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14/02/2026 às 11h20

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Sou mãe e fui cancelada neste carnaval

Quando a sociedade ainda julga o papel da mulher

Divulgação


Olá, poderosas!

Já sentiu uma sensação de culpa por se divertir?

Isso porque, apesar de conquistas importantes nas últimas décadas, a sociedade ainda reforça expectativas rígidas sobre o que significa “ser mãe” e, muitas vezes, isso implica sacrificar a identidade e os desejos pessoais das mulheres.

E essa cobrança não acontece apenas com mulheres anônimas. Ela alcança também figuras públicas.

Recentemente, a influenciadora Virgínia Fonseca, mãe de três filhos e atual rainha de bateria da Grande Rio, falou sobre a presença das crianças nos ensaios e admitiu sentir culpa diante da rotina intensa de trabalho.

Ao mesmo tempo, destacou que o olhar de admiração dos filhos vem como um lembrete de que está tudo bem de que ser mãe não deveria significar se apagar.

O episódio revela algo importante: mesmo com estrutura, visibilidade e sucesso, mães continuam sendo atravessadas pelo mesmo sentimento coletivo de julgamento.

Porque, no fundo, a sociedade ainda estranha quando uma mulher tenta conciliar maternidade e vida própria como se uma coisa anulasse a outra.

Maternidade ainda vista como destino

Pesquisas mostram que a maternidade continua sendo vista, em muitas culturas, como o papel principal da mulher frequentemente ofuscando sua identidade profissional, social e pessoal.

Essas expectativas não apenas influenciam a forma como a sociedade enxerga as mães, mas também moldam a maneira como as próprias mulheres se percebem.

No Brasil, por exemplo, a presença das mães no mercado de trabalho ainda é profundamente desigual: cerca de 60% das mães estão fora do mercado formal e, entre aquelas que conseguem emprego, a maioria ocupa cargos operacionais, com pouca representação em posições de liderança.

Ou seja: a cobrança não é apenas emocional. Ela é estrutural.

Carnaval: um feriado que também pesa

Mas por que esse período, que deveria ser apenas mais um feriado no calendário, ainda desperta tanta culpa em nós?

Por que, quando uma mãe decide descansar, ela sente que está “falhando”?

E quando decide sair, mesmo que por algumas horas, parece que precisa se justificar?

A verdade é que o carnaval escancara algo que acontece o ano inteiro:

a sociedade ainda cancela mães que se permitem ser mulheres.

Existe uma cobrança invisível mas muito presente de que a maternidade seja uma entrega total. Como se, a partir do momento em que os filhos nascem, a mulher deixasse de ter direito a pausas, alegria, liberdade ou simplesmente… vida própria.

Se ela aparece em um bloco, surgem os julgamentos:

“E os filhos?”

“Mãe não deveria estar aí.”

“Que exemplo é esse?”

Se ela escolhe ficar em casa, também não escapa:

“Você sumiu.”

“Virou só mãe.”

“Nem vive mais.”

Percebe o peso?

Em qualquer escolha, a mulher parece sempre estar devendo.

A fantasia que ninguém vê: a sobrecarga

E isso acontece porque ainda vivemos em uma cultura que romantiza a mãe incansável aquela que dá conta de tudo, que se anula sem reclamar.

Só que por trás dessa imagem existe uma realidade dura: exaustão, solidão e sobrecarga emocional.

Segundo dados recentes, quase metade das mães brasileiras têm menos de uma hora por dia para si mesmas um tempo mínimo de autocuidado em meio a tantas responsabilidades.

Isso não é detalhe.

Isso é um retrato.

Mães também precisam respirar

Por isso, talvez o carnaval não seja apenas sobre festa.

Talvez seja sobre um lembrete:

mães também precisam respirar.

Para algumas, isso vai significar alegria na rua.

Para outras, silêncio em casa.

Para muitas, apenas a chance de descansar sem culpa.

E o ponto central é esse:

não se trata de onde você vai passar o carnaval.

Se trata de não ser cancelada por existir além da maternidade.

A sociedade evoluiu, sim. Hoje falamos mais sobre saúde mental materna, sobre rede de apoio, sobre divisão de tarefas. Mas ainda há um longo caminho.

Que nesse carnaval com folia ou com descanso a gente se permita uma coisa simples, mas revolucionária:

não se abandonar.

Beijos de Poder!


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Entre Nós Mulheres por Mical Rocha

Sou uma mistura de entusiasmo pela comunicação, amor por café, doces e pessoas inteligentes, uma pitada mágica para transformar problemas em soluções digitais incríveis.

“Aqui quem fala é a Consultora Digital de sorriso no rosto e estratégias na manga!”

Mical Rocha

Alagoana, mãe de 3 filhos, jornalista, escritora, autora do livro “Mostre o Seu Poder”, direcionado ao público feminino. Sua primeira experiência na comunicação foi como radialista em uma Rádio Comunitária (2003-2005), e nessa função, apresentou vários programas atuando também em outro estado na Rádio Atalaia – Aracaju-Se (2005-2006) e  Rádio Farol FM em Maceió-AL, por um período de 3 anos. Já foi compositora e cantora gospel. Atualmente é consultora digital feminina e realiza alguns projetos em assessoria na área da comunicação.

Contato: 82 99691-7755

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