Se a memória não me engana, o ônibus foi, durante muito tempo, o meu meio de transporte usual, até entrar na faculdade... Lembro-me ainda que, nos horários de pico, lotação máxima concentrada na parte traseira do coletivo (naquela época entrava-se por trás e saia-se pela frente!), o motorista volta e meia dava uns trancos, a fim de que os passageiros – eu incluído – passassem para a frente, distribuindo assim melhor os espaços e desta forma permitindo que novos passageiros entrassem. Era a famosa freada de arrumação!
Mas porque trato disso por aqui hoje? Motivo simples: com um quarto do ano ficando no passado, que tal uma freada de arrumação no planejamento financeiro para ver como andam as coisas, ajustando-as, se possível? Entendo que fazer este exercício agora traga vantagens tanto para os que, como eu, traçam metas financeiras no início do ano (e desta forma possam ajustar o que não foi cumprido), quanto para os mais descansados, que diante do aumento generalizados dos preços, começam a se preocupar em como racionalizar suas receitas e despesas. E você, meu caro leitor, minha cara leitora, de qual grupo você participa? Como fazer?
Não importando em qual situação se encontre, minha sugestão é que você faça uma radiografia de suas contas a fim de identificar de onde veio e para onde foi o seu dinheiro neste primeiro trimestre. Começando pela parte mais trabalhosa – a das despesas – você precisará classificar tudo o que gastou nos últimos três meses em alguns grupos, tais como: moradia, alimentação, educação, saúde, transporte, vestiário, lazer, profissionais, dentre outros. Encontre essas informações em seus extratos bancários, em suas anotações pessoais e nas faturas dos cartões de crédito. Evite criar um grupo “gastos no cartão”, pois a ideia aqui é saber em que você gastando. Exemplificando, se sua fatura do cartão foi de R$ 1.500, R$ 400 gastos em combustível, R$600 em restaurantes e R$ 500 em roupas, classifique respectivamente nos grupos: transporte, lazer e vestiário. Não se esqueça ainda de criar o grupo dos gastos financeiros: juros e multas pagos, anuidades de cartões, tarifas bancárias. Encontre os totais por grupo e o total geral das despesas.
Terminada a etapa anterior, faça o mesmo com suas receitas, agrupando-as em salários e gratificações (ou serviços que prestou, no caso de não trabalhar com carteira assinada), aluguéis que receba, e demais receitas. Crie também o grupo de receitas financeiras, considerando neste caso juros, dividendos (dentre outros) que tenha recebido no período. Mas atenção: aplicações financeiras em renda variável ou valorizações (imóveis ou ações, por exemplo) não devem entrar no grupo, pelo motivo óbvio de ainda não estarem no seu bolso. Encontre os totais por grupo e o total geral das receitas.
Feito todo o levantamento, é chegado o momento mais importante: o da análise dos resultados. Sinal verde se suas receitas superaram as despesas, sinal amarelo se empataram e sinal vermelho se as receitas não cobriram as despesas. Claro que em todos os casos, nunca é demais avaliar despesas e corrigir distorções, mas entendo que tal avaliação seja obrigatória nos casos do sinal vermelho... se sua situação é essa, atenção redobrada pois seu déficit, se nada for feito, só tende a aumentar por conta dos juros que irá pagar para financiá-lo. O que fazer?
Receita clássica: ataque suas despesas, pois é mais fácil controlá-las do que suas receitas (dependem do seu patrão e/ou clientes, por exemplo). Procure eliminar primeiro aqueles gastos que trazem poucas alegrias, tais como as despesas financeiras (juros e multas), os desperdícios (o que você paga, mas não usa), os supérfluos (pequenos prazeres que podem ser adiados até a situação melhorar), para só então mexer nos essenciais. Bote como meta o sinal verde ao final do ano, que tal?
Um grande abraço e até o próximo semestre!
Graduado em Engenharia Civil (UFRJ), teve experiência profissional construída marcadamente na área financeira, iniciada na Controladoria do Grupo Exxon Foi professor no Grupo Ibmec lecionando disciplinas da área financeira (Matemática Financeira, Estatística, Finanças Corporativas, Gestão de Portfolios, dentre outras)
Paralelamente a estas atribuições, passou a assinar uma coluna semanal sobre Finanças Pessoais no jornal O Globo, tendo a oportunidade de esclarecer as principais dúvidas dos leitores sobre orçamento pessoal, dívidas, aposentadoria, financiamento imobiliário e investimentos. O sucesso atingido pela coluna proporcionou inúmeras participações em palestras, comentários na mídia escrita e televisiva, além da publicação de outros sete livros tratando o tema.
Após obter a certificação de planejador financeiro (CFP® Certified Financial Planner) associou-se à BR Advisors, grupo especializado em soluções financeiras.