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14/09/2020 às 08h38

Geral

Tie dye: A moda hippie dos anos 60 retorna elitizada

Em Maceió, a MF, de Marina Ferro, traduz nas cores e modelos a boa energia que chega com a volta da tendência de roupas alegres e de muita fluidez

Fotos: Karla Santa Maria - Montagem: Painel Alagoas

A moda do feito à mão voltou com tudo durante esta pandemia, e o tie dye, uma técnica de tingimento artístico de tecidos, está em todo lugar. Roupas, acessórios e até em cama e mesa, com cores fortes como o vermelho, o azul, o pink e o laranja. Esse é um método utilizado por várias culturas no mundo, especialmente asiáticas e africanas. 

No Japão, tem o nome de shibori e os mais antigos exemplares desse tipo de tingimento datam do século VI ao século VIII, mas, contemporaneamente, o tie dye teve um ápice entre as décadas de 1960 e 1970 através do movimento hippie em todo o mundo.

Há mais ou menos dois anos, marcas da moda como Dior e Prada, ensaiaram o retorno dessa técnica, que, durante a pandemia da Covid, desembarcou com força total no mercado brasileiro, em especial. 

Em Maceió, o tie dye tem nome referendado: MF Handmade, ou simplesmente Marina Ferro. Jornalista de formação, Marina já trabalhava com essa técnica há vários anos, mas foi durante o iso­lamento social obrigatório por causa do coronavírus, que ela lan­çou sua marca virtualmente, em site e instagram. E revela, entusiasmada e otimista com esse tipo de vendas online, que esse foi seu melhor período de faturamento.

Mas Marina não procurou o tie dye como forma de ganhar dinheiro. Desde sempre, em sua casa, o artesanato esteve presente. Ela lembra que sua bisavó fazia muitos trabalhos em crochê, e conta que sempre se identificou com essa coisa de fazer à mão colares, pulseiras.... Foi assim que Marina se jogou na técnica de tingimento de tecidos, começando pela brincadeira de levar esse tipo de pintura para shorts, com rasgos da moda, para ela e para amigas.

“Eu tinha uma pessoa que costurava para mim, aí aproveitei, comprei alguns tecidos e comecei a fazer o tie dye e vender para conhecidos, depois para conhecidos dos conhecidos... Era como um complemento, eu já estava formada em jornalismo e trabalhando na minha profissão. Então a coisa foi crescendo, eu gostando mais e mais de produzir esse tipo de moda, e hoje somos uma empresa”, relata.

“É, tipo, produzir o que a gente gosta, o que a gente acredita”, reforça Marina Ferro, que hoje, além da loja física e da loja virtual, conta com uma equipe de produção para costura e outra para tingimento, além da criação das peças que tem a própria dona no comando e a assessoria de uma profissional de moda. “A MF é composta100% de mulheres, prezo muito por isso, defendo a independência financeira feminina e isso dá um gás ao nosso trabalho, somos mulheres que abraçamos a luta da mulher no mercado profissional, que zelamos pela qualidade do que produzimos”, acrescenta, arrematando: “E na MF, abraçamos igualmente o tie dye como tendência para ficar”.

Marina divide a empresa com uma sócia, que cuida da parte financeira e burocrática. “Somos um time bom”, celebra, feliz pela abertura da loja física agora em setembro. “Temos um espaço para produção, para as vendas, para o site, para a parte administrativa e ainda há um terraço legal, que já estamos sonhando com novos projetos”, revela. 

Fazendo cores, criando moda

Criar peças, misturar cores, combinar estilos, pensar temas, inspirar-se em energia, é assim que nasce diariamente o trabalho do tie dye da MF. Marina explica que nessa pandemia a inspiração partiu da áurea e do inside, onde foram criadas duas coleções que venderam bem. 

“A gente vai pela intuição, por aquilo que flui, e nasce em cores uma moda para nos fazer se sentir bem”, ressalta, Marina. “Optamos por modelos soltos, de botões, chemises, essa coisa que deixa o corpo à vontade para brincar com o que se veste”, afirma, esperando que essa tendência que resiste milenarmente continue forte por muito tempo no mundo da moda.

“Somos uma tendência para todas as idades, a nossa produção veste do recém-nascido ao idoso, é claro que há peças mais sóbrias, outras mais estilosas, cores mais extravagantes, outras nem tanto, mas o importante é que o tie dye traz alegria, uma boa energia”, destaca, afirmando que é prazeroso produzir moda com essa simbologia.

Marina formou-se em jornalismo e trabalhou até há pouco tempo em assessoria de comunicação. O que isso tem a ver com a empresária, a criadora de moda? “Olha, acho que trago muito do jornalismo para cá, sobretudo nas redes sociais onde aprendi muito trabalhando como jornalista, quando gravo os nossos stories, quando cuido do site e do instagram da MF”, comenta, adiantando: “Ter formação na área de comunicação tem me ajudado muito a transmitir da melhor forma o nosso produto para os consumidores”. E, sim, a rotina é pesada, confirma Marina. Mãe de Kai, ela diz que Gui, seu companheiro, a ajuda muito em casa e sobretudo a ajudou muito nessa pandemia, quando a MF ultrapassou as fronteiras de Alagoas e do Nordeste. “Um parceirão, o Gui, está ultimamente de home office e conto com ele para as coisas de casa numa boa”, elogia. “Tem semanas que fico mais ausente e converso muito com meu filho, mas ambos, ele e Gui, conseguem entender meu trabalho e minhas ausências quando necessário”, afirma.

O que Marina deseja para o futuro, é continuar fazendo e pensando o seu trabalho “com boas energias”. Segundo ela, “não é fácil empreender, sobretudo em Alagoas. É muito complicado a gente encontrar matéria-prima para trabalhar, quando encontra é muito caro, não há um leque grande de opções”. E completa: “Mas estamos avançando e meu desejo nesse empreendimento é poder, futuramente, empregar mais mulheres e levar mais fluidez à moda do tie dye”. 

SERVIÇO

@marinaferrohandmade

(82) 99693-8580


Fonte: Painel Alagoas

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