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24/08/2020 às 08h00

Geral

A arte responde à pandemia

Caminhãozinho dos anos 30 atravessa a Itália transformando praças em salas de cinema…

Reprodução

Por Dora Nunes, de Milão 

O Coronavírus redesenhou o co­ti­diano de milhões de pessoas em todo o mundo e a tecnologia deu mais sentido e melhorou a qualidade dos dias nos quais estivemos "iso­la­dos" em nossas casas. Ela possibilitou que a arte e a cultura estivessem também presentes e tornando mais fácil os duros momentos de incertezas sobre o novo mundo que surgia. Muito além das "lives" que reaproximou familiares e amigos, foi possível assistir aos nossos artistas prediletos cantando dentro de nossas salas, e também conhecer acervos, coleções de arte e espetáculos mais famosos e belos do mundo, disponibilizados on­line por diversas organizações cul­turais, tais como teatros, museus e galerias. 

A quarentena passou (espera-se que seja definitivo) e a Itália, as­sim como outras nações européias, reabriu seus museus para a visitação física, mas ainda sob o regime da "liberdade vigiada". Desde maio, para visitar museus no país, deve-se se­guir uma lista de recomendações de seguranca e higiene, que inclui usar máscaras, higienizantes, com­prar bi­lhetes online, ascender aos locais com hora e tempo de visita pré-determinados, entre outros itens que formam o que se chama por aqui de ¨vademecum¨ da visitação pública. 

Pensando no verão italiano, quente até para os padrões tropicais, a Prefeitura de Milão está oferecendo vários eventos, mas tudo revisitado por causa do Covid 19. Para preencher as noites, quando o sol já não castiga tanto, apesar de permanecer até por volta das 21 hs, estão sendo reaproveitados espaços abertos que oferecem divertimento para quem estava há tanto tempo trancado em casa. São eles arenas de verão, drive-ins e cinema nas ¨cascinas¨ - velhas fazendas transformadas em B&B, en­trepostos de alimentos bio e restaurantes caseiros. As atividades ao ar livre dão a sensacão de maior segu­ranca contra a propagação do vírus.

 Museu de novidades

Os cinemas também reabrem em condições bastante limitadas, re­duzindo o espaço das salas com a exi­gência de um metro de distância entre as pessoas, imposta pela emer­gência sanitária. É a arte respondendo à pan­demia com alguns lampejos de "ino­vação". antigos drive-ins, res­sur­gem ro­manticamente chamados de "ci­ne­ma all´aperto", permitindo ao pú­blico ver filmes sob a luz das es­trelas, no conforto do carro, com a se­gurança de estar em espaço não con­taminado (al­guns ainda não se sen­tem bem em fre­quentar lugares fe­cha­dos com des­co­nhecidos) e prin­ci­pal­mente atenden­do à pre­missa bá­si­ca da arte em si: aco­lher quem vem em busca de relax. 

Entre as iniciativas, destaco a da Cineteca di Milano, que está levando cinema itinerante projetado a partir de um velho furgão.  É a ressurreição do histórico CineMobile Fiat 618, um furgão construído em 1936 e que foi utilizado para campanhas de propragandas do regime fascista na periferia das cidades. Após a guerra, o veículo permaneceu por vinte anos com o serviço de informações da Presidência do Conselho da República Italiana. De acordo com a Cineteca, desde 1996 pertence ao Governo da Lombardia que o restaurou em 2000. De 2016 prá cá faz parte do MIC, Museo Interattivo do Cinema di Milano. 

De 8 de julho até 26 de agosto, o mítico CineMobile Fiat 618, por meio do projeto Cine­Mobile­Summer Tour 2020 projeta filmes com o formato de ¨O Cinema em 50 minutos¨ em parques, praças, centro culturais, e até nos cortiços de Milão e redondezas. A intenção é reviver a magia do cinema como antigamente, em sua proposta pública, aberta e coletiva. São projeções especiais gratuitas, a céu aberto e respeitando as normas vigentes da emergência sanitária. É possível solicitar a projeção  para cada local com 3 dias de antecendência no site da Cineteca.

Interatividade

¨O Cinema em 50 minutos¨ pas­seia pela história do cinema desde os Irmãos Lumière aos pioneiros Geor­ges Méliès e Luca Comerio; do mun­do estrelado das divas às primeiras animações, finalizando cada apre­sentação com um curtametragem ¨surpresa¨. Atravessando décadas, modas e mudanças do imaginário coletivo, o público é convidado a par­ticipar mais ativamente das projeções por meio de quiz, comentários, histórias e sugestões.

 Matteo Pavesi, diretor da Fundação Cineteca Italiana de Milão disse que a intenção do projeto é a reaproximação com o público. Ele afirma que ¨fazia falta o relacionamento direto com o público e agora queremos reconstruir a participação e compartilhamento típico do espetáculo¨. De acordo com Pavesi, ¨o CineMobile pode ser um mecanismo que aproxima as pessoas em uma idéia de cinema pouco institucional¨. O patrocínio do projeto é do Banco Intesa Sanpaolo Assicura, Fonda­zione Cariplo e também de doações privadas por meio de um crowdfunding (coleta de fundos) lançado em junho. Todo o material projetado pertence ao arquivo da Fundação.

 Uma curiosidade: a Cineteca aconselha ao público trazer de casa, além de sua própria cadeira desmontável, repelente para mosquitos, uma praga que assola Milão a cada verão.


Fonte: Painel Alagoas

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