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23/11/2020 às 09h00

Geral

Um sonho de bailarina

Acervo Pessoal

Por Redação

Aos seis anos de idade, a alagoana Bárbara Lins iniciou-se no ballet, na escola de Eliana Cavalcanti, em Maceió. Foi parar em palcos de Nova Yorque, onde trabalhou profissionalmente por cinco anos. Hoje, espera em Maceió o fim da pandemia da Covid-19 para retornar aos Estados Unidos e redefinir seu futuro na dança. Por ora, é só esperança. 

Bárbara Lins é alagoana, de Maceió. Parece que já nasceu bailarina, tamanho seu sonho e persistência em seguir profissionalmente na dança. Aos seis anos de idade entrou para a Escola de Ballet Eliana Cavalcanti e com ape­nas dois anos de estudos, foi es­colhida para fazer o papel principal do espetáculo “Alegria”, interpretando uma menina que vivia em um mundo encantado e brincava com bonecos mágicos. 

Anos depois, Bárbara ingressou no corpo docente do Ballet Eliana Cavalcante, ingressou na Faculdade de Licenciatura em Dança, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), e de lá para os Estados Unidos e para a Europa, lhe custou apenas o sonho e esforço para se adaptar a culturas diferentes. Enfrentou problemas com a documentação, essencialmente o seu visto, mas nada lhe parecia obstáculo para experimentar e se consolidar em com­panhias de ballet lá fora. 

A pandemia do coronavírus trouxe de volta para Alagoas uma bailarina que continua a sonhar com os palcos americanos e europeus, mas que tem na paciência a fé de que voltará logo para levar seu ballet alagoano ao mundo. Bárbara conversou com a Painel Alagoas e contou de sua experiência e descobertas como uma bailarina brasileira em terras estrangeiras. 

Segundo ela, fazer aulas de ballet nos Estados Unidos foi uma experiência única. “Como o ballet é uma dança universal, e eu tive uma base sólida aqui em Maceió na escola de Eliana Cavalcanti, eu fui aceita em várias companhias de ballet em Nova Yorque, a única diferença é que o trabalho lá é mais intenso e variado, já que a demanda e a competitividade são extensas”, explica. 

“Há também nessa intensidade de trabalho a possibilidade maior de termos uma carreira como bailarina profissional, por conta da valorização das artes cênicas lá, do que no Brasil e, obviamente, aqui no Nordeste”, des­taca a bailarina, lembrando que é uma questão cultural exis­tente no Brasil e nos Estados Uni­dos com relação ao ballet. “A dife­rença é muito visível”, enfatiza,   

Nos bastidores do ballet 

 Bárbara Lins conta que leva em torno de três sapatilhas e três meias de ballet para cada apresentação que faz. “Sempre pode existir um imprevisto, como a sa­patilha quebrar ou a meia ras­gar, então precisamos estar preparados”. Ela diz que em geral há uma equipe da direção do espe­táculo responsável pelo kit de cos­tura, primeiros socorros e pela arru­mação do cabelo da bailarina. 

“Eu faço questão de levar meus kits de primeiros socorros e de maquiagem, carrego ainda na bolsa uma toalha, uma barra de cereal e uma garrafa de água. A hidratação é importante para que possamos trabalhar melhor no palco”, acrescenta Bárbara. E solta seu prazer como bailarina: 

“A emoção que sinto quando me apresento, é única e indescritível. Consegui alcançar um patamar em minha profissão, onde o nervosismo antes de dançar deu lugar à confiança e à felicidade quando estou me apresentando”. 

E como escolher a música, a coreografia, quanto tempo entre a definição de um espetáculo e sua apresentação? Para Bárbara, a escolha da música é a mais fácil para a produção de uma peça de ballet, leva, informa a bailarina, de um a dois dias, embora ressalte que esse tempo depende de cada profissional indicado para a função. 

“Já a coreografia é mais elaborada, em geral se demora entre duas a três semanas para uma produção em escolas de ballet, e meses em uma companhia de ballet. É que nas companhias uma única coreografia exige músicas mais longas. Depois disso, o prazo normal para ensaios é de três a quatro meses”, esclarece Bárbara Lins, contando que passou por uma experiência inusitada: 

“Eu tive apenas um mês de ensaio antes de subir ao palco. O resultado foi satisfatório, mas poderia ter sido bem melhor se eu tivesse tido mais tempo”. 

A escolha de toda uma vida 

Como o ballet encontrou Bárbara Lins, ou vice-versa?  “Meu encontro com o ballet foi algo inexplicável. Desde criança, eu sempre gostei de dançar e quando minha mãe me levou ao ballet, pela primeira vez, tive um pressentimento que ali era o meu lugar. Mas na época eu tinha 5 anos e a escola só aceitava alunos com 6 anos de idade. Então eu esperei pacientemente o ano todo (ficava assistindo as aulas enquanto isso) até poder ser aceita”.   

“Tive momentos, inclusive na adolescência, em que cogitei desistir, pois não conseguia ver que aquilo seria uma prioridade pra mim, mas nunca parei as minhas aulas. Acho que comecei a pensar que o ballet seria uma opção profissional quando começamos a participar de festivais fora de Maceió (interior e outros estados) e competições da ballet. Daí em diante, percebi que queria levar a dança mais a sério”, destaca. 

Como Bárbara chegou ao exterior? Ela reconhece que deixou o Brasil porque lá fora existe mais oportunidades para o ballet. “Fiz uma audição para a Joffrey Ballet School, em Belo Horizonte, e fui aceita para vários lugares diferentes. Escolhi NY. No início, eu fui apenas no intuito de estudar, mas acabei fazendo outras audições, dessa vez para companhias de ballet, onde também fui aceita para algumas delas. Então acabei decidindo ficar por lá, onde estou há cinco anos”.   

A pandemia obrigou a Com­panhia American Swiss Ballert Company, que Bárbara faz parte, a cancelar um tour pela Suíça e Itália. Então, a alagoana decidiu aguardar o retorno dos trabalhos em sua terra, Alagoas, junto a sua família. Tempos difíceis os atuais, reconhece a bailarina: 

“Fiquei sem receber por meses! Mas conseguimos nos adaptar através das aulas remotas. Então faço aulas e dou aulas de ballet online. Não é a mesma coisa, mas pelo menos podemos manter o condicionamento físico. Mas com certeza teremos que correr contra o tempo quando estivermos fisicamente em um estúdio de ballet”. 

E cruza os dedos para tempos melhores: “Infelizmente não tenho uma data certa para retornar a NY, mas gostaria de voltar ainda neste ano e correr atrás do prejuízo. Não posso fazer muitos planos porque com essa pandemia, muitos lugares estão tendo surtos novamente. Então só preciso ter paciência e muita fé, porque o futuro a Deus pertence”. 


Fonte: Painel Alagoas

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