Assessoria
Há poucas semanas, a candidatura de Marina JHC ao Senado era recebida com curiosidade e alguma desconfiança.
Afinal, uma estreante em eleições resolveu enfrentar alguns dos políticos mais experientes e poderosos de Alagoas.
Arthur Lira e Renan Calheiros possuem estruturas políticas espalhadas pelo estado, bases municipais consolidadas e décadas de experiência eleitoral.
Marina não possui nada parecido.
Mas começa a apresentar algo que ninguém pode desprezar: votos.
As pesquisas mais recentes divergem sobre sua posição, mas convergem num ponto importante: Marina tornou-se competitiva.
A Quaest colocou Arthur Lira com 20%, Renan Calheiros com 18% e Marina com 15%.
Depois, o Ranking/CadaMinuto trouxe Arthur com 35,28%, Marina com 30,42% e Renan com 29,18% — colocando-a numericamente na segunda posição.
Agora, a Paraná Pesquisas apresenta outro retrato: Arthur com 40,4%, Renan com 36,8% e Marina com 28,4%.
Pesquisa não é resultado de eleição, e comparar diretamente levantamentos com metodologias diferentes exige cautela.
Mas o conjunto permite uma conclusão:
Marina está no jogo.
E existe uma particularidade importante nessa eleição: o eleitor alagoano escolherá dois senadores.
Marina não precisa derrotar Arthur e Renan simultaneamente. Precisa terminar à frente de apenas um deles.
Isso amplia consideravelmente suas possibilidades.
Naturalmente, existe o peso eleitoral de JHC.
Marina beneficia-se da estrutura de um grupo que disputa competitivamente o governo e da enorme exposição política do marido.
Mas o sobrenome pode abrir a porta; não garante que o eleitor atravesse por ela.
Daqui em diante, seu maior desafio será demonstrar quem é Marina sem JHC.
Precisará apresentar propostas, enfrentar debates e convencer o eleitor de que possui preparo para representar Alagoas no Senado.
Arthur e Renan possuem experiência, prefeitos, lideranças e estruturas partidárias.
Marina apresenta a novidade.
Se isso será suficiente para elegê-la, ninguém pode afirmar.
A Paraná mostra que ela ainda tem terreno a conquistar. Outros levantamentos mostram que essa distância pode ser bem menor.
Mas algo já mudou.
Marina deixou de ser uma candidatura lateral e passou a ser alguém que Arthur Lira, Renan Calheiros e Davi Davino precisam colocar nas suas contas.
Ainda não sabemos se Marina chegará ao Senado.
Mas, para disputar uma das duas vagas, uma condição já está cumprida:
Marina está no jogo.
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A pergunta pode parecer provocativa, mas tornou-se inevitável nesta campanha eleitoral de Alagoas: Renan Calheiros ajuda ou atrapalha Renan Filho?
Não existe uma resposta simples.
Poucos políticos alagoanos construíram, nas últimas décadas, uma estrutura de poder comparável à de Renan Calheiros. São mandatos sucessivos, presença nacional, influência partidária, articulação municipal e uma rede política espalhada pelo estado.
Seria ingenuidade imaginar que essa estrutura não beneficia a candidatura de Renan Filho ao governo.
Renan pai conhece como poucos os caminhos de Brasília e da política alagoana. Tem aliados, prefeitos, lideranças e capacidade de articulação que qualquer candidato gostaria de possuir ao seu lado.
Mas toda força política muito duradoura carrega também o seu contrário.
O poder produz influência, mas também produz desgaste.
E é justamente aí que começa o problema.
JHC parece ter percebido que talvez seja mais difícil enfrentar diretamente a imagem administrativa de Renan Filho do que transformar a eleição numa discussão sobre a permanência da família Calheiros no centro do poder alagoano.
Seu primeiro programa eleitoral deixou essa estratégia bastante clara ao atacar Renan Calheiros e procurar associar a candidatura do filho à continuidade de um grupo político.
Não é uma escolha casual.
Renan Filho já governou Alagoas por dois mandatos, passou pelo Senado e pelo Ministério dos Transportes. Construiu, portanto, uma trajetória própria que lhe permite apresentar-se ao eleitor para além do sobrenome.
O adversário tentará fazer exatamente o contrário.
Quanto mais Renan Filho procurar apresentar sua própria biografia, mais JHC deverá insistir em colocar o pai dentro da fotografia.
E existe uma razão adicional.
Renan Calheiros também está na urna.
Enquanto o filho tenta voltar ao governo, o pai disputa novamente uma cadeira no Senado.
Isso permite aos adversários construir uma narrativa poderosa, ainda que simplificadora: a de que Alagoas estaria sendo chamada a entregar simultaneamente o governo ao filho e mais oito anos de Senado ao pai.
A entrada de Marina JHC na disputa senatorial tornou esse cenário ainda mais delicado.
Levantamentos recentes mostram uma disputa competitiva pelas duas vagas e colocam Marina em condições de ameaçar aquilo que, meses atrás, parecia encaminhar-se para um confronto dominado por Arthur Lira e Renan Calheiros.
Surge então um paradoxo interessante.
Renan Calheiros precisa de Renan Filho forte para ajudá-lo na eleição ao Senado.
Mas Renan Filho talvez precise evitar que a eleição para governador se transforme num plebiscito sobre Renan Calheiros.
Um precisa do outro.
Mas talvez precisem também de alguma distância.
Esse é o equilíbrio difícil que a campanha terá de administrar.
Porque Renan Calheiros não é apenas o pai do candidato.
É um personagem político capaz de despertar sentimentos intensos — favoráveis e contrários.
Tem eleitorado fiel, capacidade de mobilização e enorme experiência.
Mas possui igualmente rejeição acumulada depois de décadas de exposição e enfrentamentos políticos.
Para JHC, portanto, o objetivo parece evidente: fazer com que parte dessa rejeição atravesse a fronteira entre pai e filho.
Para Renan Filho, o desafio será impedir essa transferência.
E talvez seja justamente por isso que a pergunta do título acompanhará toda a campanha.
Renan Calheiros ajuda ou atrapalha?
Provavelmente faz as duas coisas.
Ajuda na estrutura, na articulação, nos municípios e na experiência.
Pode atrapalhar quando oferece ao adversário a oportunidade de transformar uma eleição entre dois candidatos competitivos numa discussão sobre renovação e permanência no poder.
No final, entretanto, somente as urnas poderão medir qual desses efeitos será maior.
E talvez descubramos que uma das batalhas decisivas de 2026 em Alagoas não será apenas JHC contra Renan Filho.
Será também a disputa de Renan Filho para convencer o eleitor de que, mesmo carregando um dos sobrenomes mais poderosos da política alagoana, sua candidatura pertence a ele — e não ao pai.
AssessorIA
Durante muito tempo, Célia Rocha e Luciano Barbosa estiveram do mesmo lado da política de Arapiraca.
Mais do que aliados circunstanciais, construíram uma relação que atravessou eleições, governos e diferentes momentos da história política do município.
Célia não esconde, inclusive, o papel que atribui a si própria na trajetória de Luciano.
Foi justamente por isso que sua reação à decisão do prefeito de apoiar Renan Filho chamou tanta atenção.
Célia declarou estar “com muita raiva” do antigo aliado e afirmou que Luciano havia prometido que jamais ficaria contra ela caso disputasse uma eleição como candidata a vice-governadora.
Mas talvez o rompimento seja menos surpreendente do que parece.
Célia e Luciano entraram numa rota de colisão praticamente inevitável.
O ponto de partida foi a decisão de Célia de aceitar o convite para ser vice de JHC.
Ao fazê-lo, ela deixou de ser apenas uma importante liderança de Arapiraca.
Passou a integrar formalmente um dos lados da principal disputa eleitoral de Alagoas.
Luciano seguiu caminho diferente.
Depois de conversar com os dois principais candidatos ao Governo, decidiu apoiar Renan Filho — movimento coerente com sua permanência no MDB e com os interesses políticos que resolveu priorizar nesta eleição.
A partir daquele momento, a velha aliança ficou praticamente impossível de sustentar.
Porque uma coisa é permitir que aliados tenham candidatos diferentes.
Outra é ter Célia como vice de JHC e Luciano como um dos principais cabos eleitorais de Renan Filho no segundo maior colégio eleitoral do Estado.
Não havia espaço confortável entre essas duas posições.
E Renan tratou de tornar a separação ainda mais explícita ao escolher Yale Fernandes, ligado ao grupo político de Luciano e primo de Célia, para sua vice.
Arapiraca passou então a ocupar uma situação extraordinária.
Nas duas principais chapas para o Governo há representantes diretamente ligados à política local: Célia com JHC; Yale com Renan.
A divisão deixou de ser apenas política.
Tornou-se também pessoal, histórica e territorial.
E seus efeitos já atravessaram os limites de Arapiraca.
Em Maceió, Antonio Lenine, que havia chegado ao secretariado municipal por indicação de Luciano Barbosa, foi exonerado depois que o prefeito de Arapiraca declarou apoio a Renan Filho.
Pontes começam, portanto, a ser desmontadas.
A grande questão agora não é mais se Célia e Luciano estarão juntos.
É descobrir o que acontece quando estiverem efetivamente um contra o outro.
Luciano possui a máquina municipal, lideranças políticas e a força natural de quem governa Arapiraca.
Célia possui algo diferente: uma história eleitoral própria construída durante décadas e três passagens pela Prefeitura.
Até recentemente, essas forças eram complementares.
Agora serão testadas separadamente.
E talvez esse seja o aspecto mais fascinante dessa ruptura.
Durante anos foi difícil saber onde terminava a influência política de Célia e começava a de Luciano — ou quanto um dependia eleitoralmente do outro.
2026 poderá responder essa pergunta.
Se Célia entregar a JHC votação expressiva em Arapiraca, demonstrará que preservou capital eleitoral próprio e independente da atual administração municipal.
Se Luciano conseguir produzir ampla vantagem para Renan Filho, mostrará que o comando político da cidade efetivamente mudou de mãos.
Pode ocorrer também algo ainda mais interessante: nenhum deles controlar completamente o eleitorado.
Porque alianças podem ser transferidas.
Votos, nem sempre.
Há ainda uma peculiaridade tipicamente alagoana nesse rompimento: mesmo magoada com Luciano, Célia continua declarando apoio às candidaturas proporcionais de Daniel e Lucas Barbosa, filhos do prefeito.
É a demonstração perfeita de como nossas alianças políticas raramente se rompem por inteiro.
Algumas pontes caem.
Outras permanecem de pé.
Mas a principal delas caiu.
Célia Rocha está com JHC.
Luciano Barbosa está com Renan Filho.
E os dois escolheram transformar Arapiraca num dos principais campos de batalha da eleição estadual.
Não sabemos ainda quem sairá politicamente fortalecido dessa disputa.
Sabemos apenas que, depois das escolhas feitas, a colisão deixou de ser possibilidade.
Virou parte da eleição.
AssessorIA
A política alagoana precisou de poucos dias para demonstrar que a eleição de 2026 dificilmente obedecerá a linhas retas.
A semana que passou começou praticamente com uma eleição e terminou com outra.
Não porque tenham mudado os principais candidatos, mas porque alianças foram refeitas, posições antes consideradas improváveis tornaram-se realidade e antigos adversários descobriram que, em determinadas circunstâncias, podem compartilhar parte do mesmo eleitorado.
A principal definição veio com JHC.
Depois de dias de incerteza sobre seu destino eleitoral, o ex-prefeito de Maceió permaneceu na disputa pelo Governo. A hipótese de uma candidatura ao Senado perdeu força e JHC voltou ao projeto que durante meses parecia natural: enfrentar Renan Filho pelo comando do Estado. A decisão reorganizou imediatamente o tabuleiro e consolidou novamente a aproximação com Arthur Lira.
Foi mais do que uma simples definição de candidatura.
A permanência de JHC preservou a existência de dois grandes polos competitivos na eleição estadual.
De um lado, Renan Filho, sustentado pela estrutura do MDB, pela proximidade com Lula e por uma extensa rede de prefeitos e lideranças municipais.
Do outro, JHC, carregando a força eleitoral construída em Maceió e agora novamente associado à estrutura política de Arthur Lira.
Essa seria uma divisão relativamente simples de compreender.
O problema é que a política alagoana imediatamente tratou de complicá-la.
A disputa pelo Senado é o melhor exemplo
Arthur Lira e Renan Calheiros passaram anos protagonizando um dos conflitos políticos mais conhecidos do Estado. Estão em campos diferentes na eleição para governador: Lira ao lado de JHC; Renan, naturalmente, no projeto do filho.
Mas 2026 oferece duas vagas para o Senado.
E essa circunstância produziu uma das mais interessantes movimentações desta eleição.
Começou a ganhar corpo entre prefeitos, deputados, vereadores e lideranças municipais o chamado voto casado em Arthur Lira e Renan Calheiros. Há inclusive registros de material de campanha e manifestações públicas combinando os dois nomes.
Não significa que Lira e Renan tenham se tornado aliados.
Significa algo talvez ainda mais revelador sobre a política alagoana: os interesses eleitorais locais conseguiram construir uma zona de convivência onde a rivalidade dos dois não desaparece, mas deixa momentaneamente de ser absoluta.
É justamente aí que aparece um dos problemas para Marina JHC.
Sua entrada na corrida pelo Senado reorganizou a chapa de JHC depois da saída de Alfredo Gaspar da disputa estadual para assumir a vice na candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Marina precisa agora construir uma candidatura própria justamente num ambiente em que parte da estrutura política que apoia seu marido poderá desejar votar em Arthur Lira e reservar o segundo voto para Renan Calheiros. A saída de Gaspar, por sua vez, foi apontada como um fator que fortaleceu o cenário para os dois veteranos.
É uma contradição apenas aparente.
Para quem acompanha a política de Alagoas, é quase uma tradição.
Arapiraca entra definitivamente no jogo
A escolha de Yale Fernandes para vice foi imediatamente seguida pela declaração de apoio do prefeito Luciano Barbosa à candidatura do MDB.
O movimento deu a Renan uma importante base política em Arapiraca e mostrou que a eleição não será decidida apenas pela capacidade de cada grupo preservar seus territórios.
Os dois precisarão invadir os territórios adversários.
JHC precisa demonstrar que sua popularidade na capital pode atravessar os limites de Maceió.
Renan precisa provar que sua extensa rede de apoios no interior pode ser convertida em votos suficientes e, ao mesmo tempo, reduzir a vantagem que seu adversário pretende construir na capital.
A eleição começa, portanto, com uma interessante disputa geográfica.
Maceió é indispensável para JHC. O interior é fundamental para Renan. Arapiraca poderá funcionar como uma espécie de fiel dessa balança.
Mas existe uma terceira força tentando atravessar essa geografia: Brasília.
A eleição nacional bate à porta
Renan Filho não demonstra constrangimento em associar sua candidatura a Lula.
Para ele, nacionalizar parcialmente a disputa pode ser vantajoso.
JHC parece enfrentar cálculo diferente.
Flávio Bolsonaro desembarca em Alagoas nesta semana acompanhado justamente de Alfredo Gaspar, seu candidato a vice e um dos políticos alagoanos de maior identificação com o bolsonarismo. A agenda prevista inclui Maceió e Arapiraca.
Arthur Lira deverá ser convidado para participar das atividades.
JHC, entretanto, poderá escolher outro caminho. Informação publicada neste fim de semana aponta que o candidato ao Governo tende a evitar uma aparição pública com Flávio para preservar uma posição de maior neutralidade na disputa presidencial.
Se isso se confirmar, teremos uma das situações mais interessantes desta eleição.
O PL participa da coligação estadual de JHC, mas seu candidato presidencial poderá visitar Alagoas sem transformar o candidato ao Governo em seu principal anfitrião político.
Não é difícil compreender a razão.
O eleitor que JHC precisa conquistar no interior não é necessariamente o mesmo eleitor que constitui a base mais fiel do bolsonarismo.
Abraçar integralmente a nacionalização da eleição poderia fortalecer sua posição em determinados segmentos e dificultá-la em outros.
Renan enfrenta cálculo inverso.
Sua associação com Lula tende a ser apresentada como ativo eleitoral, especialmente num Estado onde o presidente possui historicamente desempenho expressivo.
Portanto, Renan tem interesse em trazer Brasília para Alagoas; JHC pode ter interesse em manter Brasília a uma distância cuidadosamente calculada.
Essa diferença poderá determinar boa parte das estratégias das próximas semanas.
*Com informações UOL//Extra-AL/PortalCadaMinuto/TribunaHoje/Redes Sociais
Palanque Alagoas
por Redação
Análise dos bastidores e do panorama polítco em Alagoas