Vinte anos depois de a Câmara aprovar a abertura do processo de impeachment de Fernando Collor --o que selou a queda do então presidente da República--, o potiguar Eriberto França reclama: "Fui esquecido. Minha dignidade tem que ser resgatada. No meio político é 'estou bem' e o resto que se dane".
Há um ano e meio desempregado, ele é desde 1992 o "motorista que derrubou o presidente", mas faz questão de reafirmar logo de cara: "Eu nunca fui motorista do presidente. Nunca dirigi para ele".
Eriberto, hoje com 47 anos, trabalhava como assessor de Ana Acioli, secretária particular de Fernando Collor. Uma espécie de "faz-tudo". Dirigia para ela e cuidava de tarefas financeiras ligadas ao ex-presidente e sua família.
Pagava contas da Casa da Dinda, por exemplo. Tudo com dinheiro enviado por Paulo César Farias (morto em 1996), tesoureiro da campanha presidencial de Collor e acusado de liderar um esquema de corrupção no Planalto.
Foi Eriberto quem comprou o famoso Fiat Elba, carro usado por Rosane Collor que virou prova do esquema de PC Farias. "Eu comprei, né, com o cheque", recorda.
Fonte: Folha de São Paulo