Quando se fala em internacionalização da moda brasileira, quase sempre a primeira imagem que surge é a de uma passarela. Mas talvez o movimento mais importante esteja acontecendo longe dos flashes dos grandes desfiles. Entre 9 e 11 de setembro, 34 empresas brasileiras estarão no Javits Center, em Nova York, participando da COTERIE, uma das principais plataformas comerciais dedicadas à moda feminina contemporânea e advanced contemporary dos Estados Unidos.
Não se trata de uma participação simbólica. A delegação brasileira inclui nomes conhecidos como Água de Coco, Colcci, Dress To, Osklen, Schutz/Arezzo, Serpui, Wai Wai Rio, Isla Bolsas, Carrano e Vizzano, ao lado de marcas menores que enxergam na feira uma oportunidade concreta de entrar ou crescer no varejo norte-americano. Ao todo, são 34 empresas apoiadas pelo Texbrasil, programa desenvolvido pela Abit em parceria com a ApexBrasil.
E os números ajudam a explicar por que Nova York importa.
Na edição de setembro de 2025, as empresas brasileiras participantes realizaram 1.238 contatos com compradores, fecharam aproximadamente US$ 1,7 milhão em negócios durante o evento e projetaram outros US$ 4,1 milhões em vendas para os 12 meses seguintes. Em fevereiro deste ano, outra participação brasileira na COTERIE reuniu 16 empresas e gerou US$ 861 mil em negócios, além de expectativa de mais US$ 1,7 milhão posteriormente.
Isso muda bastante a perspectiva.
Moda internacional não se constrói somente com prestígio. Constrói-se com distribuição, compradores, contratos, presença continuada e capacidade de transformar identidade criativa em produto comercialmente competitivo.
E é justamente aí que a COTERIE ganha relevância.
A edição de setembro será realizada simultaneamente à New York Fashion Week e reunirá, junto com MAGIC e SOURCING, quase 900 marcas expositoras. Segundo a organização, 75% dos participantes desse marketplace têm poder direto de compra. Na COTERIE especificamente, a participação internacional cresceu de 30% para 34% dos expositores, com presença de mais de 31 países e destaque explícito para o Brasil entre os mercados internacionais representados.
O evento também está deixando de ser simplesmente uma gigantesca vitrine de roupas.
Nesta temporada haverá áreas dedicadas às coleções contemporâneas, premium, acessórios, calçados, moda resort e swimwear, além de programação envolvendo tecnologia, inteligência artificial, comércio digital e novas estratégias para o varejo. A organização ainda firmou ações com o Council of Fashion Designers of America (CFDA) e mantém uma extensão digital em parceria com a JOOR, permitindo que compradores continuem acessando marcas e realizando pedidos depois do encerramento da feira física.
Para o Brasil, existe outro aspecto especialmente interessante.
A COTERIE tem uma área chamada Destination, dedicada justamente aos universos de resort, praia e férias — categorias nas quais a moda brasileira possui uma identidade reconhecível e uma vantagem criativa difícil de reproduzir. Água de Coco, por exemplo, aparece entre as marcas internacionais destacadas pela própria organização da feira.
Mas seria simplista reduzir a presença brasileira ao beachwear.
Bolsas, calçados, acessórios, moda feminina contemporânea e marcas de posicionamentos bastante diferentes compõem a delegação. Essa diversidade talvez seja o aspecto mais interessante da participação brasileira: o país começa a apresentar ao comprador estrangeiro não apenas uma estética tropical, mas uma indústria de moda.
O relacionamento com a COTERIE, aliás, não começou agora. O Texbrasil participa do evento há cerca de 20 anos. É uma estratégia de permanência — exatamente aquilo de que a moda brasileira precisa quando pretende conquistar mercados internacionais.
Porque aparecer uma vez em Nova York pode produzir manchetes.
Voltar durante duas décadas produz mercado.
E talvez seja justamente essa a mensagem mais importante da presença das 34 marcas brasileiras em setembro. Em um setor no qual criatividade nunca faltou ao Brasil, o desafio continua sendo transformar talento, identidade e qualidade em presença comercial permanente.
A COTERIE não é propriamente uma passarela.
Para a moda brasileira, pode ser algo ainda mais importante: uma porta de entrada
*Com informações globenewswire e apexbrasil.
Painel Fashion
por Redação
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