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22/02/2021 às 08h30

Geral

Colombina, Arlequim e Pierrot: tradições que remontam ao Império Romano

As máscaras “de carnaval” – necessário especificar em tempos de pandemia – italianas se tornaram as mais famosas do mundo, provocando encanto pelas suas beleza e originalidade...

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Por Dora Nunes, de Milão, Itália

O início do uso de máscaras se confunde com o nascimento do próprio carnaval na Itália. E existem várias interpretações sobre esse tema. Uma das teorias mais comuns é aquela que faz o nascimento do Carnaval coincidir com a época dos Antigos Romanos. Em particular em Roma, assim como nas demais províncias do Império, as máscaras eram já muito utilizadas nas celebrações em homenagem ao Deus Saturno, realizadas durante o solstício de inverno. Tais celebrações incluíam banquetes suntuosos nos quais todos, tanto nobres como pobres, participavam. 

As máscaras italianas representam vícios e virtudes do povo, mas também da classe burguesa e nobre. O carater folclórico e ar­tís­tico das comemorações fizeram com que muitas delas, nascidas na cultura popular, fossem mantidas vivas por meio de apresentações teatrais, e o significado das mais tra­dicionais variam para cada personagem. Algumas mais famosas datam do período do Império Ro­mano, como Columbine, Mene­ghino e Pulcinella. Outras nasceram no século XVII, com a “Commedia dell’Arte”, como Pantalone, Gian­duja e Arlecchino, e cada personagem tem sua própria história e significado. Adicionei Pierrot à lista, mesmo não figurando entre as mais famosas na Itália, pelo fato de ser bastante popular no Brasil. 

PULCINELLA - é a máscara mais antiga da tradição italiana, e seu nascimento coincide com as origens do carnaval. Já era conhecida na época dos romanos, mas desapareceu com a chegada do cristianismo. A máscara Pulcinella ressuscitou nos anos 1500 com a Commedia dell'Arte, e suas prin­cipais características são a sobriedade dos movimentos e o humor das piadas, sempre secas e mordazes. A máscara é o símbolo da cidade de Nápoles.

COLUMBINE - Também muito antiga, Columbine é a serva astuta e travessa sempre pronta a ajudar seu amante. Namorada e esposa de Arlecchino, Colombina costuma ser o centro das atenções de Pantalone. Servidora esperta e lisonjeira, é particularmente próxima de sua ama. Participando freqüentemente de subterfúgios domésticos e amorosos, ela também gosta de zombar dos que a cercam. A máscara de Colombina é de Veneza e encarna a astúcia das criadas. 

MENEGHINO – O nome Me­ne­ghino deriva de 'Domenichino' (dimi­nutivo de domingo, em por­tuguês). Meneghino era o nome da­do aos ser­vos contratados apenas aos domingos por nobres decadentes que não podiam pagar por ser­viços fixos. Esses servos deveriam acompanhar aos nobres em seus passeios do­mi­nicais pela cidade e abrir-lhes a por­ta da carruagem. Segundo a lenda, Meneghino era um empregado bom e espirituoso, que zombava dos defeitos dos nobres. O personagem se tornou um dos símbolos da cidade de Milão, ao ponto de os milaneses se­rem também chamados de “mene­ghini”. As origens da máscara mi­lanesa de Meneghino são incertas: segundo alguns, remonta aos antigos romanos, como Columbine, segundo outros, remonta à Commedia dell’Arte dos anos 1600. 

PANTALONE - Entre as más­caras do carnaval veneziano, a de Pantalone é muito famosa. Rico comerciante veneziano, Pantalone é extremamente mesquinho e, ape­sar de ser um pouco envelhecido, adora a companhia de moças e, de fato, nunca perde uma oportunidade de sair para conquistar cortesãs e criadas. Ele também é definido co­mo Magnífico pelas maneiras char­mosas com que se dirige às mu­lheres, mas na realidade também pode ser rude e resmungão. Pan­talone é uma das máscaras mais “longevas” da Commedia dell’Arte e, nascida por volta de 1500, so­brevive ao longo dos séculos, sem­pre desfrutando de grande sucesso. 

GIANDUJA - É a máscara da Região de Piemonte. Nasceu na capital Turim nos anos 1700, e encarna o mais clássico dos plebeus locais: afável, amante do vinho e da boa comida, sempre alegre e cuja distração é proverbial. O nome do personagem deriva da expressão piemontesa "Gioan d’la douja" (João do jarro) e provavelmente substituiu a máscara Gerolamo. Na verdade, este era originalmente o seu nome, mas, quando Napoleão assumiu o poder, decidiu mudar o nome da máscara para evitar qualquer alusão a Gerolamo Bonaparte, parente do imperador.

ARLECCHINO - É a máscara mais famosa da Província da Lombardia. Segundo a lenda, a mãe do personagem, muito pobre, costurou-lhe o traje tradicional com sobras de várias cores. Suas qua­lidades características são agilidade, vivacidade e rapidez. A lenda ligado à máscara do Arlecchino que, na realidade, tem suas raízes na antiga ritualidade agrícola e se concretiza com a Commedia dell’Arte descendendo diretamente de Zanni, do qual também descende a máscara do PIERROT. Entre as máscaras mais famosas e amadas, Arlecchino é um servo decididamente preguiçoso, mas, ao mesmo tempo, ágil, vivo e de espírito pronto, em alguns casos até mesmo desbocado.

PIERROT - Lembra o amor melancólico pela sua expressão triste e é certamente a máscara mais propensa a vivenciar emoções intensas ao invés de se entregar à diversão e à boa comida. Pierrot é um servidor de grande inteligência e preguiça, levado a buscar o que é certo e a resolver os problemas em que seu mestre é caçado. O per­sonagem de Pierrot nasceu na Itália no final do século XVI com o nome de Pedrolino e foi então trazido para a França pela Compagnia dei Gelosi como mais uma variação de Zanni. Na França, ele obteve enorme sucesso ao se tornar um membro titular das comédias locais com o nome revisitado de Pierrot.


Fonte: Painel Alagoas

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