festeja a mãe.

Seu filho come a folha da moringa há seis meses, primeiro em pó, depois in natura. Djanira plantou dois pés, mas infelizmente “não vingaram”, nas palavras dela. Por sorte, os da vizinha cresceram e é assim que ela consegue as folhas para colocar na comida de seu filho especial. “Vem gente até de Maceió pra pegar aqui”, informou.

Divulgação

Segundo Freddy, faltaram políticas públicas e vontade para introduzir a moringa na alimentação dos subnutridos do Brasil. “Dos governos e dos profissionais da Saúde para espalhar medidas rápidas, econômicas e efetivas para combater problemas de base, como essa”, argumenta.

Mas o boca a boca funciona. E a cidade de São Luiz do Quitunde começou a adotar a “árvore da vida”. É possível perceber que não é só na região rural do município que os pés foram plantados. “Tinha um padre aqui, hoje ele está em uma paróquia em Maceió, mas ele incentivou bastante as pessoas a terem um pé de moringa em casa”, disse Freddy.

 No consultório onde atende na cidade, a moringa em pó é vendida por R$ 15. “Maior parte do dinheiro vai para a vendedora, cobramos até para incentivar que se plante a moringa, o brasileiro, o latino, é esperto e quando percebe que tem um pé plantado em casa, começa a economizar esses R$ 15 e consumir o que é dele, sem maiores gastos”, destaca o médico.

Em Maceió, é possível encontrar cápsulas de moringa, vendidas como suplemento alimentar, com preços entre R$ 80 e R$ 300. 

Histórias

Freddy Seleme contou algumas histórias que aprendeu durante suas pesquisas sobre a moringa. Entre elas, uma que diz como teria sido descoberta. “Lá pelos anos 1960, 1970, teve uma expedição de Médicos Sem Fronteiras na parte nordeste da Índia. Pelo que eu entendo, é parecido com o nordeste brasileiro, é árido, seco...E a terra não é muito boa. A expedição se perdeu por uns dois, três dias. E quando foram resgatados disseram que se mantiveram com apenas uma planta. Descobriram que era uma planta milenar e já utilizada pela medicina ayurveda. E era a moringa oleífera. A partir daí já começou a ser utilizada como uma planta para a alimentação”. 

Outra, interessante, é sobre um trabalho da ONU no continente africano. “Entre umas das experiências que fizeram com ela (moringa), foi em uma escola na África, onde o Corpo de Paz percebeu que as crianças sentavam em forma de meia lua na aula. Perguntaram o porquê e disseram que era como se sentavam na tribo para enxergarem melhor. Aí, começaram a receber uma suplementação com a moringa na forma de sucos e vitaminas e quando voltaram, três meses depois, sentavam em fila. É que a moringa oferece a vitamina A que combate a cegueira por avitaminose, e acabou com a desnutrição que não permitia que essas crianças enxergassem o quadro-negro.

Antioxidante

A moringa tem um incrível poder antioxidante, pois pode absorver mais radicais do oxigênio do corpo humano. Com isso, ajuda contra o envelhecimento e doenças degenerativas. “A folha é um superalimento ainda combate infecções por ser um poderoso anti-inflamatório, podendo ajudar até a quem tem crises de fibromialgia”, disse o médico boliviano.

Mas o combate a diabetes e a hipertensão é a principal propaganda da moringa. Seu efeito benéfico tem auxiliado a população de São Luiz do Quitunde e comunidades próximas, melhorando a saúde de quem sofre com essas doenças. “Ajuda a controlar o açúcar no sangue, e mantendo uma boa dieta, até o humor melhora”, conta Seleme. 

Já introduzida no Litoral Norte, a moringa se espalha em direção a Maceió. “Na verdade, começamos por Paripueira, temos trabalhado com crianças em creches mantidas pela ONU, e graças a um acordo com a prefeitura do município pretendemos introduzir nas escolas municipais. E seguir em frente, por uma vida mais saudável”, finaliza Freddy.


Fonte: Painel Alagoas

Galeria de Fotos
Todos os direitos reservados
- 2009-2019 Press Comunicações S/S
Tel: (82) 3313-7566
[email protected]