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14/02/2026 às 10h00

Política

Mendonça na relatoria do caso Master: entenda o que está em jogo e o que vem pela frente

Escolha de Mendonça foi feita por sorteio, em sistema eletrônico do STF, após uma reunião entre os ministros decidir pela saída de Dias Toffoli da relatoria

Foto: Luiz Roberto/TSE

O ministro André Mendonça é o novo relator dos procedimentos sobre o caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele substitui o ministro Dias Toffoli, que deixou a função nessa quinta-feira (12).

A mudança ocorreu após a Polícia Federal enviar ao Supremo, na última segunda-feira (9), um relatório com menções ao nome de Toffoli a partir de dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. O banco é investigado por suspeita de fraude financeira.

A escolha de Mendonça foi feita por sorteio, em sistema eletrônico do STF.

Veja abaixo como funciona a distribuição de processos no Supremo, quando pode haver mudança de relatoria e o que muda (e o que não muda) com a troca.


Como é feita a escolha dos relatores no STF?

A divisão de processos entre os ministros é chamada de distribuição. Ela ocorre diariamente e, em regra, pode acontecer de duas formas:

  • por sorteio
  • por prevenção

No sorteio, a escolha é automática e aleatória, feita por sistema eletrônico. A ideia é garantir distribuição impessoal e equilibrada.

Já na prevenção, o ministro que já conduz um caso sobre determinado tema pode receber os demais processos ligados ao mesmo assunto. O objetivo é evitar decisões conflitantes.


O que é 'prevenção' e quando ela vale?

A prevenção ocorre quando o STF entende que um processo novo tem ligação com outro já em andamento no tribunal.

Nesse caso, uma análise técnica avalia se existe conexão suficiente para que o caso fique com o mesmo relator.


Quem participa da distribuição no Supremo?

Pelas regras internas do STF, 10 dos 11 ministros podem participar.

A exceção é o presidente do tribunal, que não entra na distribuição geral porque já é relator automático de alguns tipos de processos.

Também ficam fora da distribuição:

  • ministros com cadeira vaga;
  • ministros licenciados ou em missão oficial por mais de 30 dias;
  • ministros que se declararam suspeitos ou impedidos;
  • ministros cujo nome esteja ligado diretamente ao ato discutido no processo;
  • ministros nos 60 dias anteriores à aposentadoria.

Há ainda exclusões temporárias previstas para o ministro que preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em período eleitoral.


No caso Master, quem ficou fora do sorteio?

No sorteio que definiu André Mendonça como relator dos procedimentos do caso Master, não participaram:

  • o presidente do STF, Edson Fachin;
  • o ministro Dias Toffoli, que deixou a relatoria.


A relatoria pode mudar depois da escolha?

Sim.

Quando a distribuição ocorre por prevenção, o relator pode enviar o caso para a Presidência avaliar se a conexão está correta.

O presidente pode:

  • manter o processo com o relator escolhido; ou
  • determinar a redistribuição.

Além disso, o próprio ministro pode se declarar suspeito ou impedido.


O que é suspeição e impedimento?

Suspeição e impedimento são mecanismos usados quando existem circunstâncias que colocam em risco a imparcialidade do julgador.

Isso pode ocorrer, por exemplo, em casos de:

  • vínculo de parentesco com envolvidos;
  • relação econômica;
  • relação de amizade ou inimizade;
  • outros fatores previstos em lei.

Se o ministro se declara impedido ou suspeito, o caso é redistribuído.


Toffoli foi considerado suspeito no caso Master?

Não.

Na nota divulgada nessa quinta-feira (12), os 10 ministros do STF afirmaram que não houve reconhecimento de suspeição.

Segundo o tribunal, Toffoli atendeu a todos os pedidos formulados pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Os ministros registraram que a decisão de deixar a relatoria ocorreu com base em regra interna que permite ao relator submeter à Presidência questões relacionadas ao bom andamento dos processos.


O que acontece com as decisões já tomadas por Toffoli?

O STF afirmou, na mesma nota, que os ministros reconheceram “a plena validade dos atos praticados” por Toffoli na relatoria dos procedimentos sobre o Banco Master.

Ou seja: as medidas tomadas até aqui permanecem valendo.


Por que a escolha do relator é importante?

A Constituição prevê o princípio do devido processo legal e também a garantia do juiz natural.

Isso significa que:

  • ninguém pode escolher previamente quem vai julgá-lo;
  • o julgamento deve ocorrer pela autoridade competente;
  • deve haver imparcialidade.

Se houver parcialidade reconhecida, atos do juiz podem ser anulados.


Qual é o papel do relator no STF em casos criminais?

Nos procedimentos penais, o relator tem papel central na condução do caso.

Cabe ao ministro:

  • autorizar a abertura de inquéritos;
  • supervisionar a investigação;
  • autorizar diligências, como depoimentos, buscas e apreensões e prisões;
  • avaliar se o caso deve ser enviado a instâncias inferiores, quando não for competência do Supremo.

Se a PGR apresentar denúncia, o relator do inquérito costuma seguir na relatoria quando a ação penal for instaurada.


O relator decide tudo sozinho?

Não.

Em regra, em casos penais, o relator toma decisões durante a fase de investigação, mas pontos centrais são decididos pelo colegiado.

Isso ocorre, por exemplo:

  • quando a PGR pede abertura de ação penal;
  • quando o STF julga o mérito do caso, com condenação ou absolvição.


Fonte: Fernanda Vivas, TV Globo

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