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30/08/2019 às 19h47

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Fantasmas rondam Brasília

Davi Alcolumbre - Agência Senado


Para refletir:

Nada mais cretino do que a paixão política. É a única paixão sem grandeza, a única que é capaz de imbecilizar o homem. (Nelson Rodrigues)


Fantasmas rondam Brasília

(BRASÍLIA) - O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (cujo nome está mais para dançarino de tango) mudou muito rapidamente após sua eleição, impondo a mais fragorosa derrota ao senador alagoano Renan Calheiros. Oportunamente pediu e teve o apoio do Palácio do Planalto, da família Bolsonaro, setores militares, partidos de esquerda e toda a torcida nacional adversária do seu intolerável opositor.

Não demorou e começou já em seus primeiros atos a demonstrar incapacidade para o cargo. Não me surpreendi até porque dias antes de sua eleição eu conversava com dois caciques da política nacional que concordavam: “é despreparado, inculto, aventureiro e não merece confiança. Porém qualquer coisa é melhor para o Senado e para o país que Renan Calheiros”.

A mudança de postura no círculo mais próximo incomodou alguns antes vistos como conselheiros de confiança de Davi.

“Já cumpri este papel [de conselheiro], o ajudei nesta eleição. Agora tenho sido menos procurado e, consequentemente, menos ouvido. Não sou afeito a ficar paparicando o poder”, disse o líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues, colega de bancada do mesmo estado.

Os que apoiaram Alcolumbre  reclamam de sua excessiva aproximação com o Palácio do Planalto e também com o MDB.

Já se fala até em encontros secretos com Renan  Calheiros com o objetivo de traze-lo para dentro do governo, o que não é tarefa difícil, pois o cidadão em pauta tem seu preço já anunciado,

Um numeroso grupo de senadores se mostra impaciente com o presidente do Congresso objetivando destravar uma pauta com temas ligados ao Judiciário: pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal e CPI da Lava Toga, que teve um requerimento de criação rejeitado, outro engavetado e um terceiro está em fase de coleta de assinaturas.

 “Queremos sentar com ele, mas ele está adiando. Não dá mais para esperar. Isso está incomodando. Esperamos que haja esta sensibilidade porque já tivemos paciência no primeiro semestre”, afirmou o senador Eduardo Girão (Podemos-CE).

Girão foi um dos principais articuladores dos senadores que se reuniram, no início do ano, para escolher um candidato capaz de enfrentar Renan, então desgastado entre o eleitorado por ser associado à “velha política”.

O maior problema, no entanto é o “fantasma” Renan Calheiros que vem assustando os corredores da presidência do Senado e da residência oficial que abriga Alcolumbre, nas madrugadas de Brasília.

Office boy de juiz

Chamou-me a atenção matéria publicada no site do Poder Judiciário sobre 50 vagas para um concurso de “juiz leigo” onde se lê:

O Tribunal de Justiça de Alagoas está ofertando 50 vagas. Os aprovados auxiliarão as unidades judiciárias que apresentam taxa de congestionamento elevada.

Os profissionais selecionados atuarão por um ano, admitindo-se a recondução por igual período. A remuneração mensal será de R$ 2.500,00.

Os candidatos devem possuir inscrição definitiva na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), com dois anos de experiência profissional na advocacia ou em cargo público privativo de bacharel em direito.

O juiz leigo não poderá exercer a advocacia no âmbito do Poder Judiciário de Alagoas, assim como manter vínculo com escritório de advocacia que atue perante as unidades judiciárias do estado.

Cada juiz leigo deverá realizar, no mínimo, 80 atos por mês, dos quais ao menos 50 deverão ser projetos de sentenças e os demais distribuídos entre audiências de instrução e outros, a critério do juiz de Direito.

Para mim é uma falta de vergonha explícita essa história que se resume assim: os “juízes leigos” serão contratados entre advogados, praticamente com dedicação exclusiva, com um salário miserável, para fazer o trabalho que os juízes togados não fazem por incompetência ou preguiça, mesmo recebendo salários e vantagens impublicáveis.

O mito e o nanico

Pressionados pelo achatamento de seus soldos e confrontados com as benesses do governo do estado para com diversas categorias privilegiadas de servidores públicos as tropas da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros estão em processo de “ebulição”. Onde se juntam mais de três fardados a conversa gira em torno do desprestigio imposto a uma categoria que dá a vida pela segurança dos alagoanos.

Frase que ouvi de uma liderança representativa dos militares e vou repeti-la, cabendo ao destinatário vestir a carapuça: “Já conseguimos derrubar um mito, quanto mais um nanico”.

Antonio Moura

Na equipe do prefeito Rui Palmeira, o gestor Antonio Moura sobressai como um dos melhores. Muito jovem, ingressou no serviço público onde tem desempenhado várias funções de gerenciamento eficaz. O próprio prefeito é só elogios para o seu colaborador exemplar. Acho que o quis testar quando lhe entregou a SMTT, um órgão com uma pauta de conflitos permanente. Se não fiscaliza e põe guardas nas ruas é ineficiente, se promove ação de fiscalização “está fabricando multas”. Entre seus públicos preferidos estão os folgados que adoram subverter a ordem e chiam quando vê doer nos bolsos e agora pra completar os que fazem transportes clandestinos e desejam ser tratados como habilitados às funções de transporte, mesmo na ilegalidade e ainda contam com o equivocado apoio de órgãos de controle que deveriam estar ao lado  o legal e o moral, mas preferem jogar para a plateia. 

Ações mesquinhas

O governador Renan Filho se apequena mais ainda quando adota postura contrária ao desenvolvimento da maior cidade do interior alagoano, causando enormes prejuízos a toda região que engloba o entorno de Arapiraca. Atitudes mesquinhas e eleitoreiras pelo simples fato de ter perdido a liderança política do importante município, mesmo sendo a terra adotada pelo seu vice-governador.

Ignorando a importância da cidade de Arapiraca penaliza não o seu adversário, prefeito Rogério Teófilo, mas toda a população, principalmente a mais carente com a retenção de recursos para a área de saúde e outras vitais para o desenvolvimento. Esta semana em entrevista a imprensa Teófilo desabafou “A responsabilidade do vice-governador, Luciano Barbosa, e do governador Renan Filho é que tragam mais saúde para Arapiraca. Municípios do Agreste, Sertão, Baixo São Francisco convergem para cá. No serviço de Oncologia, os hospitais de Arapiraca estão há dois meses sem receber dinheiro, valor que já chega a R$ 700 mil.

Usurpando a cultura

O prefeito de Palmeira dos Índios, Júlio Cezar, passa mais um ano sem realizar a Festa Literária que obteve sucesso em sua primeira e única edição em 2017. Por não ter convivência com o assunto menospreza a cultura e se limita a promoção de festinhas e shows milionários para enganar o povo. A cidade perdeu a referência cultural que passa a ser ocupada por Arapiraca. Vai construir três portais de louvável arquitetura e muito bonitos nas entradas da cidade. Parabéns! Apenas aconselharia retirar a frase “Capital Alagoana da Cultura” dos projetos. É mentirosa.


Pedro Oliveira por Pedro Oliveira

Jornalista e escritor. Articulista político dos jornais " Extra" e " Tribuna do Sertão". Pós graduado em Ciências Políticas pela UnB. É presidente do Instituto Cidadão,  membro da União Brasileira de Escritores e da Academia Palmeirense de Letras.

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