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25/04/2022 às 07h39

Geral

“Eu sozinha e nua. Eu e a cobra. Eu e o medo”

Jornalista Míriam Leitão relata com detalhes a tortura sofrida em 1972 pelo governo da ditadura militar no Brasil

Arquivo Pessoal

Por Eliane Aquino

Em agosto de 2014, a jornalista Míriam Leitão, colunista de economia do jornal O Globo, uma das mais importantes profissionais de imprensa do país, contou ao Observatório da Imprensa, através de depoimento ao jornalista Luiz Cláudio Cunha, seus momentos de terror sob tortura da ditadura militar. Há alguns dias, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), um dos zeros do presidente Jair Bolsonaro, debochou publicamente em suas redes sociais desse sofrimento. Um deboche que doeu em cada um dos brasileiros que foi torturado ou teve alguém próximo torturado e morto pela crueldade dos torturadores da ditadura militar nos chamados anos de chumbo no Brasil.

Sobre exatamente o episódio cruel onde, grávida, nua, Míriam foi colocada em um quarto escuro com uma jiboia, o deputado Eduardo Bolsonaro escreveu: “Ainda com pena da cobra”. A infeliz piada foi por conta de um artigo da jornalista, em O Globo, onde ela disse que o presidente Jair Bolsonaro é inimigo confesso da democracia. Pela reação do filho do presidente, a inimizade com a democracia é de família. 

A ditadura militar no Brasil durou 21 anos, teve cinco mandatos militares e instituiu 16 atos institucionais – mecanismos legais que se sobrepunham à constituição. Nesse período, houve restrição à liberdade e repressão aos opositores do regime e censura. Os militares no poder procuraram sempre atuar a partir de uma “legalidade autoritária”, mas para combater qualquer um que contestasse o regime mais diretamente, os chamados “subversivos”, não deveria haver limite jurídico, ético ou moral. 

Assim, principalmente a partir de 1968, o Estado brasileiro patrocinou uma repressão ao mesmo tempo legal e ilegal, baseada em censura, vigilância, tortura sistemática, prisões ilegais e desaparecimentos. A jornalista Miriam Leitão e seu companheiro Marcelo Netto foram presos no estado do Espírito Santo, em 1972. Ela, grávida de um mês. 

A Painel Alagoas entrou em contato com Luiz Cláudio Cunha e obteve autorização para publicar na íntegra o depoimento de Miriam Leitão. Não para lembrar o sofrimento, vitimizar a jornalista, mas como um grito de alerta aos que exaltam a ditadura como uma bandeira política, para repudiar os que menosprezam a dor, o luto e as sequelas que essa época de barbárie fincou na memória brasileira. 

“Acordei para ir à praia e acabei presa na Prainha” 

Por Míriam Leitão

Eu morava numa favela de Vitória, o Morro da Fonte Grande. Num domingo, 3 de dezembro de 1972, eu e meu companheiro na época, Marcelo Netto, estudante de Medicina, acordamos cedo para ir à praia do Canto, próxima ao centro da capital. Acordei para ir à praia e acabei presa na Prainha. É o bairro que abriga o Forte de Piratininga, essa construção bonita do século 17. Ali está instalado o quartel do 38º Batalhão de Infantaria do Exército, do outro lado da baía. 

Eu tinha dado quatro plantões seguidos na redação da rádio Es­pírito Santo e já tinha quase um ano de profissão. Eu vestia uma camisa branca larga, de homem, sobre o biquini vermelho. Caminhando pela Rua Sete em direção à praia, alguém gritou de repente: 

– Ei, Marcelo? 

Nos viramos e vimos dois homens correndo em nossa direção com armas. Eu reconheci um rosto que vira em frente à Polícia Federal. Meu ônibus sempre passava em frente à sede da PF e eu tentava guardar os rostos. 

 – É a Polícia Federal – avisei ao Marcelo.

Em instantes estávamos cer­cados. Apareceram mais homens, mais um carro. Voltei a perguntar: 

– O que está acontecendo? 

Eles nos algemaram e empurraram o Marcelo para o camburão. Era uma camionete Veraneio, sem identificação. Eu tive uma reação curiosa: antes que me empurrassem sentei no chão da calçada e comecei a gritar, a berrar como louca, queria chamar a atenção das pessoas na rua. Mas ainda era cedo, manhã de domingo, havia pouca gente circulando. Achava que quanto mais gente visse aquela cena, mais chances eu teria de sair viva. Como eu berrava, me puxaram pelos cabelos, me agarraram para me colocar no carro. Eu, ainda com aquela coisa de Justiça na cabeça, reclamei: 

– Moço, cadê a ordem de prisão? 

O homem botou a metralhadora no meu peito e respondeu com outra pergunta: 

– Esta serve? 

As algemas eram diferentes, eram de plástico, e estavam muito apertadas, doíam no pulso. Viajamos sem capuz, eu e Marcelo, em direção a Vila Velha, onde fica o quartel do Exército. Eu ainda achava que não era nada comigo, que o alvo era o Marcelo. Ele estava no quarto ano de Medicina e tinha acabado de liderar a única greve de estudantes do país daquele ano, que trancou por dois dias as aulas na universidade de Vitória e paralisou os trabalhos no Hospital de Clínicas. Achei que estava presa só porque estava indo à praia com o Marcelo. 

A Veraneio entrou no pátio do quartel, o batalhão de infantaria. Nos levaram por um corredor e nos separaram. Marcelo foi viver seu inferno, que durou 13 meses, e eu o meu. Sobre mim jogaram cães pastores babando de raiva. Eles fi­cavam ainda mais enfurecidos quan­do os soldados gritavam: “Ter­rorista, terrorista!”. Pareciam trei­nados para ficar mais bravos quan­do eram incitados pela palavra maldita.

De repente, os soldados que me cercavam começaram a cantar aquela música do Ataulfo Alves: “Amélia não tinha a menor vaidade/ Amélia é que era mulher de verdade”. Só então percebi que minha prisão não era um engano. “Amélia” era o codinome que o meu chefe de ala no PCdoB tinha escolhido pra mim: “Você, a partir de agora, vai se chamar Amélia”. Quis reagir na hora, afinal não tenho nada de Amé­lia, mas não quis discordar logo na primeira reunião com o dirigente. 

O comandante do batalhão era o coronel Sequeira [tenente-co­ro­nel Geraldo Cândido Sequeira, que exerceu o comando do 38º BI entre 10 de março de 1971 a 13 de março de 1973], que fingia que mandava, mas não via nada do que acontecia por lá. O homem que de fato mandava naquele lugar, na­quele tempo, era o capitão Gui­lher­me, o único nome que se co­nhecia dele. Ele era o chefe do S-2, o setor de inteligência do batalhão. Todos os interrogatórios e torturas esta­vam sob a coordenação dele. Ele pessoalmente nada fazia, mas a ele tudo era comunicado. Nesse pri­meiro dia me deu um bofetão só porque eu o encarei. 

– Nunca mais me olhe assim! – avisou. 

Fui levada para uma grande sala vazia, sem móveis, com as janelas cobertas por um plástico preto. Com a luz acesa na sala, vi um pequeno palco elevado, onde me colocaram de pé e me mandaram não recostar na parede. Che­garam três homens à paisana, um com muito cabelo, preto e liso, um outro ruivo e um descendente de ja­ponês. Mandaram eu tirar a roupa. Uma peça a cada cinco minutos. Tirei o chinelo. O de cabelo preto me bateu: 

– A roupa! Tire toda a roupa. 

Fui tirando, constrangida, cada peça. Quando estava nua, eles mandaram entrar uns 10 soldados na sala. Eu tentava esconder minha nudez com as mãos. O homem de cabelo preto falou: 

– Posso dizer a todos eles para irem pra cima de você, menina. E aqui não tem volta. Quando começamos, vamos até o fim. 

Os soldados ficaram me olhando e os três homens à paisana gritavam, ameaçando me atacar, um clima de estupro iminente. O tempo nessas horas é relativo, não sei quanto tempo durou essa primeira ameaça. Viriam outras. 

Eles saíram e o homem de cabelo preto, que alguém chamou de Dr. Pablo, voltou trazendo uma cobra grande, assustadora, que ele botou no chão da sala, e antes que eu a visse direito apagaram a luz, saíram e me deixaram ali, sozinha com a cobra. Eu não conseguia ver nada, estava tudo escuro, mas sabia que a cobra estava lá. A única coisa que lembrei naquele momento de pavor é que cobra é atraída pelo movimento. Então, fiquei estática, silenciosa, mal respirando, tremendo. Era dezembro, um verão quente em Vitória, mas eu tremia toda. Não era de frio. Era um tremor que vem de dentro. Ainda agora, quando falo nisso, o tremor volta. Tinha medo da cobra que não via, mas que era minha única companhia naquela sala sinistra. A escu­ridão, o longo tempo de espera, ficar de pé sem recostar em nada, tudo aumentava o sofrimento. Meu corpo doía. 

Não sei quanto tempo durou esta agonia. Foram horas. Eu não tinha noção de dia ou noite na sala escurecida pelo plástico preto. E eu ali, sozinha, nua. Só eu e a cobra. Eu e o medo. O medo era ainda ma­ior porque não via nada, mas sabia que a cobra estava ali, por perto. Não sabia se estava se movendo, se estava parada. Eu não ouvia nada, não via nada. Não era possível nem chorar, poderia atrair a cobra. 

Passei o resto da vida lembrando dessa sala de um quartel do Exército brasileiro. Lembro que quan­do aqueles três homens vol­taram, davam gargalhadas, riam da situação. Eu pensava que era só sadismo. 

Não sabia que na tortura bra­sileira havia uma cobra, uma jiboia usada para aterrorizar e que além de tudo tinha o apelido de Míriam. Nem sei se era a mesma. Se era, talvez fosse esse o motivo de tanto riso. Míriam e Míriam, juntas na mes­ma sala. Essa era a graça, imagino. 

Dr. Pablo voltou, depois, com os outros dois, e me encheu de perguntas. As de sempre: o que eu fazia, quem conhecia. Me davam tapas, chutes, puxavam pelo cabelo, bateram com minha cabeça na parede. Eu sangrava na nuca, o sangue molhou meu cabelo. Ninguém tratou de minha ferida, não me deram nenhum alimento naquele dia, exceto um copo de suco de laranja que, com a forte bofetada do capitão Guilherme, eu deixei cair no chão. Não recebi um único telefonema, não vi nenhum advogado, ninguém sabia o que tinha acontecido comigo, eu não sabia se as pessoas tinham ideia do meu desaparecimento. Só três dias após minha prisão é que meu pai recebeu, em Caratinga, um telefonema anônimo de uma mulher dizendo que eu tinha sido presa. Ele procurou muito e só conseguiu me localizar no fim daquele dezembro. Havia outros presos no quartel, mas só ao final de três semanas fui colocada na cela com a outras presas: Ângela, Badora, Beth, Magdalena, estudantes, como eu. 

Fiquei 48 horas sem comer. Eu entrei no quartel com 50 kg de peso, saí três meses depois pesando 39 kg. Eu cheguei lá com um mês de gravidez, e tinha enormes chances de perder meu bebê. Foi o que médico me disse, quando saí de lá, com quatro meses de gestação. Eu estava deprimida, mal alimentada, tensa, assustada, anêmica, com carência aguda de vitamina D por falta de sol. Nada que uma mulher deve ser para proteger seu bebê na barriga. Se meu filho sobrevivesse, teria sequelas, me disse o médico. 

– A má notícia eu já sei, doutor, vou procurar logo um médico que me diga o que fazer para aumentar as chances do meu filho. 

Mas isso foi ao sair. Lá dentro achei que não havia chance alguma para nós. Eu era levada de uma sala para outra, numa área administrativa do quartel, onde passava por outras sessões de perguntas, sempre as mesmas, tudo aos gritos, para manter o clima de terror, de intimidação. Na noite seguinte, atravessei a madrugada com uma sessão de interrogatório pesado, o Dr. Pablo e os outros dois berrando, me ameaçando de estupro, dizendo que iam me matar. Um dia achei que iria morrer. Entraram no meio da noite na cela do forte para onde eu fui levada após esses dois dias. Falaram que seria o último passeio e me levaram para um lugar escuro, no pátio do quartel, para simular um fuzilamento. Vi minha sombra refletida na parede branca do forte, a sombra de um corpo mirrado, uma menina de apenas 19 anos. Vi minha sombra projetada cercada de cães e fuzis, e pensei: “Eu sou muito nova para morrer. Quero viver”. 

Um dia, um outro militar, que não era nenhum daqueles três, botou um revólver na minha cabeça e falou: “Eu posso te matar”. E forçou aquele cano frio na minha testa. Me deu um sentimento enorme de solidão, de abandono. Eu me senti absolutamente só no mundo. Pela falta de notícias, imaginava que o Marcelo estava morto. Entendi que iria morrer também e que ninguém saberia da minha morte, pensei. Mas não quis demonstrar medo. Lembro que o homem do revólver tinha olhos azuis. Olhei nos seus olhos e respondi: “Sim, você pode pode me matar”. E repeti, falando ainda mais alto, com ar de desafio: “Sim, você pode!”.

Um dos interrogatórios foi feito na sala do capitão Guilherme, o S-2 que mandava em todos ali. Era noi­te, ele não estava, e me interrogaram na sala dele. Lembro dela por­que havia na parede um quadro com a imagem do Duque de Caxias. Estava ainda com o biquíni e a ca­mi­sa, era a única roupa que eu ti­nha, que me protegia. Nessa noite, na sala, de novo fui desnudada e os homens passaram o tempo todo me alisando, me apalpando, me bo­li­nando, brincando comigo. Um de­les me obrigou a deitar com ele no sofá. Não chegaram a consumar na­da, mas estavam no limite do estupro, divertindo-se com tudo aquilo. 

Eu estava com um mês de gravidez, e disse isso a eles. Não adiantou. Ignoraram a revelação e minha condição de grávida não aliviou minha condição lá dentro. Minha cabeça doía, com a pancada na parede, e o sangue coagulado na nuca incomodava. Eu não podia me lavar, não tinha nem roupa para trocar. Quando pensava em des­cansar e dormir um pouco, à noite, o lugar onde estava de repente era invadido, aos gritos, com um bando de pastores alemães latindo na minha cara. Não mordiam, mas pareciam que iam me estraçalhar, se escapassem da coleira. E, para enfurecer ainda mais os cães, os soldados gritavam a palavra que enlouquecia a cachorrada: “Terrorista, terrorista! …” 

As primeiras três semanas que passei lá foram terríveis. Só melhorou quando o Dr. Pablo e seus dois companheiros foram embora. Entendi então que eles não pertenciam ao quartel de Vila Velha. Tinham vindo do Rio, é o que chegaram a conversar entre eles, em papos casuais: “E aí, quando voltarmos ao Rio, o que a gente vai fazer lá…” Isso fazia sentido, porque o quartel de Vila Velha integra o Comando do I Exército, hoje Comando do Leste, que tem o QG no Rio de Janeiro. 

Quando o trio voltou para o Rio, a situação ficou menos ruim. Eles já não tinham mais nada para perguntar. Me tiraram da cela da for­taleza e me levaram para a cela co­letiva. Foi melhor. Na cela do forte não havia janelas, a porta era in­tei­riça e minhas companhias eram apenas as baratas. Fiz uma foto mi­nha, agora em 2011, ao lado da porta. 

Até que chegou o dia de as­sinar a confissão, para dar início ao IPM, o inquérito policial-militar que acontecia lá mesmo, dentro do quar­tel. Me levaram para a sala do capitão Guilherme, o S-2, e levei um susto. Lá estava o Marcelo, que eu pensava estar morto. Os mili­tares saíram da sala e nos deixaram sozinhos. Quando eu fui falar al­guma coisa, o Marcelo me fez um sinal para ficar calada. Ele levan­tou, foi até a parede e levantou o quadro do Duque de Caxias. Estava cheio de fios e microfones lá atrás. Era tudo grampo.

Depois disso, o Marcelo foi le­va­do para o Regimento Sampaio, na Vila Militar, no Rio de Janeiro, e lá ficou nove meses numa solitária. Sem banho de sol, sem nada para ler, sem ninguém para conversar. Foi colocado lá para enlouquecer. Nove longos e solitários meses… Nós, todos os presos e os que já estavam soltos, nos encontramos mais ou menos em junho na 2ª Auditoria da Aeronáutica, para o que eles chamam de ‘sumário de culpa’, o único momento em que o réu fala. Eu com uma barriga de sete meses de gravidez. O processo, que envolvia 28 pessoas, a ma­ioria garotos da nossa idade, nos acusava de tentativa de organizar o PCdoB no estado, de aliciamento de estudantes, de panfletagem e pi­cha­ções. Ao fim, eu e a maioria fo­mos absolvidos. O Marcelo foi con­denado a um ano de cadeia. Nunca pedi indenização, nem Marcelo. Gos­taria de ouvir um pedido de des­culpas, porque isso me daria con­fiança de que meus netos não vive­rão o que eu vivi. É preciso reconhecer o erro para não repeti-lo. As Forças Armadas nunca reconheceram o que fizeram. 

Nunca mais vi o capitão Gui­lherme, o S-2 que comandou tudo aquilo. Uma vez ele apareceu no Su­perior Tribunal Militar como as­sessor de um ministro. Marcelo foi expulso do curso de Medicina, após a prisão, e virou jornalista. Fomos para Brasília em 1977. Por ironia do destino, Marcelo só conseguiu vaga de repórter para cobrir os tribunais. E lá no STM, um dia, ele reviu o capitão Guilherme. Depois disso, não soubemos mais dele. Nem sei se o S-2 ainda está vivo. 

O que eu sei é que mantive a promessa que me fiz, naquela noite em que vi minha sombra projetada na parede, antes do fuzilamento simulado. Eu sabia que era muito nova para morrer. Sei que outros presos viveram coisas piores e nem acho minha história importante. Mas foi o meu inferno. Tive sorte comparado a tantos outros. 

Sobrevivi e meu filho Vladimir nasceu em agosto forte e saudável, sem qualquer sequela. Ele me deu duas netas, Manuela (3 anos) e Isabel (1). Do meu filho caçula, Matheus, ganhei outros dois netos, Mariana (8) e Daniel (4). Eles são o meu maior patrimônio. 

Minha vingança foi sobreviver e vencer. Por meus filhos e netos, ainda aguardo um pedido de des­cul­pas das Forças Armadas. Não cul­tivo nenhum ódio. Não sinto nada disso. Mas, esse gesto me daria se­gurança no futuro democrático do país. 


Fonte: Painel Alagoas

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