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13/05/2024 às 08h00

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Conservador, moderado ou agressivo?


Como investidores, nem sempre é simples sabermos qual o nosso perfil, característica tão importante para nortear decisões: enquanto conservadores optam pela tranqüilidade da renda fixa abrindo mão de rentabilidades maiores, agressivos seguem o caminho oposto, atrás dos grandes ganhos, apesar das turbulências. Questionários existentes em bancos e corretoras nos ajudam a refletir sobre esta questão, nos atribuindo uma das classificações que estão no título deste artigo. Mas eventualmente tal classificação nos traz algum desconforto, e foi justamente refletindo sobre o tema, que montei a listinha a seguir: mesmo incompleta, procuro com ela levar vocês, meus queridos leitores e leitoras, a pensarem no nível de risco que conseguiriam aceitar antes de começar a ingerir quantidades industriais de ansiolíticos!

(1) Idade – quanto mais novo, maior o risco aceito, não apenas pela maior impetuosidade no comportamento, mas principalmente pelo maior tempo que os mais novos têm para recuperar-se de eventuais perdas.

(2) Horizonte do Investimento – quanto mais longo, maior o risco aceito, por motivos parecidos com os citados no fator idade: quem irá precisar do dinheiro daqui a um ano tem menor mobilidade do que quem irá precisar do dinheiro somente daqui a cinco, não é mesmo?

(3) Data do resgate – quanto mais incerta, maior o risco aceito, o que significa dizer com isso que para aqueles com compromissos certos para o dinheiro, os ativos de risco devem ser evitados: já imaginou, por exemplo, contar com a valorização da bolsa para pagar a intermediária do apartamento que vence no início do próximo mês?

(4) Objetivo – quanto menos essencial, maior o risco aceito. Por exemplo, se você poupa para viajar nas férias, decerto pode arriscar-se mais do que quando poupa para ajudar no estudo dos filhos, não concorda?

(5) Natureza da Renda – quanto mais certa, maior a previsibilidade para o pagamento das contas, e assim, maior a tranqüilidade em assumir riscos. Um pequeno empresário, por exemplo, como já enfrenta os riscos do seu negócio, deve ir com menor ímpeto à bolsa que um assalariado, não parece razoável?

(6) Renda Livre – quanto maior o percentual, maior a sobra que poderá ser destinada a investimentos de risco. Por exemplo, Maria guardava R$ 800 mensais na Poupança para garantir a faculdade do filho, mas agora, que consegue economizar R$ 1.200, passou a incluir os R$ 400 adicionais em aplicações de risco.

(7) Nível de Endividamento – quanto menor, maior o risco aceito. Quem tem dívidas, deve, antes de qualquer outra ação, liquidá-las para, assim transformar o que antes era pagamento de juros em renda livre. Acrescentaria também o cuidado que endividados devem ter a fim de evitar a armadilha de encarar investimentos arriscados como tábua de salvação para seus problemas financeiros.

(8) Fundo de Emergência – quanto maior o saldo que você guardou para as emergências, mais raras serão as ocasiões em que você se verá sem dinheiro... Chego mesmo a supor que aqueles que já têm o seu fundo de reserva são geralmente os sem dívidas e com renda livre, ou seja, justamente aqueles que conseguirão assumir maiores riscos ao investir.

(9) Conhecimento técnico – quanto mais você souber sobre o mercado que irá participar, maior será a segurança em suas decisões, fazendo assim com que sua opção por ativos de risco seja baseada em fundamentos, e não simplesmente uma grande aposta.

Concluo o artigo alertando que o fato de alguém se enquadrar em determinado perfil não significa que não possa (ou não deva) aplicar em ativos aparentemente fora do próprio perfil, mas sim que deva limitar tais investimentos ao que é recomendado com segurança. Por exemplo, Maria tem perfil conservador, e a recomendação do banco onde tem conta é alocar 90% dos seus recursos em Renda Fixa e os 10% restantes em Fundos Multimercado; já para Vanessa, com o perfil agressivo, foi recomendado alocar 45% dos recursos em Renda Fixa, 25% em Fundos Multimercados e os 30% restantes em Renda Variável. Observe que mesmo apresentando o perfil agressivo, a recomendação segura para Vanessa não foi a de investir 100% de seus recursos em Renda Variável, assim também como para Maria, de perfil conservador, não foi a de investir 100% dos seus recursos em Renda Fixa. Ficou claro? O segredo aqui é distribuir seus recursos entre as diferentes classes de ativos, dentro do limite de risco que você aceita correr, que tal?

Um grande abraço e até a próxima semana!


Inteligência Financeira por Roberto Zentgraf

Graduado em Engenharia Civil (UFRJ), teve experiência profissional construída marcadamente na área financeira, iniciada na Controladoria do Grupo Exxon Foi professor no Grupo Ibmec lecionando disciplinas da área financeira (Matemática Financeira, Estatística, Finanças Corporativas, Gestão de Portfolios, dentre outras)

Paralelamente a estas atribuições, passou a assinar uma coluna semanal sobre Finanças Pessoais no jornal O Globo, tendo a oportunidade de esclarecer as principais dúvidas dos leitores sobre orçamento pessoal, dívidas, aposentadoria, financiamento imobiliário e investimentos. O sucesso atingido pela coluna proporcionou inúmeras participações em palestras, comentários na mídia escrita e televisiva, além da publicação de outros sete livros tratando o tema.

Após obter a certificação de planejador financeiro (CFP® Certified Financial Planner) associou-se à BR Advisors, grupo especializado em soluções financeiras.


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