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20/12/2021 às 06h34

Geral

Mesmo com avanço da vacinação, otimismo com retomada econômica requer cautela

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Por Carlos Amaral

O avanço da vacinação no país, mesmo com atraso devido ao negacionismo do governo Jair Bolsonaro (PL), tem gerado otimismo em relação à recuperação econômica do Brasil. Mas para o economista Cid Olival, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), é preciso ponderação. 

“A despeito da omissão e/ou das ações contrárias do governo federal ao avanço da vacinação no Brasil, em novembro chegamos à marca de 77% da população vacinada com a primeira dose e 63% da população totalmente vacinada, criando expectativas positivas de retomada do crescimento da economia. No entanto, o caminho a ser percorrido parece muito mais difícil e lento do que se imagina, requerendo cautela em relação às expectativas futuras do crescimento da economia brasileira”, afirma. 

 “Em primeiro lugar, devemos considerar a possibilidade de surgimento de novas variantes da covid-19, o que pode comprometer a recuperação da economia mundial, afetando diretamente o Brasil. Nesse momento, subsiste um elevado grau de incerteza dado o surgimento da variante ômicron, que derrubou mercados ao redor do mundo no final de novembro”, completa Cid Olival.   

O economista ainda aponta para os indicadores de atividade econômica do país que apresentam tendência negativa, o que reforça ainda mais a necessidade de prudência no otimismo com o quadro geral.  “Não podemos deixar de considerar a realidade concreta do país. Analisando alguns indicadores vemos que o cenário não é muito promissor. O nível de atividade econômica vem sendo revisto continuamente para baixo, de modo que as expectativas do mercado são de crescimento do PIB de 4,78%, com tendência de baixa, segundo o Boletim Focus, do Banco Central”, relata. “A indústria trabalha com capacidade ociosa e com queda constante na produção. O setor de serviços e o comércio varejista têm apresentado oscilações constantes, comprometendo uma recuperação econômica sustentada. Para 2022, as previsões são ainda piores, com crescimento do PIB em torno de 0,58%”, completa. 

Outro fator a ser considerado, de acordo com os apontamentos de Cid Olival, é a inflação que, nos últimos 12 meses, apresenta Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 10,15%.  “Contribuem para isso, dentre outros fatores, o aumento dos preços dos combustíveis e da energia elétrica e problemas no suprimento de insumos, como o do mercado de semicondutores, por exemplo. Em função disso e na sanha de retomar os indicadores de inflação para o centro da meta, que é de 3,75%, o Banco Central tem promovido um choque de juros, com elevações constantes da Selic, que hoje [início de dezembro] está em 7,75%, com perspectivas de atingir a marca de 9,25% até o final do ano”, critica o economista.   

Cid Olival ressalta que juros altos diminuem investimentos, crédito e poder de compra. 

“Além disso, neste caso, não atacam o problema central da inflação que decorre de problemas de suprimentos do lado da oferta”, emenda. “Esse cenário pouco favorável à retomada do crescimento ainda é complementado pelas elevadas taxas de desemprego observadas no país. Apesar da leve melhora, a taxa de desemprego é de cerca de 13%, o que corresponde a 13,5 milhões de pessoas”, completa.   

Segundo o economista,  se for considerar os desalentados – pessoas que desistiram de procurar emprego –, que atualmente somam 5,1 milhões de pessoas, mais os subocupados, que somam 7,8 milhões, a situação da falta de trabalho fica mais “preocupante”.  “E o que se observa é o crescimento do trabalho informal e dos trabalhadores por conta própria, que são trabalhos bastante precarizados e refletem as quedas constantes dos rendimentos do trabalho”, comenta. 

Para Cid Olival, falta ao governo Bolsonaro programas que visem a recuperação econômica. “Para que tivéssemos perspectivas positivas para a economia brasileira seria necessário um plano que combinasse gastos, investimentos e transferência de renda. No que diz respeito aos gastos e aos investimentos, seria necessário um aporte de recursos do setor público em áreas estratégicas, como saúde, educação, ciência e tecnologia, etc., bem como estímulo ao setor privado visando não apenas a retomada do crescimento econômico como também a redução da dependência tecnológica que temos para com o mercado internacional. Estamos perdendo uma oportunidade única de investirmos em setores de vanguarda da economia, como o complexo econômico da saúde, aproveitando a expertise existente no SUS e nas universidades públicas brasileiras”, afirma. 

Ele também critica a forma como Brasília lidou com o Auxílio Emergencial, benefício criado para ajudar os mais pobres que perderam renda durante a pandemia. “No que diz respeito à transferência de renda, a paralisação de atividades econômicas durante vários meses e os elevados índices de desemprego requeriam a ampliação da cobertura do Auxílio Emergencial, e não a criação de um programa restritivo como o Auxilio Brasil”, diz. “Ao invés disso, o que se observa é a ideologia cega, fora da realidade do país, sendo aplicada de maneira desmedida: regras fiscais incompatíveis com o crescimento da economia, como o teto de gastos; política de juros altos que beneficia apenas o setor financeiro; política de transferência de renda eleitoreira, como o Auxílio Brasil, que deixa de fora milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade antes atendidas pelo Bolsa Família”, completa. 

Na avaliação de Cid Olival, não há espaço para política de austeridade fiscal no Brasil.  “Esse tipo de polí­tica agrava, ainda mais, o problema da economia nacional e atinge mais fortemente a população mais vul­ne­rável, que tem retornando ao mapa da fome. A política de juros altos tampouco contribui para o crescimento da economia e não resolve o problema da inflação. As reformas feitas e propostas pelo governo não entregam – e não entregarão – o resultado anunciado. Não será com a privatização das empresas públicas que o crescimento virá. É preciso avançarmos em outro modelo de política econômica para que, de fato, possamos incorporar a maioria da população à economia do país.”, crava o economista. 

ALAGOAS

Mas se a perspectiva de retomada econômica do país não é lá essas coisas, como isso se dá em relação a Alagoas? Segundo Cid Olival, no mesmo ritmo. 

“Em Alagoas, a cobertura vacinal corresponde a 70%, para a primeira dose, e 52,5%, para a vacinação completa. De modo geral, a economia alagoana acompanha a dinâmica da economia brasileira, com algumas especificidades que devem ser pontuadas: o setor de turismo tem uma participação importante na economia local, de modo que novas variantes da covid-19 podem inibir uma retomada do setor, já que esse segmento é um dos mais afetados pelas medidas de isolamento social; a despeito do cenário adverso, o Governo do Estado tem realizado investimentos importantes na infraestrutura física e social, contribuindo para a indução de outros setores da economia estadual e melhorando os indicadores de crescimento; e o setor de construção civil tem contribuindo de forma importante para a economia alagoana”, aponta. 

Entretanto, o economista pondera para o alto índice de desemprego no estado.   

“Alagoas apresenta uma das ma­iores taxas de desemprego do país, com índice de 17,1%. Neste sentido, a retomada da economia alagoana passa pela melhoria da economia brasileira, para que o governo estadual e os governos municipais possam implementar medidas complementares de recuperação econômica”, explica Cid Olival. 

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Fonte: Painel Alagoas

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