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28/06/2021 às 09h20

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Nosso primeiro corrupto

 

Para refletir: “Talvez tenhamos errado ao pedir ao presidente para usar máscara. O certo mesmo seria focinheira ou bridão de argola”. (Senador Renan Calheiros).

Nosso primeiro corrupto

Em 1549, desembarcou no Brasil o primeiro funcionário público ficha-suja de nossa história. Pero Borges foi nomeado ouvidor-geral, cargo equivalente ao de ministro da Justiça, apesar da mácula em seu currículo: seis anos antes, fora condenado em Portugal por desvio de verba para construir um aqueduto - o roubo inviabilizou a obra.

Ele chegou a ser julgado e afastado do serviço público por ter embolsado metade do custo do aqueduto - ou um ano de seu salário. Veio para o Brasil como parte de sua punição, mas com poder (o ouvidor-geral podia até condenar índios e escravos à morte), gordo salário e pensão para a mulher se manter em Lisboa. Ai já a justiça da corte ensinava ao Brasil a maneira correta de julgar políticos e pessoas influentes. O nepotismo e o tráfico de influência também têm origens nessa época. As nomeações estavam "quase que exclusivamente" ligadas ao fato de "ter ou não o progenitor (do pretendente) servido à Coroa" e eram vinculadas a casamentos e ligações familiares.

As pessoas compravam os cargos ou recebiam do rei como forma de premiação por algum serviço, então acabava-se criando a ideia de que se podia usá-los a seu dispor".

Vemos então que a corrupção nasceu quando o Brasil também nascia e daí por diante foi apenas aperfeiçoando. Os mensalões, o roubo por parte de agentes públicos e principalmente por políticos são práticas mais que centenárias e que vão seguindo no princípio da hereditariedade. Aqui é assim: o avô roubava, foi sucedido pelo pai e depois pelos filhos se locupletando.

Não importa de onde venha a grana podre eles roubam. Dos hospitais, das escolas, dos miseráveis famintos e mais recentemente da pandemia que matou mais de 500 mil e prefeitos, governadores, ministros e outras autoridades são suspeitas de se apropriar. 

A morte dos Seresteiros

A cultura de Maceió, não bastasse o marasmo que a domina permanentemente, leva um baque de extrema gravidade com o fim das atividades de um de seus principais incentivadores, o grupo conhecido como “Seresteiros da Pitanguinha”. Responsável pela animação de grandes carnavais e muitas atividades festivas em nossa capital e ponto de reunião dos amantes da boa música, contribuiu imensamente para o brilhantismo das nossas atividades culturais de qualidade.  Sua diretoria fez publicar uma nota oficial, onde entre outras coisas diz: “enfim, sai de cena a Seresta da Pitanguinha, sem violões, cavaquinhos e percussão. Apenas seu estandarte faz evoluções provocadas pelo vento frio e forte da última caminhada.

Pelas ruas da Pitanguinha, seus cantores acompanham o cortejo, mudos, em respeito aos milhares de mortos, vítimas deste mal tão devastador, que sufocou e matou também nossos sonhos”.

As consequências da pandemia e o roubo de todos os seus instrumentos musicais, em sua sede, foram o golpe mortal para os Seresteiros da Pitanguinha. A coluna lamenta e presta uma homenagem aos dois ícones, que durante anos conduziram, com amor e muita dedicação o grupo cultural, os seresteiros chefes Emmanuel Fortes e Alfredo Gazzaneo, aos quais Alagoas muito deve. 

Além de queda, coice

Não bastasse as dores de cabeça que a CPI da pandemia, no Senado, tem causado ao presidente da República, aparece a real possibilidade da instalação de uma outra, desta vez na Câmara dos Deputados 

As denúncias de possíveis irregularidades no processo de aquisição da vacina indiana Covaxin começaram a movimentar também a oposição na Câmara dos Deputados, que já fala em tentar protocolar também ali uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito, que estão chamando de CPI da Corrupção na Saúde.

O líder da oposição na Câmara, Alessandro Molon (PSB-RJ), informou que os partidos contrários ao governo Jair Bolsonaro irão representar ao Ministério Público Federal e ao Tribunal de Contas da União para que sejam apuradas as denúncias.

Os líderes de oposição na Câmara dizem também que irão convocar o ministro da Justiça, Anderson Torres, para apurar se o presidente Bolsonaro levou o caso até o ministério e se a Polícia Federal abriu inquérito para investigar tais irregularidades. O deputado Luiz Miranda (DEM-DF), irmão do servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda, afirmou que alertou o presidente sobre irregularidades no processo de compra e que o presidente lhe dissera na ocasião que acionaria a Polícia Federal.

“As denúncias de corrupção na importação da Covaxin são gravíssimas. É preciso esclarecer quais medidas foram tomadas após a comunicação dos fatos ao presidente da República e quem são os envolvidos no esquema. Por isso, vamos representar ao MPF, ao TCU, convocar os ministros da Justiça e da Saúde e coletar assinaturas pra CPI da Corrupção na Saúde”, afirma Alessandro Molon.

Alagoas ganha novo hospital

O Hospital Regional do Alto Sertão (HRAS), em Delmiro Gouveia, foi entregue esta semana pelo governador Renan e o secretário de Estado da Saúde, Alexandre Ayres.

"A entrega desse hospital coloca um ponto final na saga que sempre foi a vida da população sertaneja, que era tratada em outras regiões de Alagoas e até em outros Estados brasileiros, que fazem divisa com essa parte de Alagoas", lembrou Renan Filho.

Prevista para dezembro, a entrega do HRAS foi antecipada em razão da pandemia da Covid-19 e começa a funcionar nesta terça-feira (22).

"Estamos abrindo o hospital agora, nesse momento, pelo senso de urgência que essa pandemia impõe a todos. Agora teremos leitos de UTI e clínicos para tratar Covid no Sertão, bem como todos os exames disponíveis, especialmente o mais complexo deles: a tomografia computadorizada, que também será feita aqui no Hospital do Alto Sertão", assegurou o governador.

Mais uma ação louvável, do governador Renan Filho que assume o protagonismo nacional como o estado que mais tem feito durante o período de combate a pandemia

Pílulas do Pedro

Cuidar muito da tecnologia digital e relegar o humano, não é apenas burrice, mas também criminoso.

Há quem aposte que Bolsonaro agora cai. Eu acho que não, mas fica podre.

Se os servidores estaduais não receberem este mês com as regras de previdência mudadas os culpados serão os deputados.


Pedro Oliveira por Pedro Oliveira

Jornalista e escritor. Articulista político dos jornais " Extra" e " Tribuna do Sertão". Pós graduado em Ciências Políticas pela UnB. É presidente do Instituto Cidadão,  membro da União Brasileira de Escritores e da Academia Palmeirense de Letras.

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