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24/08/2020 às 08h00

Geral

A arte alagoana segue na ativa em tempos de isolamento

Profissionais vêm se mantendo através de aulas por videoconferência, vendas online e lives. Máscaras ganharam o trabalho do artista plátisco Persivaldo Figuerôa

Por Iranei Barreto e Nicollas Serafim | Blog Aqui Acolá 

Desde o estopim da pandemia do COVID-19 em meados de março, o mundo teve que se adaptar às orientações médicas de isolamento social. Os segmentos artísticos foram bastante afetados pela qua­rentena, já que muito do que é arte é consumido através do encontro. Neste cenário, as máscaras do artista Persivaldo Figueirôa e ações dos profissionais da fotografia, que vêm se mantendo em atividade através das ferramentas disponíveis pelo universo digital, nos lembram da tênue ligação entre saúde e arte.

Os profissionais da fotografia de Alagoas vêm se mantendo em atividade através das aulas por videoconferência, mercado de vendas online de obras aliado à iniciativa social, e lives de debates sobre o fazer fotográfico, o ambiente de vivência da fotografia no estado consegue se manter aceso e cheio de pessoas, mesmo que cada uma em sua casa. 

João Facchinetti é um dos nomes fortes da arte em Maceió, tem mais de dez anos de experiência com as câmeras e foi um dos fundadores do grupo Perambular Fotográfico, um dos mais importantes catalisadores da fotografia em Alagoas. Ele também se dedica a compartilhar seu conhecimento adquirido ministrando um curso de fotografia básica. Em razão das restrições consequentes da pandemia, a turma desse ano assistiu às aulas em casa, através de um programa de videoconferência.

Segundo ele, o processo de condução das aulas foi razoavelmente simples: através de uma apresentação de slides no PowerPoint, o qual ele ia mostrando na plataforma usada para juntar os alunos, e logo depois vinham as conversas com o grupo. “A parte mais difícil foi tentar ajudá-los a mexer na máquina fotográfica em si”, diz ele. “Como a fotografia é uma coisa muito prática, em vários momentos eles precisaram descobrir os ajustes que fazemos nas câmeras. Eles e eu sofremos um pouquinho para conseguirmos passar essa ideia. Fora isso, o curso foi bem dinâmico e interessante”.

Ao final dele, cerca de 40 alunos em média participaram ativamente das aulas, que se dividiam entre os encontros se­manais via plataforma e o restante dos dias através do grupo de WhatsApp criado para as dúvidas. “Posso lhe dizer que visivelmente e consistentemente a fotografia das pessoas mudou. Eles mudaram o jeito e a forma de fazer suas fotos, o curso deu uma melhorada, uma qualificada na fotografia do grupo como um todo”, avalia João. “Acompanhar o progresso deles foi algo muito interessante. Foi gratificante ver que, mesmo via internet, o processo funciona e eles conseguiram entender o que eu estava mostrando. Tive alunos de Maceió, São Paulo, Minas, Aracaju. É legal a gente poder estar em contato com o pessoal de fora”.

João afirma que as aulas foram bastante benéficas para ele próprio, inclusive. “Ter uma atividade pro­dutiva, interessante durante a pandemia foi muito importante para mim também. Além disso, a utilização dos outros recursos da internet foi algo que agregou nesse formato das aulas”, comenta. “Mas, por outro lado, a falta do contato físico, do olho no olho é um fator contra. É difícil olhar as pessoas só por um quadradinho, a questão da impessoalidade da internet me incomodou”.

O curso básico está na fase final e agora em agosto João irá começar outro, desta vez voltado para a elaboração de projetos fotográficos autorais, que também será ministrado pela internet. “Ambos os cursos foram oportunizados via Perambular Fotográfico, que é um coletivo sem fins lucrativos, então os dois são de graça. Espero que nesse próximo curso a gente consiga também construir um conhecimento sedimentado nas pessoas”, conclui.

Outro projeto interessante é o Fotografia Que Manda Ver, que surgiu da união entre fotógrafos, a organização do Festival Fotosururu, a Fragma Imagem, a Six Propaganda e o Instituto MandaVer. O objetivo é ajudar famílias em bairros da capital alagoana a minimizar os impactos sofridos pela pandemia do coronavírus. Cada um dos 20 artistas do projeto doou 3 obras para serem vendidas a um preço atrativo.

“A ideia partiu de uma conversa com Jorge Vieira, da Fragma, sobre a necessidade de fazermos algo para ajudar as pessoas em condição de maior vulnerabilidade. Jorge tinha ido recentemente ao bairro do Vergel, nas comunidades ribeirinhas da lagoa e relatou a condição difícil em que se encontravam”, informa Ramatis Costa, um dos fotógrafos participantes.

“Vimos que em Salvador e Sergipe estavam iniciando um processo parecido e resolvemos realizar o projeto, contando com pessoas do grupo Fragma, voluntários do Fotosururu, e coloquei a Six Propaganda para atuar na produção do material e do site. Entramos em contato com o grupo de fotógrafos que tínhamos mais proximidade e que, de certa forma, sabíamos que poderiam entregar o material de forma rápida e o cederam sem qualquer custo ou limite de impressão”. As fotos são impressas em papel fine art, de altíssima qualidade, pelo Atelier de Impressão e todo o valor arrecadado será doado ao Instituto Manda Ver que promove o empreendedorismo e ações culturais na comunidade do Vergel do Lago e regiões circunvizinhas.

“Os compradores receberão em casa obras impressas em papel de qualidade, não é uma impressão comum do tipo offset. É o mesmo papel que museus e galerias utilizam para impressão de fotografias fine art”, salienta Ramatis. 

O Fotosururu é o primeiro encontro de fotografia criativa de Maceió. Estreou em 2019 com palestras, workshops, leitura de portfólios, convocatórias e exposições, numa vasta programação com o intuito de brotar um ambiente para pensar e vivenciar a cultura fotográfica em Alagoas, bem como marcar o estado como parte do roteiro de eventos dessa natureza no Brasil.

A edição 2020 estava agendada para acontecer da mesma maneira, porém a pandemia mudou seus planos. Mudou, mas não cancelou. O Fotosururu se reinventou e vem acontecendo através de lives com os convidados do evento. Jorge Vieira, um dos organizadores do festival, apontou que a experiência está sendo muito positiva. As lives não estavam na programação original do evento, mas surgiram como uma consequência natural ante as limitações impostas pela pandemia. “Pensamos nas lives como uma forma de manter o Fotosururu pulsando, no aguardo de uma definição quanto à data de sua possível realização presencial”, diz ele. “Agendamos, a princípio, com os nomes que estão na programação da edição de 2020, depois com os que estiveram na edição de 2019, e seguimos com nomes com potencial de estarem em edições futuras, sempre com a mediação do fotógrafo Arthur Celso, da coordenação do festival.”

Além do festival, o programa Diálogos Visuais, da Fragma Imagem também utiliza dos encontros virtuais para contribuir para a cena local da fotografia. Para Jorge, os dois projetos vêm mobilizando um número significativo de fotógrafos locais e de outros estados, com mais de 15 mil visualizações. “Acredito que eles têm construído um ambiente importante para fomentar a cultura fotográfica alagoana, mesmo em tempos de quarentena”. 

ARTE E VIDA

As máscaras ganharam as cores, textura e traço do artista plástico Persivaldo Figueirôa. Item essencial de proteção em tempos de Covid-19, Persivaldo Figueirôa conta que fez as primeiras máscaras para uso pessoal, mas logo surgiu uma demanda espontânea. 

Inicialmente, sua grande preocupação era encontrar matéria-prima de melhor qualidade, foi quando no próprio bairro, em Jacarecica, to artista firmou parceira com a costureira Martinha, que trabalha com tecidos que são 100% algodão.

Persivaldo conta que não fez uma série específica. “Eu atendo alguns pedidos, e crio a maioria, o que vem movimentando essa quarentena. Não tive tempo de fazer uma série específica, temática, tem sido bem movimentado”, explica. Os desenhos são pintados a mão sobre as máscaras em acrílico.

Mesmo sabendo da necessidade e exigências atuais do uso das máscaras, para Figueirôa não se trata de modismo. “É saúde, cuidado com você e com o outro, e isso agora vai nos acompanhar por muito tempo... É fato. Acredito que, mesmo com a descoberta da vacina para o Covid-19, qualquer gripe no futuro, nos fará usar máscaras, seja no trabalho ou em algumas situações que nos faça sentir mais protegidos”. As máscaras poderão ser encomendadas pelo Instaram do artista: @persivaldofigueiroa. 


Fonte: Painel Alagoas

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