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25/04/2022 às 07h46

Geral

Street Art em Milão: um museu ao ar livre

A história da cidade em murais desenhados nos bairros da periferia

Reprodução

Por Dora Nunes, de Milão, Itália

A transformação urbana da cidade de Milão promove a memória do século XX por meios de murais nos bairros da periferia desde 2015, quando, por ocasião do 70º ani­ver­sário da Libertação e por iniciativa espontânea das associações de moradores, foi criado o primeiro mu­ral “As palavras da Liberdade” retratado em um viaduto. Trata-se do Projeto do OR.ME Ortica Memo­ria, onde 20 obras de arte urbana criadas pelo coletivo de artistas OrticaNoodles, conta uma história do século XX na capital milanesa.

 A arte de rua transformou-se em um livro ao ar livre acessível e gratuito para quem circula pelas ruas de Ortica, um bairro da peri­feria que possui uma alma histórica de séculos e hoje abriga murais gigantescos e coloridos homenageando vários aspectos e personagens que marcaram a história italiana. Um dos objetivos do projeto foi criar um itinerário que levasse milaneses e turistas para fora do centro. 

A história do bairro de Ortica (urtiga em português) anda de mãos dadas com aquela de Milão, sendo escolhido como primeiro local e como uma ferramenta de requalificação das áreas urbanas levando  valorização para a periferia, criando roteiros culturais e identitários e expandindo o conhecimento da cidade e seus subúrbios cheios de arte e movimento.

Até 1923, Ortica era uma fração do município de Lambrate, então anexado à Milão. A etimologia do seu nome tem origem na Idade Média e deriva, como se pode perceber facilmente, de "jardim". Mas a tradição desta área é intrínseca à periferia; Ortica é o subúrbio oriental da capital lombarda, localizado entre os trilhos da fer­rovia que a cercam e permeiam. São vários murais espalhados na­quela área, cada obra conta re­presenta um pedaço do século XX milanês, da agricultura às mulheres, do boom econômico ao espor­te, da comida à cultura. Falarei de alguns a seguir.

O mural que retrata a história do bairro chamado “Ortica viene da orto” (Urtiga deriva da Horta), ou seja, uma área particularmente ade­quado para o cultivo de hortaliças, irrigado a partir do rio Lambro, que está nas proximidades. A obra re­lembra o passado agrícola com flo­res e cores, antes da chegada das estradas de ferro e das fábricas. O colorido das pinturas recorda as papoulas vermelhas, símbolos da paz, em homenagem às vítimas das guerras mundiais.       

A parede das mulheres que fizeram os “900” grande - A década de 1900 foi o século das mulheres, o século em que atingiram objetivos que antes eram inatingíveis. Lutando com coragem, elas ganharam a liberdade de escolher sua vida no trabalho, no casamento e, pela primeira vez na história, na maternidade.

O muro da legalidade - A obra é dedicada àqueles que lutaram, e muitas vezes perderam a vida, em nome da legalidade e da justiça. Protagonistas de lutas desiguais, corajosas e nobres, tenazes e muito lúcidos contra um inimigo, muitas vezes obrigado a desmascarar-se, decretando assim o início do seu próprio fim. 

Música Popular - L'Ortica é um dos bairros mais populares de Milão, junto com Porta Romana e Navigli. Os inúmeros restaurantes caseiros e pousadas tornaram-se pontos de encontro para cantar e tocar juntos. A antiga Trattoria del Gatto Nero era a mais popular. O mural colorido é dedicado aos autores mais importantes da música milanesa. Todos em suas canções cantavam a Urtiga.

O Muro da Cooperação - O trabalho é dedicado ao Movimento Cooperativo Italiano e à primeira cooperativa milanesa. O mural representa a foto histórica, datada de 1914, que retrata os membros da Seção Cinisello da Sociedade de Melhoria e Resistência entre os Pedreiros de Milão. Duas pinturas que representam Jesus Cristo e Charles Marx.

A Parede do Partidário e do Bispo - O Dia da Libertação é um dos principais eventos no distrito de Ortica. Bairro que tinha a sua própria referência partidária e onde estavam representados todos os componentes da Resistência. A homenagear do trabalho é para duas importantes personalidades que testemunharam com suas vidas aquilo em que acreditavam: o bispo Marco Ferrari e o partidário Luigi Morandi.

As palavras da liberdade - Em 25 de abril de 1945, revoltas partidárias puseram fim à ocupação nazi-fascista de Milão e Turim, poucos dias antes da chegada das tropas aliadas. É o fim da ditadura de Mussolini e da Segunda Guerra Mundial. Este foi o primeiro mural criado pelo Projeto OR.ME.

Mural esportivo - O esporte sempre foi importante na Itália. Este mural é uma homenagem a dois de seus grandes campeões do futebol milanês: Mazzola e Rivera. O mural homenageia aqueles que testemunharam o valor civil do esporte tornando-se promotores de importantes batalhas sociais. Entre outros, Nadia Comăneci, Martina Navrátilová e Muhammad Ali (Cassius Clay).

Muro de trabalhadores - Milão é a cidade do trabalho. Aqui em 1891 nasceu a mais antiga Câmara do Trabalho da Itália e em 1906 foi fundada a Confederação Geral do Trabalho. A obra é uma homenagem à cidade trabalhadora e solidária. É retratada Teresa Noce que foi partidária, mãe constituinte, sindicalista e por fim uma deputada que criou a lei da maternidade.

Aos antifascistas e deportados políticos – Feito por ocasião do 75º aniversário da Libertação, representa os antifascistas milaneses, entre os menos conhecidos. Um trabalho que mostrar o orgulho dos que não se curvaram, mantendo sempre viva a esperança de um mundo melhor. As cores, vermelho, preto e roxo, representam a paixão e o sangue, o drama da morte e o sacrifício de muitas pessoas para obter a liberdade.


Fonte: Painel Alagoas

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