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14/09/2020 às 09h04

Geral

San Gimignano, a Manhattan medieval

A “Cidade das Torres” ficou famosa no século XII pelas suas torres imponentes que se destacam entre as colinas da Região

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Por Dora Nunes, da Toscana, Itália 

Entre as colinas do Val d’Elsa, na Toscana, Região Central da Itália, encontra-se a esplendorosa San Gemignano, uma cidadezinha medieval, cercada por muros construídos por volta dos anos 1200 e torres gêmeas que lhe conferem o título de “Manhattan Medieval”. De acordo com a Lista do Patrimônio Mundial da Unesco de 1990, San Gimignano é "uma obra-prima do gênio criativo humano, traz o testemunho único de uma civilização do passado e o exemplo excepcional de um complexo ar­quitetônico e paisagístico, testemunho de etapas im­portantes da história humana". A maior característica da cidade são as espetaculares torres que dominam a paisagem, cada uma delas com uma história para contar. Por volta de 1300, eram 72 torres, mas atualmente só existem 13. 

Foi no século XII que San Gemignano começou a ser a “cidade das torres”, quando viveu uma época de riqueza econômica e artística. Neste período, as construções se transformam em fonte de disputa entre as famílias mais abastadas: aquela que construísse a torre mais alta, demonstraria ter mais poder. Diante da situação, um estatuto municipal publicado em 1255, proibiu a qualquer cidadão comum construir torres mais altas do que a La Rognosa, a torre da Prefeitura, que não fazia parte da disputa e deveria permanecer sendo a mais elevata.

Entretanto, a poderosa família Guelph de Salvucci ignorou o documento e mandou construir duas torres gêmeas, ao lado da prefeitura. A ação foi logo repetida pela família rival Ardinghelli. Ambas construções foram “podadas” e hoje são mais baixas que a La Rognosa, cuja altura - 52 mts - continuou sendo o limite até 1311, quando foi concluída a Torre Grossa - 54 mts - iniciada em agosto do ano anterior. Entre as ainda existentes na cidade, apenas a Torre Grossa e as Torres Gêmeas são abertas à visitação pública. As demais são: Campatelli, Chigi, Ficarelli, Palazzo Pellari, Pettini, Degli Ardinghelli, Dei Becci, Dei Salvucci, Del Diavolo, Campanile della Collegiata e Casa-Torre Pesciolini. Completando a intacta atmosfera medieval, a cidade é cir­cundada por 2176 metros de muros construídos para a proteção militar e ainda 5 portas principais: Porta San Giovanni, Porta Quer­cecchio, Porta San Matteo, Porta San Jacopo e Porta delle Fonti.

San Gimignano possui também igrejas, museus, afrescos, arte sacra e uma milagrosa beata que divide o patronato com o Santo que dá nome a cidade. Conhecida como Santa Fina, ela, porém, não tem as mesmas prerrogativas do Santo Padroeiro. Morta aos 15 anos de idade, depois de anos de sofrimento atingida por uma grave enfermidade, ficou durante muito tempo estendida sobre uma mesa de madeira que, no momento de sua morte, floresceu com violetas amarelas. Anualmente, no mês de março, as violetas de Santa Fina desabrocham exuberantemente entre as pedras duras das torres da cidade. Fina de Ciardi nunca foi reconhecida oficialmente como Santa, mas sim como uma beata, cujo culto foi aceito por diversos papas diante de uma situação que não podia ser ignorada. A Casa da Santa fica em uma ruela, enfiada entre os palácios da Via del Castello. 

Dois produtos conferem ainda mais fama a San Gimignano: o vinho Vernaccia e o açafrão. O primeiro é considerado um dos melhores vinhos brancos italianos, e conhecido internacionalmente. Foi o primeiro vinho italiano a ostentar o título de produto de Denominação de Origem Controlada (D.O.C.) em 1966 e em 1993 obteve a marca D.O.C.G, entrando de vez no Olimpo dos vinhos do país com a marca que garante ainda mais sua origem. Produzido exclusivamente no município, os vinhedos estão localizados no entorno da cidade. O açafrão, foi a única especiaria exportada para a Alexandria, no Egito, por sua alta concentração de crociana, poderoso colorante usado para tingir tecidos, fazer perfumes e como uma das especiarias usadas pelos egípcios para embalsamar múmias.  O açafrão de San Gimignano DOP é cor de vinho e não amarelo e muito utilizado na culinária local.

De também não perder na vi­sita à cidade, é a Gelateria Dondoli, pluripremiada como a melhor do mundo. No cardápio a tradição e a inovação caminham de mãos dadas, onde o zafferano (açafrão), o vinho e o espumante Vernaccia, a ricota e o manjericão, todos produzidos nas fazendas da região,  transformam-se em  sorvetes originais e exóticos. A Dondoli fica na belíssima Piazza da Cisterna, no Centro da cidade. Enfrente a fila da sorveteria, vai valer a pena.


Fonte: Painel Alagoas

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