Dólar com. 5,384
IBovespa 1,39
02 de junho de 2020
min. 23º máx. 30º Maceió
chuva rápida
Agora no Painel Brasil registra mais de 31 mil mortes por covid-19
17/05/2020 às 08h00

Blogs

O protagonismo feminino na pandemia


Mais da metade dos homens dizem estar ajudando os seus filhos com o ensino à distância. Mas apenas 3% das mulheres concordam, segundo pesquisa do New York Times. Essa diferença ressalta as desigualdades que já existiam, mas estão sendo exacerbadas com as quarentenas. Com a pandemia, as mulheres ganharam ainda mais tarefas domésticas. Uma pesquisa do LeanIn.org, grupo de defesa das mulheres no trabalho, criado pela COO do Facebook, Sheryl Sandberg, aponta que as mulheres gastam em média 71,2 horas por semana em tarefas domésticas e cuidados com os outros desde o início da pandemia. Enquanto os homens relatam 51,5 horas.

As mulheres estão mais expostas nessa crise. Elas representam globalmente 70% dos profissionais de saúde, de acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Mas as mulheres não estão apenas na linha de frente, como também compõem a maioria dos setores que foram mais afetados pelo isolamento, como lazer, hospitalidade e varejo. Ainda são mais propensas a ocupar cargos temporários e de meio período — os tipos de empregos mais suscetíveis a serem cortados em uma recessão.

Nos EUA, o país que tem mais casos registrados no mundo e dados sobre emprego, as mulheres representavam 55% dos pedidos de seguro-desemprego em abril. A taxa de desemprego entre as mulheres chegou pela primeira vez, desde 1948, na casa de dois dígitos. Aumentou de 3,1% para cerca de 15% — frente aos 13% entre os homens. As taxas são ainda piores para outros grupos: o desemprego de mulheres negras é de 16,4% e latinas, 20,2%. “Acho que devemos chamar essa crise de ‘shecession’ (algo como recessão das mulheres)”, diz C. Nicole Mason, presidente e diretora executiva do Instituto de Pesquisa de Políticas para Mulheres dos EUA, em referência à recessão de 2008 que passou a ser conhecida como ‘mancession’, porque mais homens foram afetados.

Normalmente, surtos de doenças ampliam as desigualdade de gênero. Durante o Ebola, na África Ocidental, mais meninas abandonaram os estudos com a quarentena, também teve um aumento nas taxas de gravidez na adolescência, mais mulheres morreram no parto porque os recursos foram desviados para outros setores e a violência doméstica e sexual aumentou. Esta última já tem ocorrido. O número de casos de violência cresceu em 25% pelo mundo, segundo a ONU. Dos EUA à Itália, os números só aumentam. No Brasil, as denúncias subiram 14% nos quatro primeiros meses do ano.

Para a ONU, os pequenos avanços vistos nos últimos anos para a igualdade de gênero podem retroceder com a pandemia. Todos tiveram suas rendas impactadas durante o Ebola, mas os homens se recuperaram economicamente mais rápido do que as mulheres, segundo Julia Smith, pesquisadora de políticas de saúde da Universidade Simon Fraser. Com um mercado de trabalho esgotado, homens que estavam em outras indústrias mais lucrativas podem começar a competir por cargos tradicionalmente ocupados por mulheres, de acordo com Toni Van Pelt, presidente da Organização Nacional para Mulheres dos EUA. Enquanto isso, as mulheres, que no geral sofrem com a jornada dupla (mais encarregadas de atividades domésticas e cuidados) terão que esperar para procurar trabalho até que seus filhos se estabeleçam na escola e qualquer membro da família doente fique melhor.


*Com informações da Folha, O Globo, CNN Brasil, NYTimes, World Economic Forum, The Atlantic e The Guardian


Painel Opinativo por Opinião & Expressão

Espaço para postagens de opinião e expressão dos internautas

Todos os direitos reservados
- 2009-2020 Press Comunicações S/S
Tel: (82) 3313-7566
[email protected]