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25/07/2022 às 07h00

Geral

José Wanderley Neto “Um soldado do SUS” 

50 anos de medicina e a missão do médico nascido em Cacimbinhas, interior de Alagoas, continua a mesma: a de cuidar de pessoas e defender a vida 

W104 Com a esposa Simone e a mãe Dona Noemia Wanderley

Por Eliane Aquino

“Sou um soldado do SUS”, costuma dizer José Wanderley Neto, vice-governador de Alagoas pela segunda vez e um dos nomes mais conceituados da cardiologia brasileira, ao se referir ao seu trabalho na saúde pública. “Sou um alagoano que tem muita história de vida e tantas estórias para contar”, define-se, quando perguntado quem é o alagoano de Cacimbinhas, município da mesorregião do Agreste do estado onde ele nasceu em 1949, filho de Dona Noêmia e o mais velho de seis irmãos. “Sou um boêmio”, brinca com os amigos que sempre reúne em sua casa para “bater papo” e desfrutar junto com eles de um “bom churrasco”. 

Torce em Alagoas pelo CRB e no Rio de Janeiro, onde fez sua especialização em Cirurgia Torácica e Cardiovascular pela Pontifícia Universidade Católica, depois de se graduar no curso de medicina pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), é Fluminense de “carteirinha”. Quem quiser agradá-lo, o convide para uma boa galinhada caipira, aí não tem erro. Em suas horas vagas, gosta de ler, se informar, assistir noticiários e, desde dezembro de 2021 e abril de 2022, junto com a esposa, a médica Simone Caju, “paparicar” os netos Klever (filho de Hugo) e Sofia (filha de Rene). 

Wanderley e Simone são casados há 41 anos, pais de Hugo (formado em Direito, prefeito de Cacimbinhas pelo segundo mandato consecutivo e presidente da Associação dos Municípios de Alagoas - AMA), Rene (formado em Administração), e o caçula, Laio, que seguiu a profissão do pai, é cirurgião cardíaco vascular. Simone conta que ela e Wanderley se conheceram “na noite”, mais precisamente em um “point” da juventude nos anos 70/80 em Maceió: o Ipaneminha. Juntaram o amor e a profissão e se casaram após dois anos de namoro. 

BODAS DE OURO COM A MEDICINA

Mas é com a cardiologia que José Wanderley Neto comemora esse ano, cinco décadas de amor e trabalho. E muita dedicação, muita luta em defesa do SUS – Sistema Único de Saúde, mais de 22 mil ci­rurgias e 50 transplantes. O primeiro transplante de coração no Nordeste, diga-se de passagem, em março de 1989, ao lado do colega sergipano José Teles, com quem já vinha trocando conhecimento e experiência nessa área deste 1978, tornou-se referência na cardiologia da região.

Wanderley e Teles tinham como incentivador Jesus Zerbini, que foi professor de ambos e o pri­meiro cirurgião da América Latina e o quinto no mundo, a realizar um transplante cardíaco.  O jovem alagoano Sebastião Francisco de Lima, portador da Doença de Chagas, foi o primeiro transplantado de coração no Nordeste. A doa­ção do órgão veio da família de uma vítima de acidente em Aracaju. A intenção inicial seria trazer o cora­ção para Alagoas, mas Wan­derley avaliou que era mais seguro levar Sebastião para Sergipe e lá foi rea­lizada, com sucesso, a cirurgia.

Chico, como é conhecido o paciente de Wanderley e José Teles, é hoje o mais longevo transplantado cardíaco do país e da América Latina, com 33 anos de sobrevida, considerado um marco na história da cardiologia mundial. 

Foi a partir de então, que Wanderley começou a levar a técnica a outros estados nordestinos, tornando o serviço de cardiologia da Santa Casa – o Instituto de Doenças do Coração (IDC) – um centro formador de cirurgiões cardíacos, com reconhecimento nacional. Essa exportação de conhecimento foi a mola que impulsionou outra importante contribuição de José Wanderley Neto, também com participação de José Teles: a criação do Nordeste Transplante (NE-Tx). E o programa foi além da expectativa, incluindo outras especialidades, a exemplo dos transplantes renais. 

“E com 50 anos de medicina, continuo minha missão de cuidar de pessoas e defender a vida”, diz Wanderley, que acumula vários prêmios, medalhas e títulos pela sua atuação na cirurgia cardíaca e em defesa do SUS. 

José Wanderley Neto é Pro­fessor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Diretor do Instituto de Doença do Coração de Alagoas, membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Fundador e Chefe do serviço de cirurgia cardíaca da Santa Casa de Maceió, membro do corpo editorial da Revista da Sociedade Brasileira de Cardiologia, preceptor do Internato de Cirurgia da Escola de Ciências Médicas de Alagoas, membro titular da So­ciedade Brasileira de Cirurgia Car­diovascular, membro do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, membro Fundador da Sociedade Alagoana de Cardiologia, membro Fundador da Sociedade Norte- Nordeste de Cardiologia e membro Fundador da Associação Brasileira de Trans­plante de Órgãos. 

O médico como ser político 

De Cacimbinhas, Wanderley traz com ele o DNA político da família, mas ele próprio demorou a entrar no processo eleitoral. Foi Secretário de Estado da Saúde, liderou muitos movimentos políticos em favor do SUS e do avanço da tecnologia da saúde, foi suplente de senador, candidato a prefeito de Maceió em 2004, foi vice-governador de Alagoas de 2007 a 2010. 

 Recentemente, na eleição in­direta pela Assembleia Legislativa Estadual, por conta da renúncia do então governador Renan Filho para disputar mandato de senador, Wanderley foi eleito vice-go­­­ver­nador na chapa de Paulo Dantas para governar o estado até 31 de dezembro deste ano. É pré-candidato a deputado estadual na eleição de outubro próximo. 

 A motivação de Wanderley nessa pré-candidatura tem tudo a ver com a medicina. Ou melhor, com a saúde pública. “É forma de manter minha militância na luta pelo fortalecimento da política pública de saúde no estado”, diz ele, entendendo que é na As­sem­bleia Legislativa que pode implantar avanços na saúde pública estadual e nas transformações sociais através da educação.

Em seu blog no site Tribuna Hoje, o vice-governador escreveu: "De todos os problemas crônicos que impedem o desenvolvimento do país o mais crucial a ser vencido é sem dúvida o da educação. Não há nação desenvolvida sem um projeto educacional arrojado e universalizado que dê acesso, abrigo e qualidade de ensino a todos os beneficiados. Lamen­tavel­mente não vencemos ainda sequer a primeira etapa, a do acesso", e exem­plifica: "Muitas crianças e jovens continuam fora da sala de aula e as que frequentam são desmotivadas por um ensino que deixa muito a desejar desencadeando a evasão. O problema não é novo".

José Wanderley Neto é filiado ao MDB. 


Fonte: Painel Alagoas

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