Dólar com. 3,888
IBovespa -1.98
19 de novembro de 2019
min. 24º máx. 33º Maceió
sol com poucas nuvens
Agora no Painel Braskem e autoridades iniciam coordenação para realocação de pessoas
09/11/2019 às 14h45

Geral

Salas de Recursos promovem inclusão nas escolas de Maceió

Sala de Recursos oferece arsenal de materiais que ajudam no processo educacional. Foto: Pei Fon/ Secom Maceió

Em seus três turnos, a Escola Municipal Frei Damião, no Benedito Bentes, atende mais de 700 estudantes. Destes, pouco mais de 30 tem alguma deficiência. São crianças e adultos que recebem atendimento individualizado na Sala de Recursos, política pública do Ministério da Educação (MEC) aplicada em 78 salas, das 138 escolas da Rede Municipal de Ensino de Maceió.

O modo individual de ensino não se trata de aula de reforço ou complementação das atividades escolares. São exemplos práticos de atendimento educacional especializado: suporte da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e do código BRAILLE, a introdução e formação do aluno na utilização de recursos de tecnologia assistiva, como a comunicação alternativa e os recursos de acessibilidade ao computador, a orientação e mobilidade, a preparação e disponibilização ao aluno de material pedagógico acessível, entre outros.

Em Maceió, as Salas contam com 100 professores especialistas que atendem muitos casos de autismo. “Uma de nossas unidades recebeu demandas de escolas privadas de renome pelo trabalho desenvolvido com o autismo. Ficamos muito felizes que o trabalho está acontecendo e sendo reconhecido, pois ele é minucioso. Trabalhar com educação especial demanda tempo, mas vemos o resultado disso. As famílias ficam muito felizes de ver seus filhos com seus direitos garantidos, que é a escolarização e a permanência na escola”, disse Socorro Carnaúba, técnica pedagógica do departamento de Educação Especial da Secretaria Municipal de Educação (Semed).

Samuel Costa é um dos 3500 estudantes atendidos nas Salas de recursos. Esta é sua primeira vez em uma escola e é um dos seis alunos da professora Graciete Correia Lopes, na Sala de Recursos da escola Frei Damião. Autista, ainda não fala muito bem, mas aos poucos a mãe tem visto o menino se desenvolver. “Na escola, o limite do meu filho é a hora do recreio, pois ele fica muito agitado depois do intervalo. Ele assiste aula com professora Ângela, mas, dois dias por semana vai para a Sala de Recursos. Ainda não escreve, rasga os cadernos, quebra os lápis, mas o que ele não faz na sala de aula, ele faz na Sala de Recursos, pois a professora consegue tirar um pouco a mais dele”, disse Maria José Costa, mãe de Samuel, de seis anos.

Segundo a dona de casa, as professoras são como segundas mães. “O que preciso, falo com elas. O que elas sentem dificuldades vem a mim. Tentamos o melhor para ele”, contou.

Graciete Correia Lopes tem 16 estudantes deficientes. Samuel é um dos mais novos. Outros, já adultos, fazem a Educação de Jovens, Adultos e Idosos (Ejai). Um deles tem 45 anos e, assim como Samuel, tem autismo e faz parte dos desafios diários da professora. “Digo que o primeiro desafio que temos que ter é amar. Se a gente ama o que faz, o restante vem junto. O desafio foi conhecer esses meninos. Meu primeiro estudante, aqui na escola, foi um cadeirante com paralisia cerebral e foi a minha porta de entrada para a Sala de Recursos. Amo o que faço. O desafio é chegar até os pais, porque sem eles você não consegue. É ser amigo da escola e dos professores. Cada abraço que recebo dos estudantes, cada sorriso, cada coisa que fazem de diferente para mim é uma benção”, disse a educadora.

Sala de Recursos

Na Escola Municipal Frei Damião, o número de estudantes que necessitam de auxílio ainda não está fechado. Segundo a diretora da unidade de ensino, Vera Lúcia da Silva, no momento da matrícula, nem todos os pais ou responsáveis são fieis quanto às necessidades dos filhos. Negligência, ignorância ou negação são as explicações para que algumas crianças iniciem os estudos tardiamente.

“Atualmente, atendemos pouco mais de trinta estudantes. Aos poucos, as professoras vão identificando os casos e repassamos às professoras da Sala de Recursos. Este mês, detectamos um estudantes com problemas que não sabíamos que existiam, pois não foi comunicado pela mãe no momento da matrícula.”, explicou a diretora.

No atendimento educacional especializado, o professor faz a identificação das barreiras que o estudante enfrenta no contexto educacional comum e que o impedem ou o limitam de participar dos desafios de aprendizagem na escola. Identificando esses “problemas” e também identificando as “habilidades do aluno”, o professor pesquisará e implementará recursos ou estratégias que o auxiliarão, promovendo ou ampliando suas possibilidades de participação e atuação nas atividades, nas relações, na comunicação e nos espaços da escola.

“Ter estudantes especiais é uma forma de a gente mostrar o nosso lado mais humano. Começa por aí. É muito fácil lidar com um aluno “normal”, mas o aluno especial exige mais de você. Exige mais atenção, mais cuidado, carinho dobrado, paciência e amor”, completou Vera Lúcia da Silva.


Fonte: Assessoria

Todos os direitos reservados
- 2009-2019 Press Comunicações S/S
Tel: (82) 3313-7566
[email protected]